Luciano Hang: Havan cresce apesar do Estado

Crédito: Gazeta do Povo
Quatro décadas de expansão acelerada
Em 2026, a Havan celebra quatro décadas de atuação no varejo brasileiro com números que impressionam: quase 200 lojas, 22 mil colaboradores e projeção de faturamento de R$ 22 bilhões. Fundada por Luciano Hang em uma sala de 45 metros quadrados em Brusque (SC), a rede se consolidou como uma das maiores do país, mesmo enfrentando barreiras impostas pelo poder público em algumas praças.
A trajetória da companhia é marcada por um crescimento acelerado, especialmente nos últimos anos. Em 2026, a empresa prevê a inauguração de 15 novas lojas e um investimento de R$ 1,2 bilhão em expansão. Um relatório do Banco Safra destaca que a Havan mantém margens acima da média do setor, desempenho creditado pelos analistas ao mix de produtos e ao modelo de megaloja adotado pela rede. Esse formato, que reúne grande variedade de itens em espaços amplos, tem se mostrado eficiente para atrair consumidores de diferentes perfis.
Ausência na capital paulista: burocracia como obstáculo
A capital paulista, maior mercado consumidor do Brasil, segue sem nenhuma unidade da marca, situação que o empresário atribui à burocracia municipal. Enquanto isso, a ausência de lojas na cidade de São Paulo contrasta com a presença em outras regiões do estado. São 36 unidades paulistas, todas fora da capital, empatando com o Paraná em número de lojas.
A explicação, segundo Hang, está na burocracia municipal, que dificultaria a obtenção de licenças e alvarás para operar na metrópole. A fonte não detalhou quais seriam os entraves específicos, mas o fato é que a rede segue sem presença física na maior cidade do país.
Impacto no comércio local e adaptação à reforma tributária
Para os empresários do interior paulista, como os de Araçatuba e região noroeste, a expansão da Havan pode representar tanto concorrência quanto oportunidades. A instalação de megalojas em cidades médias tende a movimentar a economia local, gerando empregos diretos e indiretos, além de atrair consumidores de municípios vizinhos. Por outro lado, o comércio local precisa se adaptar à concorrência de uma rede com grande poder de compra e logística eficiente.
A reforma tributária, que entrou em fase adaptativa em 3 de agosto de 2026, também impacta o setor varejista. Nessa etapa, as notas fiscais eletrônicas do regime regular passaram a informar campos com alíquotas-teste de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Para as empresas, isso exige adequação de sistemas e processos, independentemente do porte. A Havan, como grande contribuinte, deve estar entre as primeiras a se adaptar, mas as pequenas e médias empresas precisam de atenção redobrada para cumprir as novas exigências.
Estratégia de expansão regional e sucessão familiar
No aspecto regional, a Havan define como zonas prioritárias o Norte e o Nordeste, regiões historicamente sub-representadas no mapa da rede. A companhia insiste em não abrir lojas fora do Brasil, apesar de propostas para levar o modelo ao exterior. Essa estratégia de foco no mercado interno pode ser vista como uma aposta no potencial de consumo das regiões menos atendidas pelo varejo de grande porte, o que pode gerar impacto positivo na geração de empregos formais e no desenvolvimento local.
A sucessão da empresa – familiar, de capital fechado, com dois dos três filhos já na operação – é um dos temas que o fundador menos discute publicamente. Aos 63 anos, Luciano Hang segue viajando pelas praças que ainda faltam para “zerar o mapa”. A continuidade do negócio, portanto, parece estar sendo conduzida de forma gradual, com a nova geração já inserida na gestão, mas sem alarde.
Legado e lições para o empresariado
Enquanto isso, na sala de 45 metros quadrados da avenida Primeiro de Maio, em Brusque, funciona uma nova loja Havan. O espaço que deu origem à empresa hoje abriga uma unidade moderna, simbolizando a evolução da marca. Para os comerciantes do noroeste paulista, a história da Havan serve de exemplo de como a persistência e a adaptação às condições do mercado podem levar a um crescimento expressivo, mesmo diante de obstáculos burocráticos e concorrência acirrada.
Em 2026, se fosse possível somar o tempo de casa de 300 colaboradores da Havan que completam entre 10 e 40 anos de empresa, o resultado seria 3.890 anos de trabalho acumulado. Esse dado reflete a capacidade da rede de reter talentos e construir uma cultura organizacional sólida, fator relevante para a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Para o comércio local, investir em capital humano pode ser um diferencial competitivo importante.
Diante desse cenário, a expansão da Havan e sua resistência a barreiras estatais oferecem lições para o empresariado brasileiro. A capacidade de se adaptar a mudanças tributárias, a aposta em regiões com potencial de crescimento e a manutenção de margens saudáveis são elementos que podem inspirar estratégias de negócios em diferentes escalas. A rede segue como um case de sucesso no varejo nacional, mesmo sem presença na capital paulista.
Perguntas Frequentes
Quantas lojas a Havan tem atualmente e qual a projeção de faturamento para 2026?
A Havan completou 40 anos em junho de 2026 com quase 200 unidades e projeção de faturamento de R$ 22 bilhões.
Por que não há nenhuma loja Havan na cidade de São Paulo?
Luciano Hang atribui a ausência de lojas na capital paulista à burocracia municipal, apesar de haver 36 unidades no estado de São Paulo, todas fora da capital.
Qual é o plano de expansão da Havan para 2026 e quais regiões são prioritárias?
A Havan planeja abrir 15 novas unidades em 2026, com investimento de R$ 1,2 bilhão, priorizando as regiões Nordeste e Norte, historicamente sub-representadas.




























