Caso Dark Horse juros: impacto no mercado e dívida pública

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Juros disparam com revelação de mensagens

Os juros pagos pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit do governo federal e a rolagem da dívida pública subiram rapidamente após a revelação das mensagens entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O movimento ocorreu em meio a incertezas sobre a continuidade da política fiscal e o impacto nas contas públicas. Segundo analistas, a percepção de risco aumentou, elevando as taxas exigidas pelos investidores.

Naquele dia, os juros dos mesmos papéis do Tesouro com vencimento em 2032 caíram a 7,43% ao ano + IPCA, uma das menores taxas do ano. Contudo, após o vazamento das conversas, as taxas voltaram a subir, refletindo o temor de que o cenário fiscal se deteriore ainda mais. Se o juro real voltar ao patamar de 5% ao ano, investidores que adquirirem esses títulos agora garantirão um prêmio de risco superior a 50% a mais do que obteriam em tempos normais.

Dólar sobe e Bolsa recua

O dólar subiu de R$ 4,91 para R$ 5,06 do dia anterior ao “caso Dark Horse” até sexta. A Bolsa de Valores caiu no período, de 180,3 mil pontos para 177,2 mil pontos. A desvalorização dos ativos brasileiros ocorre em um contexto de aversão global ao risco, agravado pelo conflito no Oriente Médio.

Para Livio Ribeiro, sócio-fundador da BRCG e pesquisador associado do FGV-Ibre, além do desgaste da candidatura Flávio com o “caso Dark Horse”, a semana passada marcou uma consolidação na percepção do mercado global de que a guerra no Oriente Médio será longa, e seus efeitos, persistentes. Isso teve um efeito nas expectativas de inflação, especialmente nos Estados Unidos, o que demandará juros elevados em vários países para conter as pressões.

Pressão fiscal preocupa investidores

Sem controle à vista, o mercado vem passando a exigir mais juros para bancar o governo deficitário. São R$ 10,4 trilhões em dívida que deve ser refinanciada com os títulos públicos que o Tesouro vende a investidores. A continuidade de eventual governo Lula manteria pressão sobre contas públicas, inflação e taxas, na avaliação de investidores.

Segundo José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o que preocupa os investidores é a quantidade de dinheiro que Lula está gastando para tentar se reeleger. Segundo reportagem da Folha, os programas do presidente para este ano somam R$ 144 bilhões. Esse volume de gastos eleva o déficit e, consequentemente, a necessidade de financiamento, pressionando os juros.

Propostas econômicas ainda são incertas

Pouco se sabe sobre as propostas econômicas dos dois candidatos para o próximo governo. Há o histórico de três anos e quatro meses de Lula 3 e algumas das propostas que Flávio vem discutindo com empresários e investidores. Sobre Flávio, o que se sabe por enquanto é o que pessoas à frente de seu projeto econômico têm dito a interlocutores.

Entre as medidas, constaria a ideia de um ajuste fiscal equivalente a pelo menos 2% do PIB, algo próximo a R$ 250 bilhões ao longo de alguns anos. A falta de detalhes, no entanto, mantém o mercado cauteloso, especialmente diante do aumento recente dos juros e da volatilidade cambial.

Perguntas Frequentes

O que é o ‘caso Dark Horse’ e como ele afetou os juros?

O ‘caso Dark Horse’ refere-se à revelação de mensagens entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Após a revelação, os juros pagos pelo Tesouro Nacional subiram rapidamente, com o dólar subindo de R$ 4,91 para R$ 5,06 e a Bolsa caindo de 180,3 mil para 177,2 mil pontos.

Qual é a relação entre a continuidade do governo Lula e a pressão sobre as contas públicas?

Segundo investidores, a continuidade de eventual governo Lula manteria pressão sobre contas públicas, inflação e taxas. O mercado exige mais juros para bancar o governo deficitário, e os programas do presidente para este ano somam R$ 144 bilhões, o que preocupa investidores pela quantidade de gastos para tentar se reeleger.

Quais são as propostas econômicas conhecidas de Flávio Bolsonaro?

Pouco se sabe sobre as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, mas pessoas à frente de seu projeto econômico mencionam a ideia de um ajuste fiscal equivalente a pelo menos 2% do PIB, algo próximo a R$ 250 bilhões ao longo de alguns anos.

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