Cibersegurança no comércio local: protegendo o que construímos todos os dias

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Por Nei Ferracioli 

Muitas vezes, quando ouvimos falar em crimes virtuais, vazamento de dados ou ataques de hackers, imaginamos cenas de filmes ou grandes empresas de capitais distantes. No dia a dia do nosso comércio em Araçatuba e região, onde o contato com o cliente ainda tem o calor do aperto de mão e a confiança de anos de convivência, é natural termos a sensação de que esses perigos passam longe das nossas portas. No entanto, a realidade do mercado mudou rápido, e precisamos olhar com muita atenção para o que acontece nas telas dos nossos computadores e celulares.

Hoje, praticamente todos os nossos negócios funcionam conectados à internet. Nós recebemos pagamentos instantâneos por Pix, negociamos encomendas pelo WhatsApp, divulgamos novidades pelo Instagram e emitimos notas fiscais em sistemas digitais. Essa facilidade transformou a nossa rotina para melhor, mas também abriu brechas para golpistas que miram justamente as pequenas e médias empresas, sabendo que nossa atenção está voltada para atender bem e bater as metas do mês.

Entre as armadilhas mais comuns que vemos acontecer, estão os golpes contra os nossos canais diretos de atendimento. Quando alguém consegue clonar ou invadir o WhatsApp de uma loja ou a conta das redes sociais, o estrago vai muito além do dinheiro: os criminosos usam o nosso bom nome e a credibilidade construída com suor para aplicar falsas promoções em nossos clientes e vizinhos. Para evitar essa dor de cabeça, nós precisamos adotar o hábito de ativar a confirmação em duas etapas em todos os aplicativos da empresa. É uma trava simples, gratuita e que impede a maioria das invasões com apenas um código extra de segurança.

Outra situação que exige calma no balcão envolve as transações financeiras na correria do atendimento. Comprovantes de Pix enviados pelo celular do cliente podem ser facilmente manipulados ou simplesmente agendados para uma data futura e cancelados logo em seguida. Por isso, a regra de ouro que devemos praticar com toda a nossa equipe é muito clara: a mercadoria só deve ser liberada quando confirmamos a entrada real do saldo no aplicativo do nosso próprio banco, nunca apenas olhando para o comprovante exibido pelo comprador.

Além disso, a porta de entrada para a maioria dos problemas virtuais costuma ser a nossa pressa. Quase todos os dias chegam e-mails ou mensagens alarmantes dizendo que uma conta será bloqueada, que há um protesto urgente de cartório ou que precisamos atualizar dados bancários de imediato. Quando estamos na correria, a tendência é clicar sem pensar. 

Precisamos cultivar no nosso ambiente de trabalho a cultura da calma e da desconfiança saudável: links suspeitos e arquivos desconhecidos nunca devem ser abertos antes de confirmarmos a origem da mensagem por outro canal.

Final de ano está chegando e os perigos aumentam junto com as vendas. Cuidar da segurança digital não é um gasto a mais nem exige que sejamos especialistas em informática; trata-se de zelar pela nossa reputação, pelo nosso patrimônio e pela confiança que os consumidores depositam em nós. 

A Associação Comercial está sempre atenta e acompanhando de perto esse assunto, trazendo orientação e apoio constantes para que os nossos empresários estejam sempre prevenidos e informados diante das novas tecnologias. Afinal, ao blindarmos os nossos canais digitais, garantimos que o comércio local continue forte, seguro e pronto para prosperar.

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Nei Ferracioli é Diretor Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba-SP

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