Economia argentina de Milei perde força com peso forte

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A economia argentina dá sinais de desaceleração em meio à estratégia do governo de Javier Milei para manter a inflação sob controle e limitar a desvalorização do peso. A política de estabilização tem conseguido reduzir a alta de preços, mas também impõe desafios a setores que dependem do consumo interno. Empresários e comerciantes do noroeste paulista, que mantêm relações comerciais com o país vizinho, acompanham o cenário com atenção.
Inflação desacelera, mas atividade perde ritmo
Ao mesmo tempo, a inflação desacelerou significativamente em relação aos níveis registrados no início do governo Milei. O índice de preços ao consumidor avançou 1,7% em agosto, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Em 12 meses, a inflação argentina acumulou 33,5%. Apesar da melhora nos preços, a atividade econômica dá mostras de fraqueza, especialmente em setores voltados ao mercado doméstico.
Um dos elementos da estratégia econômica argentina é evitar uma desvalorização mais acelerada do peso. Como os preços internos avançaram mais rapidamente do que a cotação do dólar, a moeda argentina se valorizou em termos reais. Essa dinâmica ajuda a limitar o impacto dos produtos importados sobre a inflação, mas também torna mercadorias estrangeiras relativamente mais baratas e pode reduzir a competitividade da produção argentina.
Setores internos sofrem com câmbio valorizado
A pressão aparece principalmente em atividades voltadas ao mercado interno. Indústria, comércio e construção enfrentam um cenário diferente de setores ligados às exportações de commodities, como mineração, energia e agricultura. Para o empresariado do interior paulista, que exporta ou compete com produtos argentinos, o câmbio valorizado no país vizinho pode alterar fluxos comerciais e exigir atenção redobrada.
A produção industrial argentina, por exemplo, registrou queda de 5% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados oficiais do Indec. A utilização da capacidade instalada ficou em 58,2% naquele mês, ligeiramente abaixo dos 58,4% registrados um ano antes. Os números reforçam a percepção de que a indústria local enfrenta dificuldades para manter o ritmo diante do câmbio apreciado.
Exportações sustentam entrada de dólares no primeiro semestre
Durante a primeira metade do ano, a Argentina contou com maior entrada de moeda estrangeira impulsionada pelas exportações agrícolas e por captações realizadas por empresas no exterior. Esse fluxo ajudou a sustentar as reservas e a estabilidade cambial, mas não eliminou as incertezas sobre o futuro da política monetária. Para os produtores rurais da região de Araçatuba, que acompanham os preços das commodities, o desempenho argentino pode influenciar a competitividade no mercado internacional.
O mercado, porém, continua esperando algum enfraquecimento da moeda argentina. No levantamento de agosto do Banco Central, a mediana das projeções apontava para uma cotação de 1.630 pesos por dólar em dezembro de 2026. A expectativa representa uma alta nominal de 12,6% do dólar em relação ao fim de 2025. Se confirmada, a desvalorização poderá aliviar a pressão sobre a indústria local, mas também reacender a inflação.
Crédito mais caro afeta famílias e empresas
Outro efeito da política de estabilização aparece no mercado de crédito. Taxas de juros mais elevadas ajudam a reduzir a pressão sobre o câmbio e os preços, mas encarecem o financiamento de famílias e empresas. Para pequenos e médios negócios, o custo do capital é um fator crítico para investimentos e capital de giro. A restrição ao crédito pode aprofundar a desaceleração da atividade no curto prazo.
Em agosto, os empréstimos em pesos ao setor privado recuaram 1% em termos reais e com ajuste sazonal, segundo o relatório monetário do Banco Central argentino. O desempenho, porém, não foi igual em todas as modalidades: os financiamentos imobiliários continuaram crescendo. A divergência mostra que, apesar do aperto geral, alguns segmentos ainda encontram espaço para expansão.
Para os empresários do noroeste paulista, o cenário argentino serve de alerta sobre os efeitos de políticas de estabilização baseadas em câmbio forte e juros altos. A experiência do país vizinho pode oferecer lições sobre os trade-offs entre controlar a inflação e sustentar o crescimento. A continuidade da estratégia de Milei e seus desdobramentos sobre o comércio bilateral serão acompanhados de perto nos próximos meses.
Perguntas Frequentes
Qual foi a inflação na Argentina em agosto e no acumulado de 12 meses?
Em agosto, o índice de preços ao consumidor avançou 1,7%, segundo o Indec. No acumulado de 12 meses, a inflação argentina foi de 33,5%.
Como a estratégia de segurar o peso afeta a competitividade da produção argentina?
A valorização real do peso torna mercadorias estrangeiras relativamente mais baratas e pode reduzir a competitividade da produção argentina, especialmente em setores voltados ao mercado interno.
Qual foi o desempenho da produção industrial e da utilização da capacidade instalada na Argentina em julho?
A produção industrial argentina registrou queda de 5% em julho na comparação anual, e a utilização da capacidade instalada ficou em 58,2%, ligeiramente abaixo dos 58,4% de um ano antes.



























