Mercado Livre derruba farmácias em R$ 1,6 bi com venda de medicamentos

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Mercado Livre medicamentos derruba farmácias em R$ 1,6 bi

As redes de farmácias listadas na B3 — RD Saúde (dona das marcas Raia e Drogasil), Pague Menos e Panvel — perderam, juntas, R$ 1,6 bilhão em valor de mercado entre o dia 23 de setembro, véspera do anúncio do Mercado Livre, e a última quinta-feira. O tombo reflete a reação dos investidores à entrada da gigante do comércio eletrônico no setor de medicamentos, movimento que acirrou a disputa com as drogarias tradicionais.

O anúncio, feito em 24 de setembro, desencadeou uma onda de incertezas regulatórias e pressionou as cotações das empresas do segmento. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) recorreu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) questionando a legalidade da operação.

Mercado Livre amplia venda de remédios

Desde que o Mercado Livre anunciou a expansão de suas vendas de medicamentos, a disputa com as drogarias tradicionais ganhou novos contornos. A plataforma passou a oferecer uma variedade de produtos farmacêuticos, o que gerou preocupação entre os concorrentes estabelecidos.

Segundo a Anvisa, a medida é necessária porque ainda não há previsão normativa que autorize a venda de medicamentos em marketplaces. A agência reguladora ainda não definiu os requisitos para esse tipo de comércio, o que coloca em xeque a legalidade da iniciativa do Mercado Livre.

A reação do mercado foi imediata, com forte desvalorização das ações das redes de farmácias. No entanto, ontem, os papéis recuperaram força: RD Saúde, Pague Menos e Panvel fecharam em alta de 4,11%, 6,63% e 3,23%, respectivamente.

Regulamentação ainda pendente na Anvisa

A venda de medicamentos por canais digitais foi autorizada por lei sancionada em março pelo presidente Lula. Originalmente, a legislação tratava da venda de medicamentos em supermercados, mas também permitiu que farmácias e drogarias contratem canais digitais e plataformas de comércio on-line para a logística e entrega ao consumidor.

Este ponto, porém, ainda depende de regulamentação pela Anvisa. O processo foi aberto, mas não há prazo para o fim das discussões. A ausência de regras claras gera insegurança jurídica para todos os envolvidos no setor.

O CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto, diz que o setor recebeu com espanto o anúncio, já que o tema ainda não foi regulamentado: “É preciso entender o que a legislação vai exigir, o que a agência vai considerar como logística e entrega, quais serão os requisitos e como deverão ser os contratos entre farmácias e plataformas.”

Mercado Livre defende sua atuação

Em nota, o Mercado Livre afirmou que ainda não foi notificado pela Anvisa, mas que entrará em contato com o órgão, “reafirmando a boa-fé e disposição para um diálogo permanente e construtivo”. A empresa busca demonstrar conformidade com as normas vigentes.

Segundo a companhia, as prescrições são enviadas para a validação de um farmacêutico do próprio Mercado Livre, que segue todos os procedimentos previstos antes de liberar o pedido para a logística. Esse processo, segundo a plataforma, garante a segurança e a legalidade das vendas.

O impasse regulatório deve continuar movimentando o setor nas próximas semanas, com possíveis impactos para o comércio farmacêutico em todo o país, incluindo o interior paulista.

Perguntas Frequentes

Quanto as redes de farmácias listadas na B3 perderam em valor de mercado após o anúncio do Mercado Livre?

As três redes listadas na B3 (RD Saúde, Pague Menos e Panvel) perderam juntas R$ 1,6 bilhão em valor de mercado entre 23 de setembro e a última quinta-feira.

Por que a Abrafarma recorreu à Anvisa após o anúncio do Mercado Livre sobre venda de medicamentos?

A Abrafarma recorreu à Anvisa porque ainda não há previsão normativa que autorize a venda de medicamentos em marketplaces, e a regulamentação da lei que permite a contratação de canais digitais ainda está em discussão.

Como o Mercado Livre respondeu à notificação da Anvisa sobre a venda de medicamentos?

O Mercado Livre afirmou que ainda não foi notificado pela Anvisa, mas que entrará em contato com o órgão, reafirmando a boa-fé e disposição para um diálogo permanente e construtivo.

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