O Que as Figurinhas da Copa nos Ensinam Sobre Conexão Humana

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Por Nei Ferracioli – 

No artigo da semana passada, escrevi sobre como o futebol é capaz de movimentar muito mais do que torcedores. Ele movimenta cidades, negócios, emoções e, sobretudo, o sentimento de pertencimento.

Curiosamente, essa mesma paixão se repete, em menor escala, nas figurinhas da Copa do Mundo. Confesso que sempre achei curioso como um simples pacote de figurinhas consegue despertar tanta empolgação. Em uma época em que quase tudo está ao alcance de um clique, ainda vemos crianças, jovens e adultos ansiosos para abrir envelopes e encontrar aquela figurinha que parece impossível de aparecer.

Mas basta observar um grupo reunido trocando repetidas para perceber que o álbum da Copa nunca foi apenas sobre futebol. Ele é, acima de tudo, sobre pessoas.

As figurinhas surgiram no final do século XIX, inicialmente como pequenos brindes colecionáveis. Com o passar das décadas, ganharam o mundo e se transformaram em uma verdadeira tradição ligada ao esporte. No Brasil, os álbuns da Copa se tornaram quase um ritual a cada Mundial, atravessando gerações e criando memórias afetivas.

Pais ajudam os filhos. Avós contam histórias de outras Copas. Amigos marcam encontros para trocar repetidas. Até desconhecidos iniciam conversas motivadas por um objetivo em comum: completar o álbum. Talvez seja por isso que ele continue encantando mesmo em tempos tão digitais.

Quem já participou de uma troca sabe que o verdadeiro valor não está apenas na figurinha que falta. Está na conversa que surge, na amizade que começa, na memória que se cria. E há um aspecto interessante que muitas vezes passa despercebido.

Quando a febre das figurinhas toma conta das cidades, as pessoas voltam a ocupar espaços. Bancas de jornal recebem visitantes, praças se transformam em pontos de encontro, cafeterias e centros comerciais ganham movimento. É um exemplo simples, mas bonito, de como uma paixão coletiva também ajuda a movimentar a vida urbana.

O que mais me chama a atenção, porém, é a lição de convivência que esse hábito carrega. Para completar um álbum, dificilmente alguém consegue fazer tudo sozinho. É preciso trocar, compartilhar, conversar. É preciso entender que aquilo que sobra para um pode ser exatamente o que falta para outro.

Em um mundo cada vez mais acelerado, essa talvez seja uma das mensagens mais bonitas que as figurinhas da Copa continuam nos ensinando. No fim das contas, elas não falam apenas de jogadores ou seleções. Falam de encontros, de memórias e de pertencimento.

E nos lembram que algumas das melhores experiências da vida ainda acontecem longe das telas, quando as pessoas se reúnem em torno de algo simples, mas capaz de criar conexões verdadeiras.Talvez seja por isso que, geração após geração, continuamos colecionando muito mais do que figurinhas.

Continuamos colecionando histórias.

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Nei Ferracioli é Diretor Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba-SP

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