Ajuste fiscal crível definirá nota Brasil Fitch

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Ajuste fiscal crível definirá nota Brasil Fitch

A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou que um ajuste fiscal crível será fundamental para o futuro do Brasil, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. A declaração foi feita por Shelly Shetty, responsável pelos ratings na América Latina, em entrevista recente. Segundo ela, o plano do próximo presidente para controlar despesas deve definir o rumo do país.

Fatores negativos aumentam na avaliação da Fitch

A classificação de risco do Brasil permanece relativamente estável desde a perda do grau de investimento, em 2015, mas, enquanto os fatores positivos seguem inalterados, os negativos estão aumentando, caso das finanças do governo e da dívida pública. Shetty destacou que a incerteza sobre o ajuste fiscal é ampliada pelo ciclo eleitoral. “Provavelmente teremos maior clareza sobre isso somente depois das eleições”, afirmou.

Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a estabilidade da nota soberana é um indicador relevante, pois influencia o custo de crédito e a confiança dos investidores. A economista coloca em dúvida as projeções do Tesouro, que indicam que o Brasil caminharia para um superávit primário com cortes de despesas. “A questão então é quão visível e factível é esse caminho”, disse.

Crescimento econômico deve desacelerar em 2026

A economia brasileira deve crescer cerca de 2% este ano e desacelerar no ano que vem, por conta da política monetária bastante restritiva adotada pelo BC por um período prolongado, avalia Shetty. Para 2028, a projeção é de retomada do ritmo de crescimento para algo em torno de 2%, mas sem muito espaço para aceleração nos anos seguintes. Esse cenário impacta diretamente o planejamento de pequenas e médias empresas da região, que dependem de demanda interna aquecida.

Além disso, a composição do PIB do segundo trimestre revela enfraquecimento de motores importantes da economia e acende alerta para a dependência do agro, avalia Juliana Trece, coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre. Para o interior paulista, onde o agronegócio tem peso significativo, essa dependência pode gerar volatilidade na renda local.

Inflação controlada, mas acima do centro da meta

O ponto positivo é que a inflação parece controlada, mas o negativo é que, embora o processo de desinflação tenha começado, os preços ainda avançam acima do centro da meta. As projeções apontam inflação em torno de 5% neste ano e de cerca de 3% em 2027 e 2028, um patamar melhor, “mas mais elevado que o observado em outros países da América Latina”, diz Shetty. Para o comércio varejista, a inflação elevada corrói o poder de compra das famílias e pressiona os custos operacionais.

A agência de classificação de risco vê setores com mais dificuldades em 2027 e custo financeiro pesando apesar de resultados operacionais ainda positivos. Isso sinaliza que empresas endividadas podem enfrentar margens mais apertadas, exigindo cautela na gestão de caixa e investimentos.

Eleição presidencial e o caminho do ajuste

Sobre a eleição presidencial, Shetty vê uma disputa acirrada e afirma que a Fitch vai analisar basicamente como o futuro presidente vai lidar com o ajuste fiscal, que facilitaria o trabalho do Banco Central. “Um ajuste fiscal crível será um ponto fundamental caso o presidente Lula seja reeleito”, diz, lembrando que a questão será semelhante no caso de vitória de Flávio Bolsonaro. A definição do nome do candidato vencedor é apenas o primeiro passo; o que importará para a nota de crédito é a agenda econômica implementada.

Shetty lembra que, mesmo com um Congresso mais à direita, será necessária vontade política para aprovar medidas impopulares, como as relacionadas a despesas obrigatórias. Ela diz que também acompanhará a relação do eleito com as instituições e os Poderes. “Será importante observar se essa relação facilitará ou dificultará a implementação de reformas.” Para os empresários da região, a capacidade de aprovar reformas estruturais pode destravar investimentos e reduzir o custo Brasil.

Perguntas Frequentes

O que a Fitch diz sobre a importância do ajuste fiscal para a nota de crédito do Brasil?

Shelly Shetty, responsável pelos ratings na América Latina na Fitch, afirma que um ajuste fiscal crível será fundamental para o futuro do País, independentemente de quem vença a eleição presidencial.

Quais são as projeções da Fitch para o crescimento da economia brasileira?

A Fitch projeta crescimento de cerca de 2% em 2024, desaceleração em 2025 devido à política monetária restritiva, e retomada para cerca de 2% em 2028, sem muito espaço para aceleração nos anos seguintes.

Como a Fitch avalia a trajetória da dívida pública e o superávit primário do Brasil?

A Fitch coloca em dúvida as projeções do Tesouro de superávit primário com cortes de despesas, destacando que a incerteza sobre o ajuste fiscal é ampliada pelo ciclo eleitoral e que maior clareza só virá após as eleições.

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