Crise na Nike: cortes de empregos, receita cai e ações recuam

Crédito: G1
A Nike anunciou na quinta-feira (1º) um novo plano de cortes de empregos e reorganização de suas divisões globais, em meio ao agravamento da crise na China e à projeção de queda de receita mais acentuada que o esperado. A companhia prevê que sua receita caia em um percentual na faixa alta de um dígito no ano fiscal de 2027, enquanto analistas estimavam queda de cerca de 2%, segundo dados da LSEG. As ações da empresa recuaram 8,5% após a divulgação da projeção.
O programa, que amplia iniciativas anteriores de demissões, incluindo uma anunciada no início deste ano, deve gerar economia de cerca de US$ 2,5 bilhões até o ano fiscal de 2031. A maior parte desse valor deve ser obtida nos anos fiscais de 2029 e 2030. A Nike está aprofundando sua reestruturação sob o comando do presidente-executivo Elliott Hill.
Queda na China pressiona resultados
A previsão divulgada indica que os desafios da Nike devem persistir por pelo menos mais alguns trimestres, especialmente na China, onde as vendas caíram 26% em moeda constante no primeiro trimestre. A empresa vem tentando retomar o crescimento sob a gestão de Hill, com foco renovado em modalidades estratégicas, como a corrida, e na reconstrução de relacionamentos com varejistas atacadistas.
Analistas, porém, afirmam que as dificuldades decorrem em grande parte da falta de lançamentos de produtos novos e atraentes em volume suficiente, o que aumentou a necessidade de promoções e descontos. A Nike, que também registrou receita no primeiro trimestre abaixo das expectativas dos analistas, anunciou mudanças em seu modelo operacional.
Reorganização em três regiões geográficas
As medidas incluem cortes de pessoal e a reorganização da companhia em três regiões geográficas — Américas, Ásia-Pacífico e Grande China, e EMEA —, em vez de quatro. A companhia informou que ainda não definiu quantos cargos serão eliminados como parte da reestruturação. As notificações aos funcionários começarão em 2027.
Para o comércio varejista do interior paulista, como em Araçatuba e região, a crise da Nike pode ter efeitos indiretos. Redes de lojas de artigos esportivos e multimarcas que dependem da marca podem sentir impacto na disponibilidade de produtos e nas condições comerciais. A reorganização global pode alterar prazos de entrega, mix de produtos e políticas de desconto, afetando o planejamento de estoques de pequenos e médios varejistas.
Impacto no varejo e na indústria local
Embora a Nike não tenha operação fabril direta na região noroeste paulista, a cadeia de fornecedores de materiais esportivos e confecções pode ser afetada por mudanças na demanda global. Empresas que produzem componentes, embalagens ou prestam serviços logísticos para o setor esportivo devem monitorar os desdobramentos da reestruturação.
Além disso, a queda nas vendas da Nike na China pode abrir espaço para concorrentes locais e marcas regionais, o que pode gerar oportunidades para fabricantes brasileiros de calçados e vestuário esportivo que buscam exportar ou ampliar participação no mercado interno. A reorganização da Nike em três regiões geográficas pode simplificar processos e acelerar decisões, mas também pode levar a uma maior centralização de compras e negociações com fornecedores.
Perspectivas para o ano fiscal de 2027
A Nike prevê queda de receita em percentual na faixa alta de um dígito no ano fiscal de 2027, o que representa um cenário mais pessimista que o consenso do mercado. A economia de US$ 2,5 bilhões esperada até 2031 deve vir principalmente nos anos fiscais de 2029 e 2030, indicando que os cortes terão efeito gradual.
Para empresários do comércio e da indústria, o caso Nike ilustra a importância de inovação constante e gestão de portfólio. A falta de lançamentos atraentes e a dependência de promoções são riscos que afetam qualquer negócio, independentemente do porte. A reestruturação da gigante americana pode servir de alerta para empresas locais sobre a necessidade de diversificação de mercados e canais de venda.
A fonte não detalhou o número exato de demissões, mas as notificações começarão em 2027, o que sugere um processo planejado e de longo prazo. A reorganização em três regiões geográficas pode trazer mais agilidade, mas também incertezas para funcionários e parceiros comerciais.
Perguntas Frequentes
Por que a Nike anunciou novos cortes de empregos?
A Nike anunciou novos cortes de empregos devido ao agravamento das dificuldades na China e à projeção de queda de receita maior que a esperada, como parte de um plano de reestruturação para economizar US$ 2,5 bilhões até o ano fiscal de 2031.
Qual foi a queda nas vendas da Nike na China no primeiro trimestre?
As vendas da Nike na China caíram 26% em moeda constante no primeiro trimestre, conforme divulgado pela empresa.
Como a Nike está reorganizando suas divisões globais de negócios?
A Nike está reorganizando suas divisões globais em três regiões geográficas: Américas, Ásia-Pacífico e Grande China, e EMEA, em vez de quatro, como parte das mudanças no modelo operacional.




























