Usina Henry Borden completa 100 anos em plena atividade

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A usina hidrelétrica Henry Borden, localizada em Cubatão (SP), completa 100 anos neste sábado (10) mantendo equipamentos originais e operando em plena atividade. O complexo, fundado pela Light em 10 de outubro de 1926, é hoje gerido pela Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), cujo controle a Sabesp assumiu em fevereiro deste ano. A usina foi decisiva para a expansão industrial paulista, passou por ampliações e teve sua operação afetada pela poluição da Billings.

Um século de história e relevância

A Henry Borden surgiu de um ambicioso projeto da Light para fazer frente aos apagões que atingiam São Paulo nos anos 1920. A usina se confunde com a paisagem da Serra do Mar: é impossível passar pela rodovia Anchieta ou pela estrada velha de Santos e não observar os dutos que descem do pico do morro ao nível do mar, 720 metros abaixo.

São oito grandes e centenários tubos de aço, todos ainda originais, que transportam água do reservatório Rio das Pedras, que integra a represa Billings, até os geradores da Henry Borden.

A operação é controlada. Os tubos ficam constantemente cheios, mas a força com que a água sai deles é regulada pela chamada casa de válvulas, um prédio de concreto armado construído no topo da serra. A distância e a altura não são obstáculos para quem está lá em cima: a descida é feita por um bonde que desce sobre trilhos também centenários afixados em pedras ao lado dos dutos. A pequena estrada de ferro liga a casa de válvulas à casa de força, onde estão os geradores.

Regime de disponibilidade e resposta rápida

Desde 2012, a Henry Borden trabalha sob o regime de disponibilidade. Em vez de vender energia ao mercado, ela recebe para garantir que sua produção esteja sempre à disposição do ONS, o operador nacional do sistema elétrico, que pede eletricidade sob demanda — que costuma ser solicitada quase todos os dias. Bastam 15 minutos para que a usina eleve sua geração de energia da potência mínima à máxima, de 889 MW.

Na manhã de quinta (8), por exemplo, quando a Folha visitou o complexo, 92% da usina estava à disposição do ONS e a maioria dos geradores permanecia em atividade. Esse modelo de operação exige prontidão constante e manutenção rigorosa, garantindo que a infraestrutura centenária continue confiável para o sistema elétrico nacional.

Equipamentos originais e modernização em curso

Apesar da idade, a usina ainda mantém parte de suas características originais. Um dos geradores data da inauguração da hidrelétrica: o primeiro rotor da Henry Borden continua ativo cem anos após ser instalado, mas será substituído até o fim do ano em meio a projetos de modernização do complexo. A fonte não detalhou o cronograma completo das obras nem os investimentos previstos.

A substituição do rotor original representa um marco na trajetória da usina, que combina preservação histórica e atualização tecnológica. A Emae e a Sabesp não divulgaram informações adicionais sobre o impacto operacional da troca ou sobre outros equipamentos que possam ser modernizados no futuro.

Impacto econômico e legado para o interior paulista

Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a longevidade da Henry Borden ilustra a importância da infraestrutura energética para o desenvolvimento econômico. A usina foi crucial para a industrialização de São Paulo, fornecendo eletricidade para fábricas, comércios e serviços que impulsionaram o crescimento do estado. Hoje, mesmo operando sob regime de disponibilidade, ela contribui para a estabilidade do sistema elétrico, beneficiando indiretamente negócios de todas as regiões, incluindo cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis.

O complexo também gera empregos diretos e indiretos na Baixada Santista, movimentando a economia local. A manutenção de equipamentos centenários exige mão de obra especializada, enquanto a modernização em curso pode abrir oportunidades para fornecedores de tecnologia e serviços industriais. A fonte não detalhou os números de empregos ou contratos associados à usina.

Perspectivas para o futuro

A Henry Borden chega ao centenário em plena atividade, com projetos de modernização que visam garantir sua operação por mais décadas. A substituição do primeiro rotor é um passo simbólico e prático nessa direção. A usina segue integrada ao sistema elétrico nacional, pronta para atender às demandas do ONS com agilidade e confiabilidade.

Para o setor produtivo paulista, a continuidade da operação da Henry Borden reforça a segurança energética do estado. A fonte não detalhou planos futuros de expansão ou alteração no regime de operação. O centenário da usina é um lembrete do papel da infraestrutura histórica no presente e no futuro da economia brasileira.

Perguntas Frequentes

Qual é a capacidade máxima de geração da Usina Henry Borden e em quanto tempo ela pode atingi-la?

A usina pode elevar sua geração da potência mínima à máxima de 889 MW em apenas 15 minutos.

A Usina Henry Borden ainda possui equipamentos originais de sua inauguração em 1926?

Sim, o primeiro rotor da usina continua ativo cem anos após ser instalado, e os oito grandes tubos de aço que transportam água do reservatório Rio das Pedras também são originais.

Como funciona o regime de disponibilidade sob o qual a Usina Henry Borden opera desde 2012?

Em vez de vender energia ao mercado, a usina recebe para garantir que sua produção esteja sempre à disposição do ONS, que solicita eletricidade sob demanda, geralmente quase todos os dias.

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