Consumo das famílias perde força e freia o PIB

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O consumo das famílias, que responde por 63% do PIB brasileiro, dá sinais claros de esgotamento e deve registrar o menor crescimento desde a pandemia neste ano e no próximo, segundo economistas. Após avançar em média 3,3% ao ano entre 2021 e 2025, a expectativa é de desaceleração para cerca de 1% em 2025 e abaixo disso em 2026 — os mais pessimistas não descartam estagnação do indicador.

O freio nas compras de bens e serviços reflete o endividamento recorde, o comprometimento de renda elevado e a perda de ímpeto do mercado de trabalho e do crédito.

Motor da economia perde tração

Considerado o principal propulsor da atividade econômica nos últimos anos, o consumo das famílias vinha sendo sustentado por fundamentos sólidos: taxa de desemprego na mínima histórica, forte alta dos benefícios sociais e expansão de mais de 60% nos empréstimos a consumidores, conforme dados do Banco Central. Esses fatores permitiram altas expressivas de 3% em 2021, 4,1% em 2022, 3,2% em 2023 e 5,1% em 2024. Em 2025, com base de comparação forte, a alta foi mais modesta, de 1,3%. Agora, porém, esse modelo dá sinais de exaustão.

Queda trimestral acende alerta

No segundo trimestre, o consumo das famílias medido pelo IBGE recuou 0,4% ante os primeiros três meses do ano, e há risco significativo de nova queda no terceiro trimestre, segundo economistas. O passo lento das compras já se reflete nas projeções para o PIB: o Boletim Focus, do BC, indica expansão de apenas 1,41% em 2026, contra 1,80% projetado no início do ano.

Para Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público do FGV Ibre, o enfraquecimento é ainda mais intenso quando se observa o consumo per capita, que cresceu apenas 0,67% entre o quarto trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024. Na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025, a alta foi de 0,07%, apontando para estagnação.

Endividamento e renda comprometida no limite

Um ponto fundamental explica a desaceleração: o endividamento e o comprometimento de renda das famílias rondam patamares recorde. Em julho, os indicadores alcançaram 49,9% e 28,7%, respectivamente, segundo o Banco Central. Com a renda cada vez mais comprometida com o pagamento de dívidas, sobra menos espaço para o consumo de bens e serviços, especialmente os não essenciais.

Esse cenário tende a se agravar com a redução do impulso fiscal no próximo ano, necessária para conter a crescente relação entre dívida e PIB, que atingiu 82,9% em agosto, o maior patamar em cinco anos.

Impacto no comércio e nas PMEs

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a desaceleração do consumo representa um desafio direto. Com as famílias mais cautelosas, a demanda por produtos e serviços tende a diminuir, pressionando as margens e o faturamento de pequenas e médias empresas. A perda de fôlego do consumo também pode afetar o emprego formal, uma vez que setores como comércio e serviços dependem da demanda interna para manter contratações.

Diante desse cenário, entidades como ACSP, CDL e Sebrae recomendam cautela na gestão de estoques e no planejamento financeiro, além de estratégias para fidelizar clientes e otimizar custos.

Perguntas Frequentes

Por que o consumo das famílias está desacelerando no Brasil?

O consumo das famílias perde força devido ao endividamento recorde (49,9% da renda comprometida em julho), perda de ímpeto do mercado de trabalho e do crédito, e redução do impulso fiscal.

Qual é a projeção de crescimento do consumo das famílias para 2025 e 2026?

Economistas projetam que o consumo das famílias crescerá cerca de 1% em 2025 e abaixo disso em 2026, após alta média de 3,3% entre 2021 e 2025.

Como o consumo das famílias impacta o PIB brasileiro?

O consumo das famílias responde por 63% do PIB, e sua desaceleração já leva economistas a reduzirem a projeção de crescimento do PIB para 1,41% em 2026, ante 1,80% no início do ano.

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