CEOs da Faria Lima cobram foco em contas públicas

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CEOs da Faria Lima cobram foco em contas públicas

Executivos de bancos, gestoras e plataformas de investimentos da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, manifestaram preocupação com a trajetória das contas públicas brasileiras. Em série de entrevistas às vésperas das eleições de 2026, os comandantes dessas instituições foram unânimes: o próximo presidente terá de cuidar mais das contas públicas. O risco de colapso fiscal, segundo eles, exigirá maior responsabilidade do novo mandatário, independentemente de quem vença a disputa.

Dois temas dominaram as conversas com os líderes do setor financeiro: ajuste fiscal e a possibilidade de uma crise econômica no próximo ano. A trajetória de crescimento da dívida pública acelerou, e os executivos não escondem a apreensão. Para eles, a mudança de rota no cuidado com as contas públicas será obrigatória, sob pena de consequências graves para a economia e para os negócios.

Preocupação fiscal une o mercado

A situação fiscal está ficando tão ruim, mas tão ruim, que é quase uma boa notícia, avalia Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos. Segundo ele, a deterioração das contas públicas forçará uma correção de rumo, pois nenhum governo conseguirá ignorar o problema por muito tempo. A leitura é compartilhada por outros executivos, que veem o ajuste como inevitável.

Para Ricardo Lacerda, CEO do banco de investimentos BR Partners, o eleitor de centro está cansado da polarização entre direita e esquerda. Ele decidiu apoiar publicamente um candidato pela primeira vez, ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), e tem levado a discussão de ideias a seus pares na Faria Lima. “Precisamos sair dessa situação maldita que é a polarização entre direita e esquerda”, afirmou.

Risco de dominância fiscal no radar

Outro alerta veio de André Raduan, CEO da AZ Quest, que comparou o cenário atual a uma dança perigosa. “Estamos dançando na beira do vulcão da dominância fiscal”, disse. A expressão descreve o momento em que a dívida pública cresce a tal ponto que o Banco Central perde capacidade de controlar a inflação apenas com juros, comprometendo a estabilidade econômica.

Essa percepção de risco iminente reforça a cobrança por disciplina fiscal. Para os executivos, o próximo mandatário precisará adotar medidas impopulares, como corte de gastos e reformas estruturais, para evitar um colapso. A fonte não detalhou quais seriam as medidas prioritárias, mas o tom das entrevistas indica urgência.

Eleições e a busca por alternativa

O descontentamento com os líderes nas pesquisas também apareceu nas falas. “Já votei no Bolsonaro e no Lula, e não quero que essa briga continue”, disse Ricardo Lacerda, da BR Partners. Ele criticou a política econômica do governo Lula e a postura de Flávio Bolsonaro, que não dá sinais claros de compromisso com cortes de gastos, segundo avaliação de executivos.

Marcelo Mello, da SulAmérica, ponderou que escândalos podem tirar votos, mas não eliminam candidatos. “Escândalo tira voto, mas não tira candidato; terceira via tem pouca chance”, afirmou. Ainda assim, a insatisfação com a polarização abre espaço para nomes como Caiado, que tenta se viabilizar como alternativa de centro.

Falta de visão de longo prazo

Rodolfo Riechert, CEO da Genial Investimentos, trouxe outra crítica: a ausência de um projeto de país. “Ninguém está pensando o Brasil que queremos no longo prazo”, disse. Para ele, o debate eleitoral está focado no curto prazo e ignora questões estruturais, como produtividade, educação e ambiente de negócios.

Essa falta de visão estratégica preocupa especialmente o setor produtivo. Empresários do interior paulista, como os de Araçatuba e região noroeste, dependem de um ambiente macroeconômico estável para planejar investimentos, contratar e expandir. A incerteza fiscal eleva o custo do crédito e inibe o consumo, afetando diretamente o comércio local e as pequenas e médias empresas.

Impacto para o comércio e PMEs

Para o comércio de cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, o descontrole das contas públicas se traduz em juros mais altos e inflação persistente. Isso corrói o poder de compra das famílias e encarece o capital de giro das empresas. A expectativa de ajuste fiscal, portanto, não é apenas uma questão macroeconômica, mas uma condição para a sobrevivência de muitos negócios.

Entidades como ACSP, CDL e Sebrae têm reforçado a importância da responsabilidade fiscal para a retomada do crescimento. A mensagem dos CEOs da Faria Lima ecoa essa preocupação: sem contas públicas equilibradas, o ambiente de negócios permanece hostil, e a recuperação econômica fica comprometida. O próximo presidente, seja quem for, terá de enfrentar esse desafio com urgência.

Perguntas Frequentes

O que os CEOs da Faria Lima esperam do próximo presidente em relação às contas públicas?

Eles esperam que o próximo presidente cuide mais das contas públicas, pois a trajetória de crescimento da dívida pública acelerou e há risco de colapso fiscal, exigindo maior responsabilidade do novo mandatário.

Quais são as principais preocupações dos executivos financeiros para as eleições de 2026?

As principais preocupações são o ajuste fiscal e as grandes chances de uma crise econômica no próximo ano, conforme mencionado em todas as entrevistas com comandantes de instituições financeiras.

Por que Ricardo Lacerda, CEO da BR Partners, decidiu apoiar publicamente um candidato pela primeira vez?

Ele discorda da política econômica do governo Lula e da postura de Flávio Bolsonaro, e acredita que o eleitor de centro está cansado da polarização, querendo apenas melhorar sua vida sem se preocupar com segurança, inflação ou outras ameaças.

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