Balanços de bens de capital 3T26: o que esperar

0
11
Balanços de bens de capital 3T26: o que esperar

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 ganha um capítulo importante para o setor de bens de capital a partir desta quarta-feira, 21 de outubro. A WEG, uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do país, abre a divulgação de resultados do segmento, renovando o interesse dos investidores sobre o desempenho das companhias em um cenário econômico ainda desafiador. As projeções de instituições financeiras como XP Investimentos e Bradesco BBI indicam que a recuperação será desigual entre as empresas, com destaques positivos e negativos.

Segundo a XP Investimentos, os resultados devem reforçar que o ambiente operacional no Brasil continua desafiador para o setor de bens de capital, com uma recuperação desigual entre as empresas. Já o Bradesco BBI vê pouco espaço para surpresas positivas no terceiro trimestre. Embora algumas empresas devam retomar o crescimento após um segundo trimestre fraco, isso se deve em parte a bases de comparação mais fáceis e já está refletido no consenso do mercado.

Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, acompanhar esses balanços é essencial, pois o desempenho das grandes indústrias de bens de capital influencia a demanda por insumos, serviços e empregos na região. A retomada ou desaceleração dessas companhias pode impactar fornecedores locais, transportadoras e prestadores de serviços, afetando diretamente a economia de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis.

WEG inicia divulgação com projeções do BBI

A WEG dará início à temporada de resultados do setor de bens de capital nesta quarta-feira (21). O Bradesco BBI projeta um crescimento de receita de 4% em relação ao ano anterior, com o crescimento em moeda constante acelerando para 8%. A melhora deve refletir a maior competitividade no segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GT&D) no Brasil e um menor impacto negativo do câmbio.

O BBI também estima um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de R$ 2,32 bilhões e um lucro líquido de R$ 1,65 bilhão para a WEG no trimestre. Esses números, se confirmados, indicariam uma performance sólida, ainda que moderada, em um contexto de demanda interna fraca e incertezas globais.

Para o interior paulista, a WEG é uma referência em equipamentos elétricos industriais, e seu desempenho pode sinalizar o ritmo de investimentos em automação e eficiência energética por parte das empresas locais. Uma eventual aceleração nas vendas da companhia poderia estimular projetos de modernização em indústrias e no agronegócio da região.

Embraer segue como destaque positivo

A expectativa para Embraer é positiva, sustentada pelas entregas divulgadas anteriormente, permanecendo no caminho para entregar seu guidance (limite superior para receita/rentabilidade). O Santander aponta os números da Embraer como sendo um dos seus destaques. Os números da Embraer de entregas do 3T26 foram moderadamente positivos, na projeção dos estrategistas, apesar de as entregas nos segmentos de Aviação Comercial e Executiva terem ficado abaixo das estimativas do banco.

Embora a Embraer não tenha operação direta no noroeste paulista, sua cadeia de fornecedores inclui empresas de usinagem, componentes e serviços especializados que podem estar presentes na região. O bom desempenho da fabricante de aeronaves tende a gerar pedidos para pequenas e médias indústrias metalúrgicas, beneficiando o emprego e a renda local.

Marcopolo: destaque negativo no setor

A XP vê a Marcopolo como o destaque negativo no segmento de autopeças, impactada por menores volumes domésticos e as pressões de custos mais do que compensem um mix de produtos mais favorável, com a margem EBITDA permanecendo abaixo dos níveis reportados durante a maior parte de 2024-25. O EBITDA, incluindo o resultado de equivalência patrimonial, deve somar R$ 330 milhões, queda de 33% em um ano. O lucro líquido é estimado em R$ 204 milhões, recuo de 37%.

A queda projetada para a Marcopolo acende um alerta para o setor de transporte e para os fabricantes de carrocerias de ônibus, que dependem de encomendas de frotas públicas e privadas. No noroeste paulista, empresas de transporte rodoviário e urbano podem adiar renovações de frota diante de um cenário de custos elevados e demanda menor, afetando também as concessionárias e oficinas locais.

Randoncorp e Fras-le: desempenho misto

A Randoncorp, excluindo a Fras-le, deve acelerar o crescimento da receita para 5% na comparação anual, segundo estimativas do BBI. O desempenho, porém, deve ser parcialmente compensado pela queda de 2% na receita da Fras-le, que havia registrado crescimento de 2% no trimestre anterior.

Esse movimento misto reflete a heterogeneidade do setor de autopeças e implementos rodoviários. Para o agronegócio e o transporte de cargas do interior paulista, a Randoncorp é uma fornecedora relevante de semirreboques e componentes. A aceleração da receita pode indicar uma retomada gradual dos investimentos em frota, enquanto a queda da Fras-le sugere cautela no segmento de materiais de fricção.

Em resumo, os balanços do 3T26 devem confirmar um cenário de recuperação lenta e desigual para o setor de bens de capital. Enquanto WEG e Embraer mostram resiliência, Marcopolo enfrenta desafios mais agudos. Para os negócios do noroeste paulista, o monitoramento desses resultados é fundamental para antecipar tendências de demanda e ajustar estratégias.

Perguntas Frequentes

Quando a WEG divulga seus resultados do 3T26?

A WEG dará início à temporada de resultados do setor de bens de capital nesta quarta-feira (21).

Quais são as projeções do Bradesco BBI para o EBITDA e lucro líquido da WEG no 3T26?

O BBI projeta um EBITDA de R$ 2,32 bilhões e um lucro líquido de R$ 1,65 bilhão para a WEG no 3T26.

Qual é a expectativa da XP para o EBITDA da Marcopolo no 3T26?

A XP estima que o EBITDA da Marcopolo, incluindo equivalência patrimonial, deve somar R$ 330 milhões, uma queda de 33% em relação ao ano anterior.

Fonte

Leave a reply