
Por Nei Ferracioli –
Quem caminha pelas ruas de Araçatuba ou conversa com os empresários nos mais diversos setores — do pequeno lojista do comércio tradicional ao diretor de uma grande indústria sucroalcooleira, de metalmecânica ou de serviços — costuma ouvir uma queixa recorrente. De um lado, sobram vagas abertas que demoram meses para serem preenchidas por falta de candidatos com preparo específico. Do outro, temos jovens recém-formados entregando dezenas de currículos e sentindo na pele a frustração de não encontrar espaço no mercado de trabalho. Essa contradição não é exclusividade nossa, mas em nossa cidade ela se manifesta de forma especialmente evidente.
Araçatuba é, por vocação e história, um dos maiores polos educacionais do interior paulista. Todos os anos, nossas faculdades, universidades e centros técnicos recebem estudantes de dezenas de municípios vizinhos e colocam no mercado centenas de novos profissionais. Essa é uma conquista que orgulha nossa comunidade e que nos coloca em posição privilegiada.
Contudo, precisamos ter a coragem de encarar uma realidade incômoda: há uma distância considerável entre o conteúdo ensinado nas salas de aula e as exigências práticas das nossas empresas.
Quando essa conexão falha, o custo é alto para todos. A empresa perde competitividade, atrasa investimentos e muitas vezes deixa de inovar porque não encontra técnicos especializados em manutenção industrial, analistas de dados, especialistas em logística, gestores de vendas capacitados ou profissionais habilitados para lidar com automação e novas tecnologias. O jovem, por sua vez, vê-se obrigado a aceitar funções muito abaixo de sua qualificação teórica ou, pior ainda, toma a decisão de deixar nossa cidade rumo aos grandes centros urbanos.
A cada talento que faz as malas e vai embora por falta de perspectiva, a nossa economia perde fôlego e o futuro da nossa região fica comprometido.
O futuro do trabalho exige uma integração cada vez mais dinâmica entre o meio académico e o setor produtivo. Mais do que reconhecer os esforços que as instituições de ensino já realizam para alinhar as suas matrizes curriculares às exigências do mercado, o momento pede a ampliação dessas parcerias e a aceleração dessa troca. Em sintonia, o setor empresarial deve consolidar o seu papel de coautor da educação, participando ativamente no desenvolvimento prático dos profissionais do amanhã.
Quando um estudante tem contato com a rotina de trabalho desde o início de sua formação, ele não apenas desenvolve as habilidades técnicas necessárias, mas também aprende a postura profissional, a capacidade de trabalhar em equipe e a resolver imprevistos, que são qualidades indispensáveis em qualquer negócio.
A Associação Comercial e Industrial tem um papel central de articulação nessa jornada e vem trabalhando nisso com muita dedicação. Nosso compromisso é ser a ponte contínua entre a inteligência acadêmica e a força de quem produz, investe e emprega.
Se queremos que Araçatuba continue crescendo de maneira sustentável, atraindo investimentos e modernizando suas cadeias produtivas, nosso maior patrimônio precisa ser a capacitação da nossa gente. E reter os nossos jovens talentos não é apenas uma questão econômica, mas um compromisso com o futuro das famílias da nossa terra.
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Nei Ferracioli é Diretor Executivo da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba-SP



























