Tarifaço dos EUA: efeitos no bolso do consumidor brasileiro

Crédito: G1
Exportações brasileiras sentem o peso das tarifas
As medidas comerciais anunciadas pelo governo Trump em julho estabeleceram sobretaxas de 12,5% a 25% para diferentes grupos de produtos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as duas medidas alcançam, juntas, 23,1% das exportações brasileiras para os EUA. Desse total, 16,5% estão sujeitos à sobretaxa acumulada de 37,5%. O impacto, porém, varia bastante de acordo com o setor. Essa variação setorial é crucial para entender como o tarifaço pode afetar diferentes cadeias produtivas.
Setor calçadista registra quedas expressivas
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 62,45 milhões de pares de calçados, que renderam US$ 541,45 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 7,5% no volume e de 16,8% na receita. Os EUA concentram parte importante dessa deterioração. Nos oito primeiros meses do ano, o Brasil exportou 7,38 milhões de pares para o mercado americano, por US$ 120,5 milhões.
O volume caiu 4,1% e a receita recuou 22,8% ante o mesmo período de 2025. Esses números refletem o impacto direto das tarifas sobre a competitividade do produto brasileiro.
Preço médio despenca no mercado americano
A queda da receita foi maior que a do volume. Em agosto, o preço médio do calçado exportado aos EUA caiu 35,4%, para US$ 17,20, segundo a Abicalçados. Essa redução no preço médio indica que os exportadores estão absorvendo parte do custo tarifário para manter participação de mercado. Apenas em agosto, foram embarcados 7,13 milhões de pares, por US$ 70,8 milhões, quedas de 6,6% e 8,1%, respectivamente. Segundo a Abicalçados, são os piores resultados para o período desde 2020, ano fortemente afetado pela pandemia.
A pressão sobre as margens pode levar a ajustes na produção e no emprego no setor.
Inflação americana pode respingar no Brasil
Até fevereiro de 2026, as tarifas acrescentaram 2,9 pontos percentuais à inflação dos produtos comprados pelos americanos, segundo estudo do Federal Reserve de Nova York divulgado nesta semana. O levantamento também estimou que a tarifa global de 10% sobre todos os produtos importados, anunciada em fevereiro deste ano, elevaria os preços ao consumidor em 2,6% em um período de um ano. Esse aumento inflacionário nos EUA pode reduzir o poder de compra do consumidor americano, afetando a demanda por importações, inclusive brasileiras.
Para empresários da região noroeste paulista, a desaceleração do mercado americano pode significar menos pedidos e necessidade de diversificação de mercados.
Efeitos para o comércio local e PMEs
Embora o tarifaço seja uma medida externa, seus efeitos podem ser sentidos no interior de São Paulo. Empresas exportadoras de calçados e outros produtos podem enfrentar queda de receita, o que impacta o emprego e a renda local. Além disso, a inflação americana pode influenciar os preços de insumos importados e a taxa de câmbio, afetando os custos de produção. Para o comércio varejista, a redução da atividade econômica pode diminuir o consumo das famílias. A fonte não detalhou medidas de mitigação por parte do governo brasileiro.
Diante desse cenário, associações comerciais e entidades como ACSP, CDL e Sebrae recomendam cautela e planejamento estratégico.
Perguntas Frequentes
Qual foi o impacto do tarifaço dos EUA nas exportações brasileiras de calçados em 2026?
Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações brasileiras de calçados para os EUA caíram 4,1% em volume e 22,8% em receita em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 7,38 milhões de pares e US$ 120,5 milhões.
Quanto as tarifas dos EUA aumentaram a inflação dos produtos importados pelos americanos?
Até fevereiro de 2026, as tarifas acrescentaram 2,9 pontos percentuais à inflação dos produtos comprados pelos americanos, segundo estudo do Federal Reserve de Nova York.
Qual a porcentagem das exportações brasileiras para os EUA afetada pelas sobretaxas de Trump?
As medidas comerciais anunciadas pelo governo Trump em julho alcançam 23,1% das exportações brasileiras para os EUA, sendo que 16,5% estão sujeitos à sobretaxa acumulada de 37,5%.



























