Além da Apuração: Segurança Jurídica, Realidade Econômica e o Norte do Empresariado

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Por Nei Ferracioli 

Passado o calor das urnas e definida a disputa eleitoral no último domingo, o país entra naquele tradicional período em que a política tenta, a todo custo, ditar o ritmo da economia real. Para quem está na ponta produtiva — gerando emprego, honrando compromissos com fornecedores, equilibrando o fluxo de caixa diário e abrindo as portas do comércio e da indústria todas as manhãs —, o sentimento pós-pleito raramente é de alívio irrestrito. Pelo contrário: abre-se uma janela de indefinição, amplificada por discussões institucionais, volatilidade de mercado e a recorrente sensação de insegurança jurídica.

O empresário brasileiro conhece essa dinâmica de perto. Independentemente de convicções partidárias individuais, o setor produtivo responde a incentivos concretos e necessita, acima de tudo, de previsibilidade. Quando o ambiente institucional emite sinais trocados, sejam contestações regimentais, atritos entre Poderes ou indefinições sobre o arcabouço fiscal e tributário, o primeiro reflexo imediato é o represamento de investimentos e uma postura de redobrada cautela nas decisões de longo prazo.

Nos primeiros momentos após uma eleição polarizada, o choque entre os discursos políticos e o mercado se manifesta com rapidez. 

O varejo e a indústria regional sentem isso na pele antes mesmo de qualquer posse formal, com oscilações no câmbio e nas taxas de juros futuros que impactam diretamente o custo de reposição de estoque, o acesso ao crédito e o poder de compra do consumidor. Ao mesmo tempo, o setor produtivo volta os olhos para a travessia legislativa, acompanhando com atenção a consolidação de pautas estruturais, a estabilidade das metas fiscais e os desdobramentos da regulamentação tributária. Para quem empreende, segurança jurídica não é um conceito abstrato; significa saber exatamente quanto vai custar operar nos próximos meses, sem o sobressalto de alterações repentinas de alíquotas ou reviravoltas na interpretação das normas.

Diante de um horizonte macroeconômico que ainda busca seu ponto de equilíbrio, a resposta mais lúcida da liderança empresarial é concentrar esforços naquilo que está sob o controle direto de sua gestão. Em períodos de volatilidade, a governança de caixa torna-se a principal linha de defesa, exigindo disciplina com a liquidez, vigilância sobre a inadimplência e extremo cuidado com o endividamento. Da mesma forma, a gestão de estoque precisa ser cirúrgica, priorizando o giro rápido e a flexibilidade nas negociações para evitar capital imobilizado. Internamente, a insegurança jurídica do país se combate com contratos bem amarrados, conformidade trabalhista rigorosa e planejamento preventivo, blindando a operação contra passivos inesperados.

Nenhum pequeno ou médio empresário tem fôlego para exigir segurança jurídica ou influenciar os rumos das políticas públicas de forma isolada. É justamente nesses momentos de inflexão que o associativismo ganha sua maior relevância, transformando as entidades de classe na voz técnica, legítima e articulada da produção local junto ao poder público. O Brasil já atravessou inúmeras transições e cenários adversos ao longo de sua história. Mandatos se iniciam e se encerram, mas a engrenagem que sustenta o desenvolvimento das cidades, os postos de trabalho e a arrecadação continua sendo a coragem e a resiliência do empresariado. 

Olhar para o futuro com solidez de gestão e união institucional é a resposta mais segura que o setor produtivo pode dar ao país.

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Nei Ferracioli é Diretor Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba-SP

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