Fim da recuperação judicial da Americanas após 4 anos

Crédito: InfoMoney
A Americanas (AMER3) encerrou oficialmente sua recuperação judicial, encerrando um dos capítulos mais turbulentos do varejo brasileiro. O processo, que se arrastou por quase quatro anos, teve início com a revelação de inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões e culminou em um amplo acordo com credores. A trajetória da companhia, da descoberta da fraude ao desfecho judicial, evidencia os impactos de uma crise de governança sem precedentes no setor.
O estopim: inconsistências de R$ 20 bilhões
Em janeiro de 2023, a Americanas comunicou ao mercado a existência de inconsistências contábeis em lançamentos de verba de propaganda cooperada. Naquele primeiro comunicado, a própria empresa dizia ainda não conseguir determinar todos os impactos das inconsistências e afirmava acreditar que o efeito sobre o caixa seria imaterial. A dimensão real do problema só começaria a aparecer nos dias seguintes.
No primeiro pregão depois da revelação, o choque chegou ao mercado. AMER3 perdeu quase 80% de seu valor em Bolsa, enquanto bancos e casas de análise suspenderam recomendações diante da falta de visibilidade sobre as contas da companhia. A crise também rapidamente atingiu o crédito. No dia seguinte, a Fitch cortou o rating da Americanas de BB para CC, citando a perspectiva de forte aumento da alavancagem caso os R$ 20 bilhões fossem incorporados às obrigações financeiras.
Pedido de recuperação judicial
Oito dias depois do primeiro anúncio, a Americanas pediu recuperação judicial. A empresa informou ter cerca de R$ 43 bilhões em dívidas com mais de 16 mil credores. A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro aceitou o pedido ainda naquele dia. Pelo tamanho do passivo apresentado, o processo entrou naquele momento entre as maiores recuperações judiciais já registradas no Brasil. A companhia alegava perda acelerada da capacidade operacional após rebaixamentos de crédito e bloqueios de recursos mantidos em bancos.
Fraude confirmada pela diretoria anterior
Cinco meses depois, o caso mudou de patamar. A Americanas informou que um relatório preliminar preparado por assessores indicava que suas demonstrações financeiras vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior. Entre os mecanismos identificados estavam contratos fictícios de verba de propaganda cooperada (VPC), lançados para reduzir artificialmente custos. Somente esses lançamentos alcançavam, em números preliminares e não auditados, R$ 21,7 bilhões em setembro de 2022.
Contas revisadas e acordo com credores
Após quatro adiamentos, a companhia finalmente publicou as demonstrações financeiras de 2021 e 2022 já incorporando os ajustes decorrentes da fraude. Os números mostraram o tamanho da distorção existente nas contas anteriores. Poucos dias depois da apresentação das contas revisadas, a Americanas anunciou um acordo com seus principais credores financeiros para apoiar o plano de recuperação judicial.
O entendimento previa uma capitalização de R$ 24 bilhões. Metade viria de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, acionistas de referência da companhia, e os outros R$ 12 bilhões seriam provenientes da conversão de dívidas dos credores em capital.
Aprovação do plano e encerramento
Depois de quase um ano de negociações, a assembleia geral de credores aprovou o plano de recuperação judicial da Americanas. A proposta recebeu apoio de 91,14% dos votantes. Com a aprovação, a companhia conseguiu reestruturar seu passivo e dar andamento ao processo que agora se encerra. O desfecho marca o fim de um período de incertezas para fornecedores, funcionários e o mercado em geral.
Perguntas Frequentes
Qual foi o tamanho do rombo contábil da Americanas?
O rombo contábil foi de R$ 20 bilhões, conforme anunciado pela empresa, e posteriormente identificou-se que lançamentos fictícios de verba de propaganda cooperada (VPC) alcançavam R$ 21,7 bilhões em setembro de 2022.
Quanto tempo durou a recuperação judicial da Americanas?
A recuperação judicial durou quase 4 anos, desde o pedido feito oito dias após o primeiro anúncio das inconsistências até a saída do processo.
Quais foram os termos do acordo com os credores no plano de recuperação judicial da Americanas?
O acordo previa uma capitalização de R$ 24 bilhões, sendo R$ 12 bilhões dos acionistas de referência (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira) e R$ 12 bilhões da conversão de dívidas dos credores em capital.




























