Preço do cacau cai e indústria volta ao chocolate de verdade

Crédito: CNN Brasil
Queda no preço do cacau muda cenário
A indústria de chocolates vive um momento de virada. A queda no preço do cacau e a nova legislação devem incentivar as empresas a colocarem mais chocolate de verdade nas suas receitas. Durante a alta acentuada dos preços, a saída foi se reinventar com produtos alternativos.
Por causa de condições climáticas adversas, doenças nas lavouras e queda brusca nos estoques globais, os preços do cacau triplicaram no mercado internacional. Em 2024, a tonelada foi comercializada acima dos US$ 12 mil. Atualmente, na bolsa de Nova York, a tonelada é cotada abaixo de US$ 4 mil. A demanda mundial é a menor dos últimos 9 anos.
Indústria se adaptou com ‘sabor chocolate’
A mudança foi vista nos rótulos: barras menores e mais leves, com mix de ingredientes, aditivos, gorduras e a informação ‘sabor chocolate’. Essas alterações começaram como uma tentativa de baratear os custos da produção. A alta nos preços do cacau fez a indústria buscar alternativas para manter os produtos nas prateleiras.
O percentual mínimo em vigência atualmente, para todos os tipos de chocolates, é de 25% de sólidos de cacau. Produtos com teor inferior não podem ser chamados de chocolate, sendo classificados como ‘sabor chocolate’. Essa categoria cresceu durante o pico dos preços.
Nova legislação promete mudanças
A nova legislação promete mexer com as estruturas do setor cacaueiro nacional. Enquanto a indústria demonstra preocupação com os custos imediatos para adaptação de maquinários, receitas e produtos do portfólio, os produtores de cacau comemoram o aumento da demanda interna. A mudança promete o recuo parcial dos chamados ‘chocolates alternativos’, produtos com percentual de cacau insuficiente para serem classificados como chocolate de verdade.
A Barry Callebaut afirma que, com a cotação atual, fabricar o chocolate com nibs e manteiga de cacau pode ser mais barato do que produzir as versões alternativas com gordura vegetal. Isso indica que a tendência é de retorno ao chocolate de verdade.
Recuperação da demanda leva tempo
Analistas de mercado alertam que a recuperação total da demanda global por cacau pode levar até dois anos e meio. Apesar da queda nos preços, o consumo mundial ainda está baixo. A indústria, porém, já começa a rever suas receitas, apostando em ingredientes tradicionais.
Para os empresários do setor, a adaptação à nova legislação e às condições de mercado será gradual. A expectativa é que, com preços mais baixos, o chocolate de verdade volte a dominar as prateleiras, beneficiando produtores e consumidores.
Perguntas Frequentes
Por que os chocolates estão com rótulo ‘sabor chocolate’ e barras menores?
A alta acentuada nos preços do cacau, que triplicaram no mercado internacional devido a condições climáticas adversas e queda nos estoques, fez a indústria se reinventar para baratear custos, resultando em barras menores, mais leves e com mix de ingredientes, aditivos e gorduras, rotulados como ‘sabor chocolate’.
A queda no preço do cacau vai trazer mais chocolate de verdade para as receitas?
Sim, a queda no preço do cacau (de US$ 12 mil para abaixo de US$ 4 mil por tonelada) e uma nova legislação devem incentivar empresas a colocar mais chocolate de verdade nas receitas, reduzindo os chamados ‘chocolates alternativos’ com baixo teor de cacau.
Qual é o percentual mínimo de cacau exigido para um produto ser considerado chocolate?
Atualmente, o percentual mínimo de sólidos de cacau exigido para todos os tipos de chocolate é de 25%, conforme a legislação em vigor.



























