Xadrez dos CEOs com fim da escala 6×1

Crédito: NeoFeed
A promulgação da PEC que acaba com a escala 6×1 deu início a uma partida de xadrez nas empresas brasileiras. Com apenas dois meses de transição pela frente, CEOs estão reorganizando peças no tabuleiro para acomodar a redução da jornada semanal de 44 horas. A mudança exige decisões rápidas e estratégicas para manter a operação sem comprometer as finanças.
Nova regra alcança milhões de trabalhadores
Além da redução gradual da jornada semanal para 40 horas, a nova regra garante dois dias de descanso aos trabalhadores. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cerca de 14,9 milhões de trabalhadores cumprem atualmente a escala 6×1 e serão alcançados pela mudança. Esse contingente representa uma parcela significativa da força de trabalho formal no país. A adaptação a esse novo cenário é um desafio para setores que dependem de atendimento contínuo, como farmácias e supermercados. A transição exigirá planejamento cuidadoso para evitar rupturas no serviço.
Farmácias testam modelos de jornada
Com 1.700 lojas no Brasil, a Pague Menos ainda estuda quais saídas serão adotadas para atender a nova lei. Com 28 mil funcionários, a empresa vem realizando testes sobre novas jornadas, nos últimos meses, para definir qual o melhor formato para as unidades da companhia. A rede avalia diferentes arranjos de escala para conciliar a exigência legal com a necessidade de manter farmacêuticos disponíveis. A busca por eficiência é constante, pois o setor tem particularidades regulatórias. A definição do modelo ideal deve ocorrer em breve, segundo a empresa.
Necessidade de contratar mais profissionais
Segundo Marques, hoje uma drogaria precisa ter quatro farmacêuticos por dia para atender a legislação, que exige a presença de um profissional enquanto ela estiver aberta. “Tenho necessidade de arrumar as escalas e de contratar mais pessoas. Vamos apoiar e cumprir integralmente a lei”, diz ele. A declaração evidencia o impacto direto na folha de pagamento e na gestão de pessoas. Para muitas redes, a solução passará por ampliar o quadro de funcionários. Isso pode pressionar os custos operacionais no curto prazo.
Estudo pode reduzir farmácias 24 horas
Nas próximas semanas, a farmacêutica irá concluir um estudo para definir qual será exatamente o caminho traçado para permitir que os funcionários tenham dois dias de folga na semana. Isso pode passar por reduzir o número de farmácias que funcionam 24 horas. A medida seria uma forma de adequar a operação à nova realidade sem sobrecarregar as equipes. A redução do horário de atendimento é uma alternativa considerada por diversos varejistas. O equilíbrio entre serviço e custo será decisivo para a sustentabilidade do negócio.
Varejo alimentar investe em tecnologia
Assim como as redes de farmácias e o setor de saúde, o varejo alimentar está aumentando investimentos em tecnologia, fazendo testes com vários modelos de escala – o 4×3 ou o 12 horas de trabalho por 36 de descanso -, e até possibilidade de redução de tempo de funcionamento de unidades. A automação e os aplicativos surgem como aliados para manter o atendimento sem ampliar a equipe. A flexibilização dos horários também está em discussão em acordos coletivos. O objetivo é preservar a competitividade sem descumprir a legislação.
Acordos coletivos ganham espaço
“Seria necessário mais um acordo coletivo, mas ele atende as 42 horas semanais de agora e ainda garante folga aos domingos. Hoje, cerca de 20% de nossa rede já atende dessa forma”, afirma o empresário. A declaração mostra que parte do setor já adota práticas alinhadas à nova regra. A negociação sindical pode ser um caminho para ajustar jornadas de forma consensual. Isso reduziria o impacto imediato sobre as operações. A experiência acumulada por essas empresas pode servir de modelo para outras.
Tecnologia reduz dependência de atendimento humano
A rede de fast food também tem realizado investimentos em tecnologia, como a criação de um aplicativo, que poderia atender o cliente que já esteja na praça de alimentação, por exemplo, sem precisar do atendimento humano. A inovação permite otimizar o tempo dos funcionários e reduzir a pressão por escalas extensas. Soluções digitais se tornam essenciais para manter a qualidade do serviço com menos horas trabalhadas. O investimento em automação tende a crescer em todos os setores afetados. A transição tecnológica é uma das principais apostas dos CEOs.
Impacto econômico preocupa especialistas
O estudo da FGV Ibre estima que a nova legislação poderá elevar em até 20% o custo da mão de obra e pode ocasionar em uma redução de até 2,9% no Produto Interno Bruto (PIB), além de perdas de produtividade. Esses números acendem um alerta para o planejamento financeiro das empresas. O aumento de custos pode ser repassado aos preços ou absorvido pelas margens. A queda no PIB refletiria um menor ritmo de atividade econômica.
Ainda assim, o cumprimento da lei é obrigatório e as empresas buscam formas de mitigar os efeitos.
Perguntas Frequentes
Quantos trabalhadores serão impactados pelo fim da escala 6×1 no Brasil?
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cerca de 14,9 milhões de trabalhadores cumprem atualmente a escala 6×1 e serão alcançados pela mudança.
Quais são as principais estratégias que as empresas estão adotando para se adaptar à nova jornada de trabalho?
As empresas estão realizando testes com novos modelos de escala, como o 4×3 ou 12 horas de trabalho por 36 de descanso, investindo em tecnologia (como aplicativos para reduzir atendimento humano) e considerando a redução do horário de funcionamento de algumas unidades.
Qual é o impacto econômico estimado da nova legislação trabalhista?
Um estudo da FGV Ibre estima que a nova legislação poderá elevar em até 20% o custo da mão de obra e ocasionar uma redução de até 2,9% no Produto Interno Bruto (PIB), além de perdas de produtividade.




























