Construção civil: agenda para o próximo governo

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Construção civil: agenda para o próximo governo

A construção civil brasileira chega ao próximo ciclo eleitoral com uma pauta clara: reduzir a burocracia, ampliar o crédito e buscar o equilíbrio fiscal para destravar o crescimento. O setor, que responde por cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), projeta avanço de 1,2% em 2026, após um tímido crescimento de 0,5% em 2025, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Mesmo em um ambiente de juros elevados, o desempenho deste ano tem sido impulsionado pelas obras de infraestrutura e por programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida. No segundo trimestre, as vendas avançaram 5,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da expansão e da demanda permanente por habitação, o setor enfrenta desafios como juros altos, alto endividamento das famílias e aumento dos custos de materiais e mão de obra.

Desempenho atual e projeções para 2026

Os números recentes mostram resiliência. O crescimento de 5,3% nas vendas no segundo trimestre reflete a força de programas de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida. Para 2026, a CBIC projeta alta de 1,2%, após 0,5% em 2025. A fonte não detalhou os motivos da desaceleração projetada, mas o cenário de juros elevados é um fator relevante.

O setor emprega mais de 3 milhões de trabalhadores e registra o maior salário médio de admissão do país, de R$ 2.631,65, acima da média nacional de R$ 2.404,34. Esses dados reforçam a importância da construção civil para o emprego formal e a renda, especialmente em cidades do interior paulista, como Araçatuba e região, onde a atividade é um pilar econômico.

Custos em alta pressionam margens

Nos 12 meses encerrados em julho, os custos da construção civil avançaram 6,44%, enquanto a inflação oficial ficou em 4,44% no mesmo período. O fio de cobre foi o item que mais encareceu, com alta de 21,35%, seguido por porta interna (16,06%), bancada de pia (15,87%) e tubo de PVC rígido (14,35%). Esses aumentos impactam diretamente o orçamento de obras e a rentabilidade das empresas, especialmente as de pequeno e médio porte.

Para os empresários do noroeste paulista, a alta dos insumos exige planejamento financeiro rigoroso e negociação com fornecedores. A variação acima da inflação oficial reduz a previsibilidade e pode atrasar novos investimentos, afetando a geração de empregos na região.

Prioridades para o próximo governo

Entre as prioridades do setor estão a redução da burocracia para aprovação de projetos, a criação de um Código de Obras Nacional de referência e a ampliação do acesso ao financiamento. Essas medidas, se implementadas, podem acelerar o licenciamento e reduzir custos operacionais, beneficiando construtoras e incorporadoras de todos os portes.

Além disso, a CBIC defende a busca pelo equilíbrio fiscal como condição necessária para a redução dos juros. O avanço de reformas estruturais, como a administrativa, também é apontado como essencial para melhorar o ambiente de negócios. Aroeira, representante do setor, afirma que, por depender fortemente das condições macroeconômicas, a construção civil vê essas pautas como prioritárias para o próximo governo.

Impacto no comércio e na indústria local

Em Araçatuba e região, a construção civil movimenta uma cadeia extensa: lojas de material de construção, serralherias, transportadoras e prestadores de serviços. O desempenho do setor influencia diretamente o faturamento desses negócios. Com a projeção de crescimento modesto, os empresários locais devem manter cautela e buscar eficiência operacional.

A ampliação do crédito e a redução da burocracia podem estimular novos empreendimentos residenciais e comerciais na região, gerando oportunidades para fornecedores e mão de obra local. Por outro lado, a persistência de juros altos pode limitar o acesso ao financiamento imobiliário, afetando a demanda por imóveis e, consequentemente, o comércio de materiais.

O setor aguarda as propostas dos candidatos com atenção, pois as decisões macroeconômicas terão reflexos diretos na atividade construtiva e no emprego formal. A expectativa é de que o próximo governo priorize o equilíbrio fiscal e as reformas estruturais para criar um ambiente mais favorável aos negócios.

Perguntas Frequentes

Qual é a participação da construção civil no PIB brasileiro e qual a projeção de crescimento para 2026?

O setor da construção civil é responsável por cerca de 6% do PIB. A projeção da CBIC é de crescimento de 1,2% em 2026, após avanço de 0,5% em 2025.

Quais foram os itens que mais encareceram nos custos da construção civil nos últimos 12 meses?

Nos 12 meses encerrados em julho, o fio de cobre teve alta de 21,35%, seguido por porta interna (16,06%), bancada de pia (15,87%) e tubo de PVC rígido (14,35%).

Quais são as prioridades da construção civil para o próximo governo?

As prioridades incluem a redução da burocracia para aprovação de projetos, a criação de um Código de Obras Nacional de referência, a ampliação do acesso ao financiamento, o equilíbrio fiscal e o avanço de reformas estruturais como a administrativa.

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