O Brasil Real Não Entra em Férias no Dia da Eleição

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Por Nei Ferracioli

A poucos dias do desfecho eleitoral, com o país dividido em frações milimétricas nas pesquisas e as atenções monopolizadas pelos palanques e debates, existe uma cena que se repete com exatidão matemática em qualquer rua movimentada de Araçatuba. Às sete e meia da manhã, o comerciante levanta a porta de aço, confere a escala dos funcionários, ajusta o pedido com os fornecedores e recalcula na ponta do lápis os custos fixos do mês. Para quem empreende, a política nacional é um fator determinante, sem dúvida; mas a folha de pagamento, o fluxo de caixa e o cliente no balcão não esperam a apuração das urnas.

Historicamente, períodos de definição presidencial geram uma espécie de compasso de espera. É natural que decisões estratégicas de grande envergadura — a construção de uma nova planta industrial, a aquisição de um imóvel comercial ou um financiamento de longo prazo — fiquem momentaneamente suspensas. O mercado financeiro oscila ao sabor das declarações diárias, e o empresário, com a prudência forjada em sucessivas crises, pisa no freio para enxergar o terreno à frente. O que está em jogo não é simplesmente a preferência partidária, mas a previsibilidade das regras do jogo.

O que o setor produtivo brasileiro espera de quem sentar na cadeira presidencial em janeiro não é nenhum milagre econômico. Empreendedores não pedem favores de governo; pedem, fundamentalmente, que o Estado pare de criar obstáculos diários a quem trabalha e produz. O empresário precisa de segurança jurídica sólida, disciplina fiscal que permita a redução sustentada dos juros, crédito com taxas viáveis e uma simplificação tributária que deixe de transformar cada empresa em um departamento burocrático de conformidade fiscal. Quando o custo do dinheiro permanece nas alturas e a insegurança sobre as regras fiscais persiste, o consumo perde fôlego e o ímpeto de investir definha.

Essa equação se torna ainda mais evidente no interior. O Noroeste Paulista não é uma ilha isolada dos ventos de Brasília, mas tem uma dinâmica própria, forjada no vigor do agronegócio, na diversificação de sua indústria e na resiliência de um comércio e setor de serviços que sustentam milhares de famílias. Se na capital as discussões se concentram em índices macroeconômicos abstratos, aqui na ponta nós sentimos a economia no concreto: no tíquete médio das lojas, no ritmo das contratações temporárias para o final do ano e na confiança do consumidor que entra na loja para comprar.

O grande risco dos momentos eleitorais não reside na alternância democrática do poder, mas na paralisia autoimposta. Acreditar que o futuro de uma empresa depende exclusivamente do inquilino do Palácio do Planalto é uma armadilha perigosa. Governos passam, mandatos se encerram, projetos políticos mudam de rota, mas as demandas de eficiência, inovação, capacitação de equipes e excelência no atendimento permanecem exatamente as mesmas da porta para dentro.

O Brasil que produz tem pressa. O país precisará de governabilidade responsável e foco inegociável na produtividade. Da nossa parte, enquanto lideranças e agentes do desenvolvimento regional, continuaremos fazendo o que sempre fizemos: cobrar com firmeza as reformas estruturais que o país deve ao seu povo, mas sem tirar os olhos da gestão cotidiana, incentivando o associativismo e acreditando na força de quem arregaça as mangas toda manhã para fazer a nossa cidade acontecer.

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Nei Ferracioli é Diretor Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba-SP

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