Pressão de Lula sobre Banco Central por corte de juros

0
8
Pressão Lula Banco Central por corte de juros

Com a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana, aliados do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevaram o tom e iniciaram uma pressão conjunta contra o mercado financeiro e o Banco Central (BC) por uma redução na taxa básica de juros. A movimentação ocorre em um momento de forte volatilidade nos mercados, após a vitória petista na eleição presidencial e diante da ausência de definições sobre a política fiscal do novo mandato.

Antes da vitória de Lula na eleição presidencial deste ano, a aposta era de uma redução de 0,25 ponto porcentual, mas a vitória petista na disputa presidencial tem levado parte do mercado a rever a possibilidade de queda, diante da incerteza fiscal em relação ao novo mandato do petista. Essa mudança de expectativa acirrou o embate entre o governo e o setor financeiro, com reflexos diretos no custo do crédito para empresas e consumidores.

Críticas ao mercado e cobranças ao BC

Além disso, o parlamentar cobrou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A deputada e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR) também publicou em suas redes sociais, na manhã desta segunda-feira, um texto com críticas ao mercado. “Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. Não causa estranheza que estiveram torcendo e apoiando Flávio Bolsonaro para presidente”, diz a postagem na rede social X.

As declarações reforçam o tom de confronto adotado por integrantes do governo, que veem a manutenção dos juros como um entrave ao crescimento econômico. Para o comércio e a indústria do interior paulista, a taxa Selic elevada encarece o capital de giro e inibe investimentos produtivos.

Governo nega medidas heterodoxas

Neste domingo, 1º, Durigan negou que o governo Lula estude adotar uma política econômica de tabelamento de juros e de uso de reservas para segurar o câmbio. “Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação”, afirmou o ministro. Durigan também negou o encontro. “Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”, disse Durigan.

A negativa busca acalmar o mercado, que teme intervenções não convencionais na economia. Empresários de Araçatuba e região acompanham com cautela, pois medidas abruptas poderiam gerar ainda mais instabilidade cambial e inflacionária.

Expectativas para a decisão do Copom

O Copom se reúne nesta semana. Depois das eleições, cresceu o número de bancos e analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que esperam a manutenção da Selic em 13,75% nesta reunião, mas a mediana das estimativas ainda indica um corte. Também caiu a expectativa de novas reduções de juros para 2027. Na última reunião, em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto.

A divergência entre as projeções reflete o ambiente de incerteza. Para o setor produtivo, a definição da taxa básica impacta diretamente as condições de financiamento, os investimentos e a geração de empregos formais.

Mercado reage com forte estresse

A semana que sucedeu o segundo turno das eleições presidenciais foi marcada por forte disparada do dólar e das taxas de juros futuros. O Ibovespa — principal índice da B3, a Bolsa brasileira — teve sua pior semana desde março de 2020, no início da pandemia, ao tombar 18,12%. O índice caiu 0,75%, aos 167.921 pontos. Já o dólar fechou a semana em alta de 9,04%, a maior desde a crise financeira global, em outubro de 2008.

A cautela foi reforçada pela ausência de anúncios de medidas de ajuste de gastos para o próximo mandato e de indicação de nomes que vão compor a nova equipe econômica. Esse cenário eleva o custo de importação de insumos e pressiona os preços no varejo, afetando diretamente o poder de compra das famílias e a competitividade das empresas locais.

Diante desse quadro, a pressão dos aliados de Lula sobre o Banco Central deve continuar, enquanto o mercado aguarda sinais concretos de responsabilidade fiscal. Para os empresários do noroeste paulista, a previsibilidade é essencial para planejar investimentos e manter a saúde financeira dos negócios.

Perguntas Frequentes

Por que aliados de Lula estão criticando o Banco Central antes da reunião do Copom?

Aliados do governo Lula aumentaram o tom contra o Banco Central e o mercado financeiro por uma redução da taxa Selic, com a proximidade da reunião do Copom nesta semana.

O que a deputada Gleisi Hoffmann disse sobre o mercado financeiro?

A deputada Gleisi Hoffmann publicou em suas redes sociais que “esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo”, afirmando que não causa estranheza que estiveram torcendo e apoiando Flávio Bolsonaro para presidente.

Qual é a expectativa do mercado para a decisão do Copom sobre a Selic?

Após as eleições, cresceu o número de bancos e analistas que esperam a manutenção da Selic em 13,75% nesta reunião, mas a mediana das estimativas ainda indica um corte.

Fonte

Leave a reply