China eleva tarifa da carne brasileira a 67% após cota

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China eleva tarifa carne brasileira a 67% após cota

A partir desta quinta-feira (1º), a carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa adicional de 55% para entrar no mercado chinês. Somada ao imposto de 12% que já era aplicado, a cobrança total chega a 67%. O aumento ocorre porque o Brasil esgotou, na terça-feira (29), a cota de vendas sem a sobretaxa para a China, maior compradora da carne bovina brasileira.

Cota anual se esgota em tempo recorde

Neste ano, a cota brasileira de vendas sem sobretaxa foi de 1,106 milhão de toneladas. Esse volume foi integralmente utilizado antes do fim do primeiro semestre, sinalizando a forte demanda chinesa pela proteína brasileira. Para o próximo ano, frigoríficos já planejam antecipar abates e embarques, buscando aproveitar a janela tarifária mais favorável.

Em 2027, o limite sobe para 1,128 milhão de toneladas, mas deve ser esgotado bem mais cedo, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. A diferença em relação a este ano é que o setor pode se preparar com antecedência e acelerar os embarques. A cota deste ano, por exemplo, foi anunciada só no fim de 2025, o que deixou pouco tempo para pecuaristas e frigoríficos se organizarem.

Estratégia para antecipar embarques em 2027

Diante desse cenário, a indústria frigorífica já desenha um cronograma para maximizar as vendas dentro da cota no próximo ano. A previsão do setor é que os abates comecem neste mês e os embarques, em novembro, para que a carne chegue à China em janeiro de 2027. A viagem de navio do Brasil à China leva de 40 a 45 dias, o que exige planejamento logístico preciso.

Essa antecipação, na prática, já vem acontecendo. Frigoríficos de grande porte estão ajustando escalas de abate e contratos de frete marítimo para garantir o embarque dentro do período de isenção da sobretaxa. A medida visa assegurar competitividade no mercado chinês, que responde por parcela significativa das exportações brasileiras de carne bovina.

Impacto nas margens e no fluxo de caixa

Se as vendas se concentrarem no início de 2027, a tendência é que os negócios entre os dois países percam ritmo no restante do ano. Mas tudo depende também do apetite chinês. Segundo Perosa, os estoques de carne bovina no país estão elevados, assim como a produção de carne suína, o que pode moderar a demanda por importações.

Nesse período, as exportações continuaram em volumes menores para cumprir contratos pontuais já firmados. Com menos vendas para o principal cliente, os frigoríficos precisaram redirecionar a carne para outros mercados e viram suas margens de lucro diminuir. A queda nas vendas também aperta o caixa dos frigoríficos, já que parte deles usa os pagamentos antecipados dos compradores chineses para cobrir as despesas do dia a dia. Com menos negócios, entra menos dinheiro para manter as operações.

Efeitos para o interior paulista

Para empresários e produtores da região noroeste paulista, o aumento da tarifa chinesa pode gerar reflexos indiretos. Municípios como Araçatuba, Birigui e Penápolis possuem frigoríficos e confinamentos que abastecem tanto o mercado interno quanto o externo. A redução das exportações para a China tende a pressionar os preços do boi gordo no mercado doméstico, afetando a rentabilidade dos pecuaristas locais.

Além disso, a menor entrada de divisas pode impactar o comércio regional, uma vez que a cadeia da carne movimenta insumos, transporte e serviços. Entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA) acompanham o cenário com atenção, pois a desaceleração do setor frigorífico pode reduzir o consumo e o investimento na região.

Perspectivas para o restante de 2026

Com a cota esgotada e a tarifa majorada, os embarques para a China devem cair significativamente nos próximos meses. A indústria brasileira terá de buscar mercados alternativos, como Estados Unidos, União Europeia e Oriente Médio, ainda que esses destinos não compensem integralmente o volume perdido. A fonte não detalhou quais mercados específicos estão sendo priorizados.

Enquanto isso, o setor aguarda a definição das regras para 2027 e a possível antecipação da cota. A experiência deste ano mostrou que a janela de exportação sem sobretaxa é curta e exige agilidade. Para os próximos meses, a expectativa é de margens mais apertadas e maior seletividade nos negócios com a China.

Perguntas Frequentes

Qual é a nova tarifa total sobre a carne brasileira exportada para a China após o fim da cota?

A tarifa total é de 67%, composta por uma tarifa adicional de 55% somada ao imposto de 12% que já era aplicado.

Por que a China aumentou a tarifa sobre a carne brasileira?

O aumento ocorreu porque o Brasil esgotou a cota de vendas sem sobretaxa para a China, que neste ano foi de 1,106 milhão de toneladas.

Como o setor de carne brasileiro pretende lidar com a cota de 2027?

O setor planeja antecipar abates e embarques: os abates devem começar neste mês e os embarques em novembro, para que a carne chegue à China em janeiro de 2027, aproveitando a cota de 1,128 milhão de toneladas.

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