Juros futuros sobem com cenário eleitoral no radar

Crédito: CNN Brasil
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sexta-feira (16) com altas pela quarta sessão consecutiva, em um movimento diretamente ligado ao cenário eleitoral. A divulgação de novas pesquisas reforçou o empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, o que pressionou os juros futuros no Brasil.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,92%, com alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,886% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,885%, com elevação de 8 pontos-base ante 12,808%.
Pesquisas reforçam empate e pressionam taxas
O levantamento da CNT/MDA, divulgado nesta sexta, somou-se a outros desta semana que também apontaram para uma disputa indefinida. Na noite de quinta-feira, a pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem de Flávio sobre Lula caiu de 4 para 2 pontos percentuais.
O senador tem agora 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Os indecisos somam 2% e os que pretendem votar em branco, nulo ou não vão votar são 6%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados.
Assim como em sessões anteriores, a reação de Lula nas pesquisas deu força às taxas dos DIs nesta sexta-feira. Às 11h42, após a divulgação dos dados da CNT/MDA, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima intradia de 12,945% (+14 pontos-base).
Mercado reage a cenário fiscal incerto
Na prática, notícias não tão favoráveis a Flávio têm dado força às taxas e ao dólar ante o real. Isso porque boa parte dos agentes do mercado considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Na noite de quinta-feira (15), em entrevista à TV Globo, Lula disse que está preocupado com o aumento da dívida pública brasileira e defendeu o crescimento econômico como forma de resolver o problema fiscal. A dívida bruta do Brasil atingiu 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, conforme os dados do Banco Central. No fim de 2022, antes de Lula assumir, ela estava em 71,7%.
Semana acumula alta após forte queda
No acumulado desta semana, as taxas para janeiro de 2028 e 2035 subiram 39 e 54 pontos-base, respectivamente. O movimento ocorre após essas mesmas taxas terem apresentado recuos fortes na semana anterior (-99 e -176 pontos-base, respectivamente), quando Flávio ficou à frente de Lula no primeiro turno da disputa presidencial.
O avanço das taxas no Brasil ocorreu em um dia de maior acomodação dos rendimentos dos Treasuries no exterior, depois de terem despencado na véspera. Esse contexto internacional não impediu a pressão altista nos juros domésticos, evidenciando o peso do fator eleitoral local.
Expectativa para a Selic e impactos locais
Neste cenário, os investidores seguem convictos de que o Banco Central cortará novamente a Selic em 25 pontos-base em novembro, mas estão divididos sobre o encontro de dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária). Atualmente a Selic está em 13,75%.
A percepção geral é de que a decisão de dezembro estará diretamente relacionada ao resultado da eleição e seus efeitos sobre o câmbio e as expectativas de inflação. Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a trajetória dos juros futuros é um termômetro importante, pois influencia o custo do crédito, os investimentos e o planejamento financeiro das pequenas e médias empresas.
Perguntas Frequentes
Por que os juros futuros subiram na sexta-feira, 16 de agosto de 2024?
Os juros futuros subiram pela quarta sessão consecutiva após novas pesquisas eleitorais reforçarem o empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula na disputa presidencial, com a taxa do DI para janeiro de 2028 em 12,92% (+3 pontos-base) e para janeiro de 2035 em 12,885% (+8 pontos-base).
Qual foi a variação das taxas de DI para janeiro de 2028 e 2035 na semana?
No acumulado da semana, a taxa para janeiro de 2028 subiu 39 pontos-base e a para janeiro de 2035 subiu 54 pontos-base, após fortes recuos na semana anterior (-99 e -176 pontos-base, respectivamente).
Como as pesquisas eleitorais impactaram as taxas dos DIs em 16 de agosto de 2024?
A divulgação da pesquisa CNT/MDA mostrando empate técnico entre Flávio Bolsonaro (47%) e Lula (45%) levou a taxa do DI para janeiro de 2035 a atingir máxima intradia de 12,945% (+14 pontos-base) às 11h42, pois notícias desfavoráveis a Flávio tendem a elevar as taxas.




























