Pecuária sofre mais com falta de mão de obra no campo

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Pecuária sofre mais com falta de mão de obra no campo

A falta de trabalhadores no campo atinge de forma mais severa a pecuária do que a agricultura, conforme avaliação do presidente do Sindicato Rural de Dom Pedrito, Rodrigo Zamberlan Cora. Em entrevista, o sindicalista destacou que o manejo diário com animais exige habilidades específicas que não são facilmente substituídas por máquinas ou tecnologias. A declaração foi dada em um contexto de crescente preocupação com a escassez de mão de obra no meio rural.

Pecuária exige conhecimento prático e reposição difícil

De acordo com Cora, as dificuldades de mão de obra no campo são mais críticas no ambiente da pecuária, no manejo cotidiano com os animais, do que na agricultura, o cultivo de lavouras. Ele observa que a geração anterior possuía um conhecimento muito grande, mas não há reposição na mesma qualidade. “Vemos o pessoal de uma geração anterior com uma qualidade, um conhecimento muito grande, e não estamos vendo uma reposição dessas pessoas, principalmente não na mesma qualidade”, afirmou.

Essa lacuna se torna um gargalo para a atividade pecuária, que depende de experiência prática.

Sucessão familiar é chave para formar trabalhadores

Para o sindicalista rural, a sucessão familiar é determinante na formação de trabalhadores para o manejo de animais. Ele explica que o aprendizado tradicional, passado de pai para filho, está se perdendo. Sem essa transmissão de conhecimento, a pecuária enfrenta um déficit de profissionais qualificados. A fonte não detalhou dados específicos sobre o número de propriedades afetadas, mas o problema é reconhecido como estrutural.

Tecnologia na agricultura facilita capacitação

Em contraste, a agricultura se beneficia de avanços tecnológicos que simplificam a formação de novos trabalhadores. Para Coradini, as máquinas que atendem à agricultura possuem muitas soluções em tecnologias, e assim se torna mais prático e fácil capacitar um jovem para usufruir tais recursos. Isso reduz a dependência de conhecimento empírico e acelera a entrada de mão de obra no setor agrícola. A pecuária, por outro lado, ainda requer um olhar atento e habilidades manuais que não são automatizáveis.

Condições de trabalho melhoraram, mas desafios persistem

Apesar das dificuldades, o sindicalista ressalta que as condições no meio rural evoluíram significativamente. “E as condições de trabalho dentro das propriedades mudaram muito. Hoje tem internet via satélite, energia elétrica em todas as propriedades”, disse. Além disso, as atividades no meio rural oferecem salários mais altos que os dos centros urbanos, segundo Cora. Mesmo assim, a atração de trabalhadores continua sendo um obstáculo, especialmente para a pecuária.

Infraestrutura precária agrava escassez de trabalhadores

Outro fator que complica a retenção de mão de obra é a infraestrutura local. Cora menciona a dimensão do município de Dom Pedrito: são 2.500 quilômetros de estradas interioranas, que exigem manutenção. “Como é que vamos conservar isso aí com os parcos recursos da prefeitura? Impossível”, questionou. Estradas em más condições dificultam o deslocamento de trabalhadores e o escoamento da produção, impactando diretamente a viabilidade das propriedades pecuárias.

Programas sociais são apontados como causa da informalidade

O sindicalista ainda atribui uma parcela da escassez de trabalhadores, e não apenas no campo, aos programas sociais do governo federal, que não estimulam os trabalhadores a buscar a formalização. “O país inteiro está sofrendo com um problema de mão de obra. E isso, em grande parte, a gente atribui a esse excesso de programas sociais, que está estimulando as pessoas a viver na informalidade”, avalia. Essa visão reflete uma preocupação comum entre produtores rurais, embora não haja consenso sobre o impacto real desses programas.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a situação da pecuária em Dom Pedrito serve de alerta. A falta de mão de obra qualificada pode elevar custos de produção e reduzir a oferta de produtos de origem animal, afetando toda a cadeia. A fonte não detalhou medidas concretas para mitigar o problema, mas o debate sobre sucessão familiar e políticas de atração de trabalhadores deve se intensificar.

Perguntas Frequentes

Por que a pecuária é mais impactada pela falta de mão de obra do que a agricultura?

A pecuária exige manejo cotidiano com os animais, enquanto a agricultura conta com máquinas com muitas soluções tecnológicas, tornando mais fácil capacitar jovens para operá-las.

Qual o papel da sucessão familiar na formação de trabalhadores para a pecuária?

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Dom Pedrito, Rodrigo Zamberlan Cora, a sucessão familiar é determinante na formação de trabalhadores para o manejo de animais, mas não há reposição na mesma qualidade da geração anterior.

Quais fatores contribuem para a escassez de mão de obra no campo, segundo o sindicalista?

O sindicalista atribui parte da escassez aos programas sociais do governo federal, que estimulariam a informalidade, e menciona que as atividades rurais oferecem salários mais altos e melhores condições, como internet via satélite e energia elétrica.

Fonte

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