Inflação de setembro volta ao normal após pressão

Crédito: UOL Economia
A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,82% em setembro, revertendo a deflação de 0,32% observada em agosto. O resultado, embora expressivo, era esperado por analistas devido ao rebote do bônus de Itaipu, que recompôs as tarifas de energia elétrica rebaixadas no mês anterior. No acumulado em 12 meses, a alta de preços ficou em 4,6%, voltando a superar o teto do intervalo de tolerância do sistema de metas, que é de 4,5% para um centro de 3%.
Para os empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o dado acende um alerta, mas também traz alívio: a expectativa é de que a inflação retome uma trajetória mais moderada e constante até o fim do ano, sem a gangorra de altas e baixas registrada nos últimos meses.
Energia elétrica puxa alta disseminada
A alta de 8% nas tarifas de energia elétrica foi determinante para a inflação de setembro, mas os aumentos de preços no mês foram disseminados. Além da energia elétrica, os preços subiram em alimentos, combustíveis, transportes e serviços, na comparação com agosto. Isso se refletiu nos núcleos de inflação, que limitam a variação de preços a causas estruturais, desconsiderando altas inesperadas e sazonais.
Na média, os núcleos subiram 0,32% em setembro contra 0,23% em agosto. Em 12 meses, o núcleo que exclui preços voláteis de passagens aéreas evoluiu de 5,1% para 5,4%, enquanto o núcleo que mede a variação de preços nos serviços intensivos em trabalho subiu de 7,2% para 7,4%. Esses indicadores mostram que a pressão inflacionária não se limita a itens pontuais, o que exige atenção dos gestores de negócios.
Projeções indicam moderação gradual
De acordo com o economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, a inflação tende a avançar em ritmo mais moderado e constante até o fim do ano. Já em outubro, o IPCA deve variar 0,3% acima da variação de setembro, manter o ritmo de alta em novembro e dar uma esticada de 0,6% em dezembro. Neste último trimestre, a inflação acumulada em 12 meses evoluiria para 4,8% em outubro e 4,9% em novembro, chegando em dezembro aos 5,2% previstos para o fechamento de 2026.
Para os alimentos no domicílio, Romão prevê relevantes altas mensais próximas a 1% nos meses restantes do ano, com repercussões negativas avançando por 2027. As estimativas do economista apontam alta de 7% na inflação de alimentos no domicílio e avanço até 10%, no acumulado em 12 meses, no começo do ano que vem. Esse cenário pressiona diretamente o custo de vida das famílias e o poder de compra no comércio local.
Impacto para empresas e juros
Apesar das pressões sobre preços reafirmadas em setembro, o retorno da trajetória e das tendências da inflação a uma marcha mais “típica” para uma economia em desaceleração, nos meses restantes do ano, mantém espaço para novo corte nos juros. Para os empresários, isso pode significar alívio no custo do crédito e na formação de preços, embora os núcleos ainda elevados indiquem que a batalha contra a inflação não está vencida.
Não se deve confundir a moderação da inflação daqui para a frente depois da alta forte de setembro com preços baixos ou mesmo em queda. Eles continuarão subindo, apenas em ritmo mais lento do que no mês passado. A recomendação para os negócios é monitorar de perto os custos de insumos e serviços, especialmente aqueles intensivos em mão de obra, que seguem com variação anual acima de 7%.
Perguntas Frequentes
Qual foi a variação do IPCA em setembro e como ela se compara ao teto da meta de inflação?
Em setembro, o IPCA subiu 0,82%, e no acumulado de 12 meses a inflação ficou em 4,6%, superando o teto do intervalo de tolerância do sistema de metas, que é de 4,5% para um centro de 3%.
Quais fatores contribuíram para a alta da inflação em setembro?
A alta de 8% nas tarifas de energia elétrica foi determinante, mas os aumentos foram disseminados, incluindo alimentos, combustíveis, transportes e serviços. Além disso, houve o rebote do bônus de Itaipu, que recompôs as tarifas de energia rebaixadas em agosto.
Quais são as projeções para a inflação nos próximos meses e para o fechamento de 2026?
Segundo o economista Fábio Romão, o IPCA deve variar 0,3% em outubro e novembro, e 0,6% em dezembro. No acumulado de 12 meses, a inflação evoluiria para 4,8% em outubro, 4,9% em novembro e chegaria a 5,2% no fechamento de 2026.




























