Small caps brasileiras JPMorgan: destaques globais

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Small caps brasileiras JPMorgan: destaques globais

O JPMorgan divulgou recentemente uma lista global de small e mid caps que se destacam por oferecer dividend yield superior ao rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos. Entre os nomes selecionados, aparecem empresas brasileiras como Vulcabras, Direcional, Cury e Plano&Plano, conforme relatório assinado pelos estrategistas do banco.

O levantamento considera um critério específico: ações cujo dividend yield supera o yield do título de 30 anos dos Estados Unidos. Atualmente, esse patamar está em torno de 4,8%, e as companhias listadas apresentam rendimentos acima desse nível, algumas com folga significativa.

Contexto macroeconômico distinto dos anos 1990

“Estes não são os anos 1990”, alertam os estrategistas. “Na década de 1990, o dólar estava se valorizando, o crescimento do PIB real era mais forte e o yield (rendimento) do título de 30 anos estava caindo. Hoje, o cenário é exatamente o oposto.”

A explicação, segundo os analistas, está no que chamam de “evento de 3 sigmas”: pela primeira vez na história, cerca de 60% do PIB mundial está nas mãos de governos com relação Dívida/PIB superior a 100% e com déficits fiscais elevados.

“O driver do yield do título de 30 anos que está a 3 sigmas de sua norma é a saúde financeira do governo americano”, escrevem Lecubarri e sua equipe, destacando que a dívida pública dos EUA como proporção do PIB está em 126% e deve subir para 127% em 2026.

Esse cenário pressiona os rendimentos dos títulos longos e, consequentemente, eleva a régua para que ações de small e mid caps sejam consideradas atrativas em termos de dividendos.

Critérios e seleção das ações brasileiras

Das 164 ações globais que atendem a esses critérios, várias são brasileiras, e algumas se destacam pelos yields excepcionalmente altos, que seguem abaixo:

No setor de transportes, a JSL (JSLG3) — coberta com recomendação Overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) — oferece um dividend yield de 29,6% e um excesso de 23,0%.

Já as incorporadoras Direcional Engenharia (DIRR3), Cury Construtora (CURY3) e Plano & Plano (PLPL3) também figuram na lista, beneficiadas pelo ciclo de aquecimento do setor imobiliário brasileiro e por valuations atrativos.

Além dessas, a Vulcabras e outras companhias brasileiras aparecem entre os destaques, embora o relatório não detalhe todos os nomes e métricas individuais.

Excesso de yield e reavaliação limitada

O JPMorgan argumenta que a queda na proporção de ações com dividend yield superior ao dos títulos de 30 anos tem historicamente coincidido com uma desaceleração nos retornos futuros das small e mid caps em um horizonte de 12 meses.

“O melhor indicador de se os investidores podem esperar algum upside de reavaliação é o ‘excesso de yield’”, afirmam os estrategistas. “E essa métrica hoje sugere que não há espaço para reavaliação na maior parte do mercado de small e mid caps do mundo.”

Ou seja, mesmo com yields elevados, o potencial de valorização das ações pode ser limitado, pois o custo de oportunidade dos títulos públicos está mais alto.

Novas adições ao portfólio global

O banco também adicionou dois novos nomes ao seu portfólio modelo global de small e mid caps neste mês:

DaShenLin Pharmaceutical Group (603233 CH) — ação chinesa do setor farmacêutico, com capitalização de US$ 3,0 bilhões, classificada como overweight. A empresa foi destacada justamente por seu alto excesso de yield e crescimento acelerado de lucros.

Befesa (BFSA GY) — empresa europeia de reciclagem de resíduos perigosos, com valor de mercado de € 1,4 bilhão, também classificada como overweight.

Essas inclusões reforçam a estratégia do JPMorgan de buscar companhias com yields elevados e fundamentos sólidos, mesmo em um ambiente de juros altos.

Porto Seguro no portfólio de mercados emergentes

No portfólio para mercados emergentes (RoW), a Porto Seguro (PSSA3) — seguradora brasileira com recomendação overweight do analista Antonio Grespan — já figurava entre as posições, com um retorno total acumulado de 10,2% desde sua inclusão em janeiro de 2025.

A presença da companhia indica que o banco mantém convicção em nomes brasileiros selecionados, mesmo diante das incertezas macroeconômicas globais.

Para investidores e empresários da região noroeste paulista, o relatório serve como termômetro do apetite estrangeiro por ativos brasileiros e pode influenciar decisões de alocação em small caps locais.

Perguntas Frequentes

Quais ações brasileiras de small e mid caps estão na lista de destaques globais do JPMorgan?

Vulcabras, Direcional Engenharia (DIRR3), Cury Construtora (CURY3), Plano & Plano (PLPL3), JSL (JSLG3) e Porto Seguro (PSSA3) estão entre as ações brasileiras citadas.

Qual é o dividend yield da JSL (JSLG3) segundo o JPMorgan?

A JSL oferece um dividend yield de 29,6% e um excesso de 23,0%, conforme o relatório do JPMorgan.

Por que o JPMorgan alerta que ‘estes não são os anos 1990’ em relação às small e mid caps?

Os estrategistas explicam que, na década de 1990, o dólar se valorizava, o crescimento do PIB real era mais forte e o yield do título de 30 anos caía; hoje o cenário é exatamente o oposto.

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