Bradesco adota cautela no crédito e prioriza garantias

Crédito: Valor Econômico
Marcelo Noronha, diretor-presidente do Bradesco, afirmou que a instituição não está “fazendo loucura” na carteira de crédito. O executivo destacou o elevado comprometimento de renda das famílias brasileiras e a necessidade de mais cuidado na concessão de novos financiamentos.
Diante desse cenário, o banco busca equilibrar crescimento e risco. A estratégia prioriza linhas de crédito com garantia e reduz a exposição em operações sem garantia.
Carteira de crédito com cautela
Expansão das linhas com garantia
O Bradesco tem ampliado as linhas colateralizadas — aquelas com garantia. Segundo Noronha, essa é uma forma de proteger a carteira em um ambiente econômico desafiador. A estratégia combina expansão moderada com controle de riscos.
Redução da exposição sem garantia
Ao mesmo tempo, o banco está reduzindo a exposição em linhas de crédito sem garantia. A mesma cautela aparece também no agronegócio, setor que o banco acompanha de perto.
A fonte não detalhou os valores envolvidos nessa migração da carteira.
Agronegócio: desafios e confiança
Ciclo ainda difícil
Noronha afirmou que o ciclo ainda é difícil e que o mercado está “um pouco pior”. A avaliação reflete as condições atuais do setor, que enfrenta pressões específicas.
Potencial de recuperação
Mesmo assim, o executivo disse que o Bradesco acredita muito no agronegócio. Ele vê “muita chance de recuperação e crescimento” no segmento.
A confiança na recuperação, contudo, não elimina a percepção de riscos. O executivo indicou que o banco monitora de perto a evolução do setor. A aposta no agronegócio permanece, mas com acompanhamento rigoroso. Essa postura pode sinalizar cautela também nos financiamentos rurais.
A fonte não detalhou a exposição total do banco ao agronegócio. Noronha, contudo, reforçou que a instituição mantém a aposta no setor.
Projeções e resultados
Questionado sobre se as outras linhas de crédito também devem ficar na parte de cima da projeção, Noronha respondeu: “se Deus quiser, é para isso que a gente trabalha”. A frase foi dita em tom de confiança. O executivo evita fazer promessas, mas demonstra empenho em atingir os resultados planejados.
ROAE em trajetória de alta
O mercado acompanha com atenção os números do Bradesco. No segundo trimestre de 2026, o retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) atingiu 16,2%. No primeiro trimestre do mesmo ano, o indicador foi de 15,8%. Em igual período do ano anterior, o ROAE estava em 14,6%.
- 2º trimestre de 2026: 16,2%
- 1º trimestre de 2026: 15,8%
- 2º trimestre de 2025: 14,6%
Custo de capital
Noronha também comentou o custo de capital do banco. Segundo ele, o custo está abaixo de 15% e próximo de 14,5%. O executivo lembrou que esse dado não é divulgado no balanço. A informação ajuda a dimensionar a geração de valor da instituição.
Desenrola Adimplentes e visão fiscal
Distância do Desenrola Adimplentes
O Bradesco está mais distante do Desenrola Adimplentes, programa de renegociação de dívidas. Segundo Noronha, isso se deve a uma “crença” da instituição. Além disso, há dificuldade para identificar o público elegível. O executivo explicou que o público depende de uma série de critérios de renda e outras variáveis.
A distância em relação ao programa não significa descaso, mas uma avaliação técnica. O banco entende que a adesão em massa pode não ser eficiente sem uma seleção precisa. Por isso, mantém uma posição cautelosa. A expectativa é que a execução do programa seja mais clara ao longo do tempo.
Ajuste fiscal: uma necessidade
Há a expectativa de que, depois do pleito, seja quem for o vencedor, será preciso fazer um trabalho para a política fiscal nos próximos quatro anos. Noronha foi direto ao afirmar: “Tem de fazer o ajuste fiscal”. A declaração reforça a necessidade de equilíbrio das contas públicas. A postura é acompanhada de perto por agentes econômicos.
Para o empresariado, a combinação de crédito cauteloso e ajuste fiscal pode influenciar as condições de financiamento. O Bradesco, ao priorizar garantias, sinaliza um ambiente mais seletivo. Ainda assim, o banco reforça sua confiança na recuperação do agronegócio. O equilíbrio entre risco e oportunidade continua no centro da estratégia.
Perguntas Frequentes
Como o Bradesco está ajustando sua carteira de crédito, segundo o CEO Marcelo Noronha?
O CEO afirmou que o banco não está ‘fazendo loucura’ e está crescendo em linhas colateralizadas (com garantia) enquanto reduz exposição em linhas sem garantia, em um cenário de elevado comprometimento de renda das famílias.
Qual a avaliação do Bradesco sobre o agronegócio?
Noronha vê um ciclo ainda difícil e um mercado um pouco pior no agronegócio, mas afirma que o banco acredita muito no setor e vê muita chance de recuperação e crescimento.
Por que o Bradesco está mais distante do Desenrola Adimplentes?
Segundo Noronha, o banco está mais distante por ‘crença’ e pela dificuldade de identificar o público elegível, que depende de critérios de renda e outras variáveis.



























