CEO do Itaú nega conivência em escândalo da Americanas

Crédito: Folha de S.Paulo
O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou nesta quarta-feira (5) que o banco teve um grande prejuízo com o escândalo financeiro envolvendo as Lojas Americanas. Todavia, o executivo negou, de forma enfática, qualquer conivência dos bancos no caso. Ademais, ele disse que as receitas obtidas em períodos anteriores não compensam as perdas de crédito registradas pela instituição. Dessa forma, a declaração ocorre em meio à segunda fase da Operação Disclosure, que investiga o rombo contábil da varejista.
Prejuízo bilionário e saldo negativo
Consequentemente, de acordo com o banco, o prejuízo líquido apurado com o caso Americanas foi de cerca de R$ 1,5 bilhão, consideradas as perdas definitivas. Além disso, Maluhy afirmou que, ao colocar na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é “super negativo”.
O executivo também classificou como ilógica a atitude de cometer uma fraude que cause perdas bilionárias aos bancos. Ou seja, para ele, esse tipo de ação não traz qualquer benefício racional. Essa visão, no entanto, não impede que as investigações avancem em várias frentes.
O caso, porém, não se restringe ao Itaú, como indicam os desdobramentos da operação. Além disso, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal apuram a participação de outras instituições. Consequentemente, esse cenário amplia o impacto do escândalo no sistema financeiro.
Executivos e acionistas na mira
A segunda fase da Operação Disclosure foi deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal. Os alvos incluem:
Alvos da operação
- Itaú: José de Castro Araújo Rudge e Gustavo Balassiano, executivos à época das fraudes.
- Acionistas da Americanas: Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann (ex-conselheiro e filho de Jorge Paulo Lemann).
- Outros bancos: executivos do Bradesco e do Santander também são investigados.
Ou seja, os nomes citados fazem parte de um conjunto de pessoas que, na visão das autoridades, podem ter contribuído para a ocultação de dívidas. A investigação busca mapear a participação de cada um no esquema. O Itaú, por sua vez, tenta se distanciar das acusações, reforçando sua tese de desconhecimento. Contudo, a fonte não detalhou os próximos passos da operação.
Sem visibilidade do passivo
Maluhy reafirmou que os bancos não tinham visibilidade do panorama contábil da varejista e não sabiam o real tamanho da dívida. Por exemplo, segundo ele, na época, a Americanas discutia com o sistema bancário se classificava suas operações entre endividamento bancário ou endividamento de fornecedor.
Classificação das operações
Além disso, o executivo completou que ninguém imaginava que a Americanas estava ocultando o passivo. Ou seja, essa falta de informação, de acordo com o CEO, era generalizada no sistema financeiro. Ademais, a discussão sobre a classificação das operações, na visão de Maluhy, dificultava ainda mais o entendimento do balanço da empresa.
Ele também observou que os bancos sempre atuaram com base nos dados fornecidos pela própria varejista. O executivo, no entanto, não detalhou as medidas que as instituições poderiam ter adotado para identificar a fraude. A complexidade do caso, portanto, é um dos pontos destacados pelo banco.
Risco sacado e interrupção
Mecanismo de ocultação
Por exemplo, investigações apontam que executivos da Americanas negociavam diretamente com os bancos a retirada de informações sobre risco sacado nas cartas de circularização enviadas aos auditores, de modo a ocultar essa dívida. Consequentemente, esse mecanismo, segundo as apurações, impedia que os auditores identificassem o passivo.
Reação do Itaú
Em seguida, o Itaú, de acordo com Maluhy, parou de operar essa modalidade de crédito com a Americanas quando o escândalo veio à tona. A decisão foi tomada imediatamente após a revelação da fraude. Além disso, o executivo também lembrou que, mesmo considerando as receitas geradas em períodos anteriores do estouro da fraude, como as operações de risco sacado, o saldo para os bancos é negativo.
Em resumo, ele voltou a afirmar que não houve conivência das instituições financeiras. Ou seja, para ele, as perdas superam qualquer ganho eventual obtido anteriormente. A investigação, portanto, continua em andamento para apurar todas as circunstâncias.
Perguntas Frequentes
O CEO do Itaú negou conivência dos bancos no escândalo da Americanas?
Em suma, sim, Milton Maluhy afirmou que o Itaú teve grande prejuízo e não foi conivente, dizendo que receitas anteriores não compensam perdas de crédito.
Qual foi o prejuízo do Itaú com o caso Americanas?
Ou seja, o banco registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 1,5 bilhão, consideradas as perdas definitivas.
Quais executivos do Itaú foram alvos da Operação Disclosure?
Por exemplo, foram alvos José de Castro Araújo Rudge e Gustavo Balassiano, que eram executivos do banco à época das fraudes.



























