Renda do trabalho pré-pandemia ainda não foi recuperada

Crédito: O Globo
O mercado de trabalho brasileiro vive um paradoxo: a taxa de desemprego está em mínimas históricas, mas a renda do trabalhador, embora tenha subido após a pandemia, ainda não recuperou o patamar pré-Covid-19. Segundo dados recentes, a renda do trabalho sobe, mas segue abaixo do patamar pré-pandemia: salário perde poder de compra.
Indicador reflete baixo entusiasmo
O indicador reflete o baixo entusiasmo dos brasileiros com a queda do número de desocupados, que se deve principalmente à geração de vagas de baixos salários e mascara uma distribuição desigual da alta da renda. Apesar da melhora nos números de emprego, a qualidade das vagas preocupa.
Renda total das famílias supera pré-Covid
A renda total das famílias, que engloba salários, aposentadorias e benefícios, superou o patamar pré-Covid, chegando a 55,84% frente a 53,74% em 2019. No entanto, os rendimentos do trabalho quase voltaram ao que eram antes da pandemia em relação ao PIB, mas ainda não atingiram o mesmo nível.
Alta concentrada em profissionais específicos
A alta de 8,6% no rendimento médio do trabalhador desde 2019, atingindo nível recorde, está mais relacionada à composição do mercado de profissionais, hoje mais escolarizado e mais velho, do que a uma melhoria disseminada entre todos os trabalhadores. Para parte da população, não houve aumento do poder de compra. Em alguns casos, houve até queda.
Queda real ao isolar mudanças estruturais
Ao isolar os efeitos da mudança estrutural do mercado de trabalho, o rendimento do trabalhador caiu 0,4% frente a 2019. Isso significa que, desconsiderando o perfil mais qualificado da força de trabalho, o salário médio perdeu poder de compra.
Subutilização ainda é desafio
Há um contingente de ocupados subutilizados, que trabalham menos horas do que gostariam e até desistiram de procurar uma vaga, saindo da força de trabalho. Ao se somarem aos 6,6 milhões de desempregados, há 16,3 milhões nessa condição desfavorável. Em março, mais de 90% das mais de 200 mil vagas geradas foram de até 1,5 salário mínimo, cerca de R$ 2,4 mil.
Perguntas Frequentes
A renda do trabalho no Brasil já superou o nível pré-pandemia?
Não. Embora a renda do trabalho tenha subido, ela ainda não retomou o patamar anterior à Covid-19. A renda total das famílias, que inclui salários, aposentadorias e benefícios, superou o patamar pré-Covid, chegando a 55,84% do PIB contra 53,74% em 2019.
Por que a taxa de desemprego caiu mas a renda do trabalhador não se recuperou totalmente?
A queda do desemprego se deve principalmente à geração de vagas de baixos salários. Em março, mais de 90% das mais de 200 mil vagas geradas foram de até 1,5 salário mínimo (cerca de R$ 2,4 mil). Isso mascara uma distribuição desigual da alta da renda.
O poder de compra dos trabalhadores brasileiros aumentou após a pandemia?
Para parte da população, não houve aumento do poder de compra; em alguns casos, houve até queda. Ao isolar os efeitos da mudança estrutural do mercado de trabalho (mais escolarizado e mais velho), o rendimento do trabalhador caiu 0,4% frente a 2019.



























