Vagas temporárias no varejo crescem 10%, mas salário cai 7%

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O comércio varejista brasileiro se prepara para a temporada de contratações de fim de ano com uma notícia boa e outra ruim para os candidatos. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o número de vagas temporárias no varejo deve crescer 10% em relação a 2025, totalizando cerca de 130 mil postos. No entanto, a remuneração média oferecida será 7% menor: R$ 1.805 mensais brutos, contra R$ 1.943 pagos no ano passado.

Considerando a inflação medida pelo IPCA no período, a queda real é ainda mais acentuada, chegando a 11%.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, como Araçatuba, Birigui e Penápolis, o cenário nacional reflete desafios locais de atração e retenção de trabalhadores. A redução salarial em termos reais pode dificultar ainda mais o preenchimento de vagas em um setor que já sofre com escassez de mão de obra.

Déficit crônico de mão de obra

O varejo brasileiro enfrenta uma falta crônica de profissionais, com déficit estimado em 15% nos últimos anos. Para tentar contornar o problema, grandes redes têm buscado parcerias com o poder público. O Carrefour, maior grupo varejista do país, firmou acordo com o governo federal para empregar egressos do programa Bolsa Família. Desde 2023, a iniciativa resultou na contratação de aproximadamente 140 mil pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).

Essa estratégia, embora relevante em escala nacional, não elimina a pressão sobre o comércio de cidades médias do interior paulista, onde a concorrência por trabalhadores qualificados é intensa. A transição para modelos de contratação mais flexíveis e a melhoria das condições de trabalho tornam-se essenciais para reduzir o déficit.

Empresário relata falta de gente em todos os setores

O problema da escassez de mão de obra é sentido na prática por redes regionais. Com cerca de 450 lojas em Minas Gerais e no Espírito Santo, o empresário Pedrinho, dono da SAF que administra o Cruzeiro, viu seu déficit de vagas saltar de 4.000 em maio para 6.000 postos em aberto atualmente. “Falta gente em todos os setores da loja”, afirma.

Embora o caso seja de outro estado, a situação ilustra a realidade enfrentada por varejistas de todo o país, incluindo o noroeste paulista. A dificuldade em preencher vagas impacta diretamente a operação das lojas, o atendimento ao cliente e, consequentemente, o faturamento do setor.

Alternativas para reduzir o déficit

Diante da escassez de trabalhadores, algumas redes têm adotado medidas para mitigar os efeitos. No mercado capixaba, uma rede varejista implementou escala de segunda a sábado, com folga fixa aos domingos, atendendo à convenção coletiva de trabalho do varejo no Espírito Santo. “Seria bom para todos se toda loja fechasse aos domingos”, diz o empresário, que ainda não começou a implantar, por conta própria, uma escala 5×2.

Outra alternativa empregada pela Plurix é aumentar o número de caixas de autoatendimento, os “self checkouts”. “É uma tentativa de diminuir um pouco a insatisfação do cliente com as longas filas”, afirma Faiçal. Essas soluções, porém, não resolvem a questão central da falta de pessoal, apenas aliviam a pressão operacional.

Perfil das contratações de fim de ano

Das 130 mil vagas previstas para este ano, 50% serão de contratos temporários, voltados para o aumento das vendas esperado na Black Friday e no Natal. Outros 39% serão contratações imediatas por tempo indeterminado, ou seja, efetivas desde o início. Os 11% restantes dos entrevistados não especificaram o regime de contratação.

Para os lojistas da região de Araçatuba, a predominância de vagas temporárias exige planejamento antecipado de recrutamento e treinamento, especialmente diante da queda no salário médio oferecido. A expectativa é que a demanda por trabalhadores temporários se intensifique nas próximas semanas, com pico entre outubro e novembro.

Impacto no comércio do interior paulista

O cenário nacional de mais vagas, porém com salários menores em termos reais, tende a se refletir no comércio do noroeste paulista. Empresários locais já enfrentam dificuldades para atrair candidatos, mesmo em funções operacionais. A redução da remuneração pode agravar a rotatividade e a insatisfação, pressionando ainda mais os pequenos e médios negócios.

Entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA) e o Sebrae podem orientar os lojistas sobre estratégias de retenção, benefícios não salariais e adequação às convenções coletivas. A busca por soluções inovadoras, como escalas flexíveis e automação de processos, deve ganhar força diante do descompasso entre oferta e procura por mão de obra.

Em resumo, o varejo promete contratar mais para o fim do ano, mas paga menos em termos reais, o que pode comprometer a qualidade do atendimento e a experiência do consumidor. A falta crônica de trabalhadores, estimada em 15%, exige respostas urgentes do setor e do poder público para garantir a sustentabilidade do comércio, especialmente nas cidades do interior paulista.

Perguntas Frequentes

Quantas vagas temporárias o varejo brasileiro deve abrir no fim do ano e qual a variação em relação a 2025?

O varejo brasileiro deve abrir 130 mil vagas no fim do ano, um aumento de 10% em relação a 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Qual é o salário médio oferecido para as vagas temporárias no varejo neste fim de ano e como se compara ao ano anterior?

O salário médio mensal bruto oferecido é de R$ 1.805, o que representa uma queda de 7% em relação aos R$ 1.943 pagos em 2025. Considerando a inflação (IPCA), a queda real é de 11%.

Por que o varejo está com dificuldade para preencher vagas, mesmo com o aumento das contratações temporárias?

O varejo enfrenta uma falta crônica de mão de obra, com déficit em torno de 15%. Para mitigar o problema, o Carrefour fez parceria com o governo federal para empregar egressos do Bolsa Família, contratando cerca de 140 mil pessoas desde 2023.

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