Indústria defende proibição de canetas emagrecedoras manipuladas

Crédito: Valor Econômico
O debate em torno do endurecimento de regras para a manipulação de canetas emagrecedoras no país atingiu novo patamar. Com o aumento da importação de insumos usados no processo, a indústria farmacêutica passou a defender a proibição por completo da prática. A proposta enfrenta oposição do segmento de farmácias de manipulação, que afirma responder a uma lacuna de acesso a medicamentos.
Indústria pede proibição total
A indústria farmacêutica defende a proibição de canetas emagrecedoras manipuladas. Para a Interfarma, associação que representa o setor, a minuta de regulação em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não é suficiente. A entidade considera que os 180 dias propostos para adequação às regras é um prazo longo e defende que deveria ser de no máximo um mês.
A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, também se posicionou. A empresa disse que a adequação deveria ser imediata. Nos Estados Unidos, a proposta de restrição à manipulação da classe de medicamentos é defendida por associações da indústria e pela própria Eli Lilly. O país já abriu consulta pública para restringir a manipulação no mês passado.
Farmácias de manipulação contestam
As farmácias de manipulação, por sua vez, afirmam que a prática responde a uma lacuna de acesso. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) disse, em reunião da Anvisa, que a manipulação não é um desvio do sistema, mas resposta concreta a uma lacuna assistencial. Patrícia Giordani, representante do CFF, afirmou: “A farmácia magistral veio trazer um acesso que hoje não existe.”
A Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) informou que não comenta propostas de regulação. Na reunião da Anvisa que discutiu a minuta, a Anfarmag disse que as mudanças propostas deveriam ser precedidas de avaliação de impacto regulatório e submetidas à consulta pública.
Anvisa adia decisão
A Anvisa discute o endurecimento de regras para a manipulação de canetas emagrecedoras. A decisão final foi adiada após pedido de vista e deve retornar à pauta no dia 27 deste mês. Luciana Takara, diretora de política e inteligência regulatória da entidade, disse que o detentor do registro (Novo Nordisk) não teve interesse em comercializar para fins de manipulação.
O impasse entre indústria e farmácias de manipulação reflete um dilema regulatório que afeta diretamente o acesso a medicamentos no Brasil. Para empresários do setor farmacêutico e comerciantes da região noroeste paulista, a decisão da Anvisa poderá impactar a oferta de produtos e a dinâmica do mercado local. A expectativa é que a nova regra, seja qual for, traga mais clareza jurídica e segurança para os negócios.
Perguntas Frequentes
Por que a indústria farmacêutica defende a proibição de canetas emagrecedoras manipuladas?
A indústria farmacêutica defende a proibição devido ao aumento da importação de insumos usados no processo, e a proposta enfrenta oposição das farmácias de manipulação.
Qual é a posição da Anvisa sobre a manipulação de canetas emagrecedoras?
A Anvisa discute endurecimento de regras, e a decisão final foi adiada após pedido de vista, devendo retornar à pauta no dia 27 deste mês.
O que as farmácias de manipulação e o Conselho Federal de Farmácia argumentam em defesa da prática?
Farmácias de manipulação dizem que respondem à lacuna de acesso, e o CFF afirmou que a manipulação é resposta concreta a uma lacuna assistencial, trazendo acesso que hoje não existe.



























