Brasil se torna maior superpotência agrícola em virada global

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Brasil maior superpotência agrícola: virada global

O Brasil está prestes a passar os EUA como maior superpotência agrícola. A projeção foi publicada pelo jornal britânico Financial Times e indica que o país pode encerrar o 12º ano de governo de Lula, talvez o último, no topo do ranking global de exportações do setor. Os Estados Unidos, que ocupam a liderança há mais de um século, estariam a um passo de perder a posição.

Para empresários e produtores do noroeste paulista, a notícia sinaliza um novo ciclo de oportunidades. A região, tradicionalmente forte em pecuária e cana-de-açúcar, pode se beneficiar do aumento da demanda internacional por commodities. A mudança de liderança global tende a valorizar os produtos brasileiros e abrir mercados antes dominados pelos americanos.

China redireciona compras para o Brasil

Os EUA ocupavam a posição de principal exportador agrícola para a China até 2017, quando foi lançada a primeira guerra comercial de Trump. Houve quebra de confiança na relação sino-americana, fazendo crescer a demanda junto ao Brasil. A partir daí, os chineses passaram a diversificar seus fornecedores, priorizando parceiros confiáveis e com capacidade de escala.

Larissa Wachholz, ex-assessora do Ministério da Agricultura e consultora fluente em mandarim, diz que o quadro já é de empate neste início do quarto trimestre de 2026. Em commodities, uma das bases da economia global, o Brasil lidera em soja, café, algodão, suco de laranja e carnes. Essa liderança em itens essenciais reforça a posição brasileira no comércio mundial.

Foi no segundo mandato de Lula que a China se estabeleceu como principal parceiro comercial do Brasil. Mas quem deu a arrancada final para o país ultrapassar os EUA foi Donald Trump. “A China foi fundamental para que o Brasil assumisse a posição de grande exportador global de commodities agrícolas”, diz ela.

“E isso se intensificou nos últimos anos. Os EUA ocupavam a posição de principal exportador agrícola para a China até 2017, quando foi lançada a primeira guerra comercial de Trump.” Houve quebra de confiança na relação sino-americana, fazendo crescer a demanda junto ao Brasil. “É fato também que a gente conseguiu atender a essa demanda, o que não era algo óbvio”, lembra Wachholz, que assessorava então a ministra Tereza Cristina.

Capacidade produtiva sustenta novo patamar

Em visita a Pequim, Silvia Massruhá, presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Ministério da Agricultura, comentou por quê. Citou, por exemplo, como a soja foi adaptada ao Centro-Oeste, alcançando produção em massa. Esse desenvolvimento tecnológico permitiu ao Brasil expandir a fronteira agrícola e atender à demanda asiática.

Para o noroeste paulista, o avanço tecnológico é um exemplo a ser seguido. A região pode se inspirar na adaptação da soja para investir em novas culturas e técnicas de manejo. A Embrapa tem papel central nesse processo, e a aproximação com a China pode acelerar a transferência de conhecimento.

Massruhá alerta que, a exemplo do que aconteceu meio século atrás e levou à criação da Embrapa, o país e o agro “têm que discutir muito mais o planejamento estratégico”, para o próximo meio século. A afirmação reforça a necessidade de visão de longo prazo para manter a competitividade.

Acordos comerciais ampliam horizontes

Também visando não depender tanto do mercado chinês, o Brasil de Lula passou a priorizar acordos comerciais, via Mercosul, com União Europeia e outros. Massruhá vai além e afirma que o Brasil deve trabalhar cada vez mais em parceria também com a China, para abrir outros mercados. A estratégia busca reduzir riscos e ampliar o leque de compradores.

“Não adianta ignorar a China”, diz. “Ela está entrando na África, aliás, já está lá há bastante tempo. E a África demanda muito do Brasil. Não vejo a China como concorrente. Essas trocas são ganha-ganha. Quando você leva a tecnologia brasileira para a África, está validando nossas tecnologias.” A fala indica um caminho de cooperação trilateral.

Para as pequenas e médias empresas do interior paulista, a diversificação de mercados pode significar novas oportunidades de exportação. Setores como máquinas agrícolas, insumos e serviços especializados podem se beneficiar da expansão da presença brasileira em outros continentes.

Impacto no noroeste paulista

A ascensão do Brasil como maior superpotência agrícola tem efeitos diretos na economia regional. Aracatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis possuem forte vocação agropecuária e podem atrair investimentos em logística, armazenagem e processamento. O aumento da demanda global por alimentos tende a pressionar positivamente os preços pagos ao produtor.

Além disso, a maior visibilidade do agronegócio brasileiro pode estimular a criação de empregos formais no campo e na indústria de transformação. Para o comércio local, o efeito renda se traduz em maior consumo e dinamismo econômico. A projeção do Financial Times, portanto, não é apenas um dado macroeconômico, mas um sinal de oportunidades concretas para a região.

Especialistas recomendam que empresários e produtores acompanhem de perto as negociações comerciais e invistam em capacitação e tecnologia. O momento exige planejamento e visão estratégica para aproveitar o novo cenário global.

Perguntas Frequentes

O Brasil vai ultrapassar os EUA como maior superpotência agrícola do mundo?

Sim, segundo projeção do Financial Times, o Brasil deve assumir o posto de maior superpotência agrícola do mundo, ultrapassando os EUA, que lideram há mais de um século.

Qual foi o papel da China na ascensão do Brasil como exportador agrícola?

A China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil no segundo mandato de Lula e foi fundamental para o país assumir a posição de grande exportador global de commodities agrícolas, especialmente após a guerra comercial de Trump em 2017, que quebrou a confiança na relação sino-americana e aumentou a demanda pelo Brasil.

Em quais produtos agrícolas o Brasil já lidera as exportações globais?

O Brasil lidera em soja, café, algodão, suco de laranja e carnes, conforme apontado por Larissa Wachholz, ex-assessora do Ministério da Agricultura.

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