Desafios econômicos do próximo governo vão além do fiscal

Crédito: G1
O próximo governo, independentemente de quem vença as eleições, terá pela frente uma agenda econômica complexa. Economistas de diferentes correntes de pensamento apontam que o ajuste fiscal é apenas o ponto de partida. Temas como juros, endividamento, produtividade e relação com os EUA exigirão esforços adicionais da próxima gestão.
“Qual será o principal desafio econômico do próximo governo, seja ele qual for?” Essa foi a pergunta que o g1 fez a mais de 20 economistas de diferentes correntes de pensamento. Entre eles, autoridades e ex-autoridades do setor público, profissionais do mercado financeiro, pesquisadores e professores de diferentes instituições de ensino e pesquisa.
Contas públicas são prioridade unânime
Nas respostas, um tema aparece, de longe, como o mais importante: o equilíbrio das contas públicas. A preocupação com a área fiscal, uma unanimidade entre os economistas, está longe de ser novidade para quem acompanha o noticiário. O problema começa no resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo) e acaba se refletindo no crescimento da dívida pública.
A dívida bruta do Brasil é a maior registrada desde abril de 2021, ainda durante a pandemia de Covid-19. Em agosto deste ano, o endividamento do setor público, que reúne governo federal, Previdência, estados e municípios, chegou a R$ 11,05 trilhões. Diante desse quadro, um ajuste robusto das contas públicas aparece como a espinha dorsal de qualquer estratégia para destravar a economia brasileira.
Ajuste fiscal pode reduzir juros e inflação
A avaliação é que uma trajetória mais sustentável para a dívida seria capaz de reduzir a pressão sobre juros e inflação, criando condições para mais investimento, consumo e crescimento. Para Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, o presidente eleito precisará apresentar rapidamente medidas concretas de ajuste, seja indicando os pontos que pretende atacar, seja detalhando as ações que pretende adotar.
Mas outros desafios também são cruciais para os rumos da economia brasileira nos próximos anos, segundo os economistas ouvidos pelo g1. Entre eles, a simplificação do sistema tributário é apontada como essencial para melhorar o ambiente de negócios.
Sistema tributário precisa ser mais progressivo
“A simplificação é importante, mas precisamos caminhar na direção de tornar o sistema tributário brasileiro mais progressivo, por exemplo, dando suporte e alívio às famílias de menor renda, aos empresários com menos recursos e, sobretudo, às pequenas e médias empresas”, diz um dos economistas consultados.
Para o comércio e a indústria do interior paulista, como em Araçatuba e região, essas questões têm impacto direto. A alta carga tributária e a complexidade do sistema oneram especialmente os pequenos negócios, que são a base da economia local. A simplificação e a progressividade tributária poderiam aliviar o caixa das empresas e estimular a formalização e o crescimento.
Impacto no comércio e na indústria regional
Empresários de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina acompanham com atenção as discussões sobre política econômica. O endividamento público elevado pressiona os juros, encarecendo o crédito para capital de giro e investimento. Uma trajetória fiscal mais sustentável poderia reduzir o custo do dinheiro, beneficiando diretamente o setor produtivo.
Além disso, a relação com os EUA e a produtividade da economia brasileira são apontadas como desafios que exigirão esforços adicionais. A fonte não detalhou quais medidas específicas seriam necessárias, mas o consenso é que sem avanços nesses campos, o crescimento será limitado.
Para os próximos anos, a expectativa é de que o novo governo precise equilibrar a urgência do ajuste fiscal com reformas estruturais que melhorem o ambiente de negócios. O desafio é grande, mas os economistas concordam que o primeiro passo é colocar as contas públicas em ordem.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal desafio econômico do próximo governo, segundo economistas?
O equilíbrio das contas públicas é o desafio mais citado, sendo unanimidade entre os economistas ouvidos pelo g1.
Qual é o valor atual da dívida bruta do governo brasileiro?
A dívida bruta do setor público chegou a R$ 11,05 trilhões em agosto, o maior valor desde abril de 2021, equivalente a 82,9% do PIB.
Por que o ajuste fiscal é considerado essencial para a economia brasileira?
Um ajuste robusto das contas públicas pode reduzir a pressão sobre juros e inflação, criando condições para mais investimento, consumo e crescimento.




























