BC negocia interligar Pix ao sistema europeu TIPS

0
176

O Banco Central do Brasil iniciou conversas para interligar o Pix ao TIPS, a plataforma de pagamentos instantâneos da Europa. A informação consta em documento do Banco Central Europeu (BCE) obtido pela Folha. Segundo o texto, os estudos para a conexão entre os dois sistemas estão em fase de pré-investigação.

Nesta etapa preliminar, são realizadas análises jurídica, técnica, de segurança e operacional para uma futura interligação. Os trabalhos devem ser concluídos até setembro, conforme cronograma de trabalho do BCE. Procurado, o BCE confirmou o teor do documento e as conversas.

“O documento citado está realmente correto e, no momento, há uma investigação preliminar em andamento que explora uma possível interligação entre TIPS e Pix”, afirmou o BCE em resposta à Folha. O BC brasileiro, procurado desde a semana passada, não respondeu aos pedidos de informação.

O que é o TIPS e como funciona

O TIPS (Target Instant Payment Settlement) é a infraestrutura europeia para liquidação de pagamentos instantâneos em euros. Ele permite transferências em tempo real entre contas bancárias na zona do euro, 24 horas por dia, todos os dias. A interligação com o Pix poderia criar uma ponte entre os dois ecossistemas de pagamento.

Para o usuário brasileiro, a integração significaria a possibilidade de usar o Pix no exterior, especialmente na Europa. Segundo Thiago Cavalcanti, presidente da ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil), o avanço reforça a importância de assegurar capacidade institucional compatível com a expansão das atribuições do BC.

Cavalcanti exemplifica: numa integração com o TIPS, o usuário poderia, com a sua conta no Brasil, usar o Pix via QR code para pagar em euro na maquininha de uma loja ou supermercado na Europa. “O sistema vai fazer a conversão instantânea e fazer o pagamento. Provavelmente, você vai ter alguns custos envolvidos na transação, que têm que ficar explícitos”, diz.

Impacto para empresas e comércio exterior

A interligação entre Pix e TIPS pode reduzir custos e aumentar a velocidade das transações internacionais para empresas brasileiras. Atualmente, transferências para a Europa envolvem tarifas bancárias, spread cambial e prazos de liquidação que podem levar dias. Com a integração, pagamentos instantâneos em euros poderiam ser feitos diretamente a partir de contas no Brasil.

Para pequenas e médias empresas exportadoras ou importadoras da região noroeste paulista, a novidade pode simplificar o recebimento de valores do exterior. A possibilidade de receber em euros via Pix sem intermediários tradicionais reduziria custos operacionais e melhoraria o fluxo de caixa. No entanto, a fonte não detalhou quais tarifas seriam aplicadas ou como seria feita a conversão cambial.

Segundo documento interno obtido pela Folha, nove áreas dentro do BC foram mobilizadas para definir diretrizes de governança e avaliar a compatibilidade dos dois sistemas. Esse esforço indica que a autarquia considera a integração estratégica para o sistema financeiro nacional.

Cronograma e próximos passos

No BC, já foi anunciado internamente que um comitê de chefes-adjuntos da instituição irá ao BCE em outubro. A expectativa entre os técnicos é que um anúncio de avanço nas negociações ocorra ainda em setembro, quando termina a fase inicial de pré-investigação pelo BCE.

As tratativas ainda estão em fase preliminar, mas já foram previstas em cronograma de trabalho do BCE. A conclusão da pré-investigação até setembro é um marco importante, pois definirá se os estudos avançam para uma fase de investigação formal e, posteriormente, para a implementação.

Para o comércio local de Araçatuba e região, a integração pode abrir novas oportunidades de negócios com o mercado europeu. Empresas que atuam com exportação de calçados, alimentos ou serviços poderão oferecer aos clientes europeus uma forma de pagamento instantânea e de baixo custo. Ainda assim, é preciso aguardar a conclusão dos estudos para conhecer os detalhes operacionais.

Desafios e considerações técnicas

Uma interligação entre sistemas de pagamento instantâneo de diferentes jurisdições envolve desafios complexos. Questões regulatórias, de prevenção à lavagem de dinheiro e de proteção de dados precisam ser harmonizadas entre Brasil e União Europeia. O BC brasileiro não respondeu aos pedidos de informação, portanto não há detalhes sobre como esses temas serão tratados.

Além disso, a conversão cambial instantânea exige infraestrutura de mercado de câmbio eficiente e transparente. O presidente da ANBCB destaca que a taxa de conversão do câmbio deverá ser a menor possível, mas os custos envolvidos na transação precisam ficar explícitos para o usuário. A fonte não detalhou se haverá limite de valor por transação ou restrições para pessoas jurídicas.

Para os empresários da região, é importante acompanhar o desenrolar das negociações. A eventual integração pode reduzir a dependência de correspondentes bancários e cartões internacionais, além de ampliar a competitividade das empresas locais no mercado global. A ACIA (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba) seguirá monitorando o tema e informando seus associados.

Perguntas Frequentes

O Banco Central do Brasil está negociando a interligação do Pix com qual sistema de pagamentos europeu?

O Banco Central brasileiro negocia interligar o Pix ao TIPS, a plataforma de pagamentos instantâneos da Europa.

Em que fase estão os estudos para a interligação entre o Pix e o TIPS?

Os estudos estão na fase de pré-investigação, com análises jurídica, técnica, de segurança e operacional, e devem ser concluídos até setembro.

Como funcionaria o pagamento com Pix na Europa se a interligação for concretizada?

O usuário poderia usar o Pix via QR code para pagar em euro na maquininha de uma loja na Europa, com conversão instantânea e custos explícitos na transação.

Fonte

Leave a reply