Australiana compra terras raras em Minas Gerais por R$ 3,5 bi

Crédito: G1
A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou nesta quinta-feira (1º) um acordo para adquirir a Meteoric Resources por cerca de A$ 968 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões na cotação atual. A operação dá à Lynas o controle do projeto Caldeira, em Minas Gerais, um dos principais empreendimentos de terras raras do Brasil. A compra será realizada por meio de troca de ações, com os acionistas da Meteoric recebendo 0,0207 ação da Lynas para cada papel que possuem.
Projeto Caldeira atrai investimento bilionário
O projeto Caldeira possui recursos estimados em 128 milhões de toneladas e deve receber mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) em investimentos para ser desenvolvido. A Meteoric Resources, também australiana, é a atual responsável pelo desenvolvimento do ativo, considerado estratégico para a cadeia global de minerais críticos. Com a aquisição, a Lynas amplia sua presença na América do Sul e reforça seu portfólio de terras raras fora da Austrália.
A transação ainda depende da aprovação dos acionistas da Meteoric, de autorização judicial e de aprovações regulatórias. As empresas esperam enviar aos acionistas, em dezembro, um documento com os detalhes da operação. A assembleia está prevista para janeiro de 2027 e, se todas as condições forem cumpridas, o negócio deve ser concluído até março.
Valor por ação e prêmio aos acionistas
O valor oferecido equivale a A$ 0,286 por ação da Meteoric, representando um prêmio de 68,4% sobre o preço de fechamento do papel em 30 de setembro. Esse ágio reflete o potencial do projeto Caldeira e a disposição da Lynas em garantir acesso a reservas significativas de terras raras. A troca de ações permite que os atuais acionistas da Meteoric participem dos ganhos futuros da companhia combinada.
A aquisição também precisa de aprovação brasileira para a mudança de controle da Meteoric. A exigência está prevista na nova lei de minerais críticos, sancionada em setembro, que criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). A norma passou a exigir a homologação de mudanças de controle de empresas com direitos minerários relacionados a esses minerais.
Lei de minerais críticos e impacto regulatório
A medida busca estimular a pesquisa, a extração e o processamento de minerais críticos e estratégicos no Brasil, com o objetivo de reduzir a exportação de minério bruto e ampliar a industrialização do setor. Para a Lynas, a aprovação do CIMCE será um passo essencial para concluir a aquisição e avançar com o desenvolvimento do Caldeira. A empresa não detalhou prazos para essa etapa, mas a expectativa é de que o processo ocorra em paralelo às demais condições.
Além do Caldeira, o Brasil já conta com outros projetos de terras raras em operação. A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Goiás, que produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, usados em veículos elétricos, eletrônicos, sistemas de energia e equipamentos militares. A expansão da mineração desses elementos no país pode gerar empregos e atrair novos investimentos para regiões como o noroeste paulista, que possui vocação industrial e logística.
Interesse público e auditoria no Sul de MG
O Ministério Público pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça uma auditoria nos projetos de exploração de terras raras no Sul de Minas Gerais. O pedido indica a necessidade de maior transparência e fiscalização sobre os impactos ambientais e econômicos dessas atividades. A região abriga o projeto Caldeira e outras iniciativas semelhantes, o que pode influenciar o cronograma de licenciamento e a segurança jurídica dos investimentos.
Os elementos de terras raras possuem propriedades eletrônicas, magnéticas e óticas essenciais para diversas tecnologias modernas, como turbinas eólicas, baterias e equipamentos de comunicação. A demanda global por esses minerais deve crescer nos próximos anos, impulsionada pela transição energética e pela digitalização da economia. Para empresários e comerciantes do interior paulista, o avanço da mineração pode abrir oportunidades na cadeia de fornecedores e serviços especializados.
A conclusão da aquisição está condicionada ao cumprimento de todas as etapas regulatórias e societárias. A Lynas e a Meteoric não divulgaram projeções de produção ou cronograma de implantação do Caldeira, mas o investimento anunciado sinaliza a relevância do projeto para o mercado global de terras raras. A operação reforça a posição do Brasil como player estratégico no fornecimento de minerais críticos, com potencial de gerar empregos qualificados e movimentar a economia regional.
Perguntas Frequentes
Qual empresa australiana comprou o projeto de terras raras em Minas Gerais e por quanto?
A Lynas Rare Earths anunciou a aquisição da Meteoric Resources por cerca de A$ 968 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
Quais são os recursos estimados e o investimento previsto para o projeto Caldeira?
O projeto Caldeira tem recursos estimados em 128 milhões de toneladas e deve receber mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) em investimentos para ser desenvolvido.
Quais aprovações são necessárias para concluir a compra da Meteoric Resources pela Lynas?
A transação depende da aprovação dos acionistas da Meteoric, de autorização judicial, de aprovações regulatórias e da aprovação brasileira para a mudança de controle, conforme a nova lei de minerais críticos.



























