Produtores do Paraná reduzem fertilizantes e efeito pode chegar ao consumidor

Crédito: Tribuna do Paraná
Produtores rurais do Paraná estão reduzindo a aplicação de fertilizantes em suas lavouras, movimento que pode ter reflexos diretos nos preços dos alimentos para o consumidor final. A decisão ocorre em um cenário de custos de produção elevados e receitas pressionadas pela queda nos preços do milho e da soja, principais culturas do estado.
Dados do comércio exterior mostram que as importações de fertilizantes pelo Paraná caíram 35,6% até agosto, enquanto o insumo representa até 40% dos custos de produção agrícola. A retração na compra do produto é um indicativo de que os agricultores estão buscando alternativas para equilibrar as contas, mas a estratégia pode comprometer a produtividade das próximas safras.
Menos adubo, mais incerteza na lavoura
Projeções para as próximas safras indicam que as indústrias devem reduzir entre 10% e 20% a entrega de fertilizantes aos produtores rurais do Paraná. Essa diminuição na oferta do insumo reflete a cautela do setor diante da demanda enfraquecida e da necessidade de ajuste de estoques.
Desde a pandemia, os produtores rurais do Paraná enfrentam a alta nos preços dos insumos e uma queda desproporcional nos preços do milho e da soja. No campo, os custos de produção dispararam, mas os resultados não acompanharam a alta, dificultando o equilíbrio das contas. A situação levou muitos agricultores a reverem seus orçamentos e a cortarem gastos considerados essenciais.
Fertilizante pesa no bolso do produtor
“O produtor está com o custo dele esmagado, a margem está apertada e ele tem tentado melhorar ou reduzir um pouco o custo. O fertilizante representa de 30% a 40% do custo de produção. Esse é o primeiro ponto que ele pensa em diminuir um pouco a dose”, afirma um representante do setor, cujo nome não foi divulgado. A declaração evidencia a pressão financeira sobre os agricultores e a busca por economia imediata.
Além das altas no mercado, outro custo que pesa para o produtor é o frete. O transporte do Porto de Paranaguá para o Norte do Paraná subiu de R$ 130–150 por tonelada para cerca de R$ 200 por tonelada, um incremento de 20% a 25% no último ano. Esse aumento logístico encarece ainda mais a aquisição do insumo, reduzindo a margem de manobra dos produtores.
Compra adiada pode gerar gargalos
Na tentativa de “acertar a hora certa” para comprar mais barato, o produtor adia o pedido. Isso pode gerar acúmulo de demanda na última hora, estrangulamento da logística, alta repentina do dólar e preços piores do que no início do ciclo, conforme análise do conselheiro. A estratégia de espera, portanto, pode sair cara e comprometer o planejamento da safra.
Mesmo quando o produto está mais barato, a qualidade pode não suprir as necessidades e os requisitos exigidos pela indústria, que recorre ao mercado internacional e, consequentemente, repassa custos maiores ao consumidor. Ou seja, a economia no campo pode resultar em produtos de menor qualidade ou em custos adicionais que chegam ao varejo.
Análise de solo como saída
Para João Sampaio, as estratégias para segurar os custos e manter a qualidade dos produtos demandam uma análise de solo rigorosa. Dessa forma, é possível aplicar exatamente a dosagem de que o solo necessita, reduzindo os gastos com adubo sem provocar quedas severas de produtividade. A recomendação técnica surge como alternativa para equilibrar as contas sem sacrificar a produção.
Já segundo o SindiAdubos, a defesa é pela redução dos impostos de importação de fertilizantes, além de mudanças no PIS/Cofins, que aumentaram a carga tributária incidente sobre operações realizadas pelo setor. A entidade argumenta que a desoneração poderia aliviar os custos para os produtores e estimular a compra do insumo.
O cenário descrito pelas fontes consultadas indica que a redução no uso de fertilizantes no Paraná pode ter efeitos em cadeia. Menos adubo pode significar menor produtividade, o que pressiona a oferta de grãos e, por fim, os preços dos alimentos no mercado interno. Para o consumidor, a conta pode chegar na forma de produtos mais caros ou de menor disponibilidade.
Perguntas Frequentes
Por que os produtores do Paraná estão reduzindo o uso de fertilizantes?
Devido à alta nos preços dos insumos e à queda desproporcional nos preços do milho e da soja, o que esmagou as margens de lucro. Como o fertilizante representa de 30% a 40% do custo de produção, é o primeiro item que o produtor tenta reduzir.
Qual foi a queda nas importações de fertilizantes pelo Paraná e qual o impacto nos custos?
As importações de fertilizantes pelo Paraná caíram 35,6% até agosto. O insumo representa até 40% dos custos de produção agrícola, e projeções indicam que as indústrias devem reduzir entre 10% e 20% a entrega de fertilizantes aos produtores rurais.
Como a redução no uso de fertilizantes pode afetar o consumidor final?
Se a qualidade dos produtos agrícolas não suprir as necessidades da indústria, ela recorre ao mercado internacional e repassa custos maiores ao consumidor. Além disso, o adiamento de compras pode gerar estrangulamento logístico e preços piores, impactando toda a cadeia.



























