Bolsa Família: 85% das vagas formais desde 2023, aponta FGV

Crédito: O GLOBO
Oito em cada dez vagas formais criadas no Brasil desde 2023 foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família. É o que aponta estudo do Centro de Estudos Empíricos em Economia da Fundação Getulio Vargas (CEEE-FGV), divulgado nesta quarta-feira. O dado se refere ao saldo de empregos, a diferença entre admissões e desligamentos.
No período, o mercado formal registrou 91,8 milhões de admissões e 86,4 milhões de desligamentos. Deste total, 4,58 milhões estavam associados a trabalhadores que recebiam o benefício. Outros 1,26 milhão de trabalhadores formais registrados no período estavam cadastrados no CadÚnico, mas não faziam parte do Bolsa Família. Já o grupo de fora do cadastro teve saldo negativo de 460,6 mil vagas.
Para empresários e comerciantes do interior paulista, esses números sinalizam uma mudança estrutural no perfil da mão de obra formal. A presença expressiva de beneficiários no saldo de empregos indica que o programa social tem funcionado como porta de entrada para o mercado de trabalho, especialmente em setores que demandam contratação em volume, como comércio, serviços e agroindústria.
Perfil dos trabalhadores beneficiários
As mulheres responderam por 55,4% do saldo, contra 44,6% dos homens. Pinho Neto lembra que, pelo desenho da política, o Bolsa Família coloca a mulher como a pessoa de referência da família. Mesmo assim, a participação delas no trabalho era maior. Esse dado reforça a relevância do público feminino para a reposição de vagas em setores como varejo e serviços administrativos.
Ter ensino médio completo era a realidade de 78,24% do saldo de empregos formais entre os beneficiários. Esse nível de escolaridade é compatível com funções operacionais e de atendimento, predominantes no comércio e em pequenas e médias empresas. Para os empregadores, isso representa um contingente com formação básica adequada, reduzindo custos de treinamento inicial.
Impacto regional e dependência do programa
Na divisão por estados, o Nordeste, o Pará e o Acre dependem mais dessa inserção no saldo líquido de empregos formais. Em Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Acre, Pernambuco e Sergipe, o saldo de vagas formais de quem não recebe o Bolsa Família foi negativo.
Nesses casos, os beneficiários responderam por mais vagas do que o total do estado, porque compensaram as perdas do restante do mercado. Por isso a participação, em alguns casos, passa de 100%. Vai, por exemplo, de 104,04% em Sergipe a 117,42% no Maranhão. Isso significa que, sem a inserção dos beneficiários, esses estados teriam fechado postos de trabalho formais no período.
Já estados como Paraíba (98,30%), Piauí (96,04%) e Minas Gerais (95,22%) também têm participação alta de beneficiários no saldo de postos formais. As menores estão no Distrito Federal (50,07%), em Santa Catarina (58%), em Roraima (63,71%) e no Paraná (64,55%). Ainda assim, mesmo nos menores percentuais, mais da metade das vagas criadas foram ocupadas por beneficiários.
Leitura para o comércio e serviços do interior paulista
Para cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, o estudo da FGV traz um alerta e uma oportunidade. A dependência do Bolsa Família como base de inserção no emprego formal indica que a renda das famílias está diretamente ligada à manutenção do benefício e à geração de postos de trabalho. Quando o mercado formal retrai, a pressão sobre o comércio local aumenta, pois o consumo das famílias fica mais restrito.
Por outro lado, a elevada participação de beneficiários no saldo de vagas mostra que há um contingente disponível e disposto a ingressar no mercado formal. Empresas que investem em capacitação rápida e em processos seletivos acessíveis podem captar essa mão de obra com menor custo de atração. Além disso, a formalização desses trabalhadores amplia a base de consumidores com renda estável, o que beneficia o varejo regional.
O estudo não detalha a distribuição setorial das vagas ocupadas por beneficiários, mas a predominância de ensino médio completo e a participação feminina sugerem forte presença em atividades de comércio, serviços e indústria leve. Para entidades como ACSP, CDL e Sebrae, os dados reforçam a importância de políticas de qualificação profissional voltadas a esse público, especialmente em regiões com saldo negativo de não beneficiários.
Em resumo, o levantamento do CEEE-FGV evidencia que o Bolsa Família deixou de ser apenas um programa de transferência de renda e passou a funcionar como um instrumento de acesso ao emprego formal. Para o empresariado do noroeste paulista, compreender esse perfil é essencial para planejar contratações, treinamentos e estratégias de expansão.
Perguntas Frequentes
Qual a porcentagem de vagas formais ocupadas por beneficiários do Bolsa Família desde 2023?
85% das vagas formais criadas desde 2023 foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família, segundo estudo da FGV.
Em quais estados os beneficiários do Bolsa Família tiveram participação acima de 100% no saldo de empregos formais?
Em Sergipe (104,04%) e Maranhão (117,42%), os beneficiários responderam por mais vagas do que o total do estado, compensando perdas do restante do mercado.
Qual o perfil educacional dos beneficiários do Bolsa Família que ocuparam as vagas formais?
78,24% do saldo de empregos formais entre os beneficiários tinham ensino médio completo.



























