Entenda a queda do Trump Trade em frangalhos

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Trump Trade em frangalhos: entenda a queda

A confiança que tomou conta dos mercados financeiros logo após a reeleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos vem dando lugar a um cenário bem mais desafiador. O chamado “Trump Trade” — estratégia de apostar em ações e setores que teoricamente se beneficiariam das políticas do republicano — está em frangalhos, surpreendendo investidores que esperavam retornos rápidos.

A expectativa de que indústrias tradicionais, como a manufatura e a construção pesada, além de empresas ligadas ao universo midiático do ex-presidente, seriam impulsionadas não se concretizou plenamente. Em contrapartida, quem optou por tecnologia e inteligência artificial colheu frutos.

A decepção com as apostas em setores cíclicos

Quando Donald Trump foi eleito para um segundo mandato como presidente, investidores amadores e profissionais correram para identificar quais ações se beneficiariam de suas políticas econômicas agressivas. A lógica parecia simples: o protecionismo e o incentivo à produção doméstica trariam um renascimento da indústria americana, favorecendo empresas de manufatura e consumo voltado à classe trabalhadora. Contudo, a realidade se impôs.

Em declaração à Bloomberg, o analista Gertken resumiu o cenário: “Os investidores que apostaram na IA e contra os setores cíclicos tradicionais tiveram um desempenho superior, enquanto aqueles que viam Trump como um defensor da indústria manufatureira, da indústria pesada e do consumo da classe trabalhadora dos EUA sofreram.” A fala evidencia que a transformação digital e os ganhos de eficiência da inteligência artificial ofuscaram as promessas de reindustrialização.

Tombo das ações da Trump Media

A Trump Media & Technology Group Corp., dona da rede social Truth Social, tornou-se um exemplo emblemático. Suas ações atingiram repetidamente mínimas históricas este ano, apresentaram uma recuperação em julho e ainda acumulam queda de 35% no ano. A volatilidade do papel contrasta com o favoritismo político do ex-presidente junto a seus apoiadores. A fonte não detalhou os fatores que levam à desvalorização, mas é possível que a concorrência com grandes plataformas e o desempenho financeiro da empresa pesem.

Além disso, um fundo temático consultado preferiu manter distância do ativo. “O fundo não possui ações da Trump Media & Technology Group Corp.”, informou o gestor, reforçando a cautela mesmo entre produtos que se propõem a capturar o movimento Trump Trade.

ETFs ligados a Trump não caem em bloco

Ao contrário do que se poderia imaginar, nem todos os ETFs relacionados a Trump estão em queda. O Point Bridge America First ETF, que carrega o código MAGA, é uma prova disso. Em março, no início da guerra com o Irã, o fundo caiu menos do que o mercado de ações americano em geral e manteve-se em alta durante o ano.

O desempenho sugere que algumas carteiras conseguiram se descolar das turbulências setoriais, possivelmente por reunirem ativos com múltiplas fontes de receita ou perfil mais defensivo. A resiliência do MAGA não elimina, porém, o quadro geral de frustração do Trump Trade, mas oferece um alento a quem mantém posições nesse segmento.

Paciência é a palavra-chave para alguns

“É um projeto de longo prazo. Não se constrói uma fábrica da noite para o dia”, disse uma pessoa ligada ao setor, que preferiu não se identificar. A frase resume o argumento de que as políticas econômicas de Trump — como reindustrialização e incentivo ao emprego local — não geram resultados imediatos. Ainda assim, a urgência por retornos colide com um ambiente global marcado por tensões geopolíticas, inflação e transformações tecnológicas.

Para os negócios da região de Araçatuba e noroeste paulista, que têm conexão com o mercado externo por meio do agronegócio e da indústria, o vaivém do Trump Trade serve como alerta sobre a importância de diversificar mercados e não depender de cenários políticos voláteis.

Perguntas Frequentes

Como as ações da Trump Media & Technology Group Corp. se comportaram este ano?

As ações da Trump Media atingiram repetidamente mínimas históricas este ano, apresentaram uma recuperação em julho e ainda acumulam queda de 35% no ano.

Qual foi o desempenho dos investidores que apostaram nos setores favorecidos por Trump?

Investidores que apostaram na manufatura, indústria pesada e consumo da classe trabalhadora tiveram desempenho inferior, enquanto os que apostaram em IA e contra setores cíclicos tradicionais tiveram desempenho superior.

Todos os ETFs relacionados a Trump estão em queda?

Nem todos os ETFs relacionados a Trump estão em queda. O Point Bridge America First ETF (MAGA) caiu menos que o mercado em março e manteve-se em alta durante o ano.

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