Stellantis escala 6×1: impactos e planos no Brasil

Crédito: NeoFeed
A menos de três semanas do segundo turno da eleição presidencial, a Stellantis já faz as contas do que pode mudar para a indústria automobilística a partir de 2027. Na lista estão temas que vão do eventual fim da escala 6×1 à política industrial para competir com as montadoras chinesas. A empresa cobra regras claras para definir seus investimentos no Brasil e na região.
“Sobre o ponto de vista de custos, tem um impacto importante dentro da indústria”, afirmou Antonio Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, durante almoço com jornalistas na terça-feira, 6 de outubro, em São Paulo. Ele se referia ao possível fim da jornada de trabalho em escala 6×1, que pode elevar os custos de produção.
Stellantis calcula impactos do fim da escala 6×1
Zola defende mudanças que incentivem a produção local, alertando que, sem isso, a Stellantis pode ser forçada a reduzir sua força de trabalho na região. A empresa também considera expandir parcerias com montadoras chinesas para aumentar sua competitividade. “O nosso trabalho é identificar quais são esses riscos e quais são os movimentos que a gente tem que fazer caso isso se confirme. Esse plano é um plano que a gente já tem”, complementa.
A importância desse custo nas decisões industriais da Stellantis aparece na Argentina, onde a companhia mantém duas fábricas. A conta ficou ainda mais difícil com a abertura do mercado argentino e o aumento da concorrência de veículos importados do Brasil e da China. A fonte não detalhou os valores exatos do impacto, mas indicou que a situação exige ajustes.
Argentina em discussão e dependência do Brasil
A participação da Peugeot no país, segundo Zola, caiu de cerca de 9% no ano passado para aproximadamente 5% neste ano, reduzindo a demanda pela produção da fábrica de El Palomar. A situação levou a Stellantis a fazer ajustes na planta e a colocar a estrutura industrial no país em discussão. A definição sobre o fechamento das unidades, porém, não depende apenas da Argentina.
Como o Brasil responde por cerca de 65% do mercado sul-americano, o que acontecer por aqui será determinante para as decisões industriais do grupo em toda a região. “Enquanto a gente não conseguir ter um nível de previsibilidade adequado daquilo que vai acontecer no mercado brasileiro, é difícil tomar uma decisão industrial hoje na América do Sul com segurança”, afirmou Zola.
Regras do próximo governo e regime CKD/SKD
No Brasil, onde foram mais de 372 mil carros emplacados, o grupo tenta entender, para além da questão trabalhista, quais regras o próximo governo, seja o quarto mandato do presidente Lula (PT) ou o novo governo de Flávio Bolsonaro (PL), pretende estabelecer para a produção de veículos no País. Um dos pontos centrais é o regime de CKD e SKD, no qual carros são produzidos no exterior e chegam desmontados ou parcialmente desmontados para serem finalizados no Brasil.
Para o comércio e a indústria do noroeste paulista, as decisões da Stellantis podem afetar a cadeia de fornecedores e o emprego formal na região. A fonte não detalhou prazos ou medidas específicas, mas o cenário exige atenção de empresários locais.
Perguntas Frequentes
Qual o impacto do fim da escala 6×1 nos custos da Stellantis no Brasil?
A Stellantis afirma que o fim da escala 6×1 tem um impacto importante nos custos dentro da indústria, e a empresa já calcula esses efeitos para definir seus planos.
Por que a Stellantis considera reduzir a produção na Argentina?
A abertura do mercado argentino e o aumento da concorrência de veículos importados do Brasil e da China reduziram a participação da Peugeot de 9% para 5%, levando a ajustes na fábrica de El Palomar e discussão sobre a estrutura industrial no país.
Como as regras do próximo governo brasileiro podem afetar os investimentos da Stellantis?
A Stellantis busca previsibilidade sobre regras como o regime de CKD/SKD e políticas industriais para decidir investimentos; sem isso, pode ser forçada a reduzir a força de trabalho na América do Sul.




























