Biocombustíveis Brasil: país pode virar Opep verde?

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O Brasil pode se consolidar como uma potência global em agroenergia, aproveitando a insegurança energética internacional e a expectativa de demanda crescente. A avaliação foi apresentada por participantes do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, realizado em São Paulo, durante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética”. O evento reuniu especialistas e autoridades para debater o papel do país no cenário energético mundial.

Opep da energia verde

Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, cunhou a expressão “Opep da energia verde” ao se referir ao potencial brasileiro. Ele destacou que o momento atual, marcado por crise de combustíveis no exterior, é oportuno para o Brasil antecipar a mistura de 20% de biodiesel no diesel, atualmente prevista para 2030. “O momento é emergencial. Em alguns lugares no Brasil tem falta de diesel hoje”, afirmou.

Segundo Hammerschmidt, as 60 indústrias de biodiesel do país possuem capacidade instalada de 17 bilhões de litros, mas produzem apenas 10 bilhões, deixando um excedente de 7 bilhões de litros. Essa ociosidade poderia ser rapidamente direcionada para atender à demanda interna e externa.

Investimentos bilionários no setor

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania – SP), presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara dos Deputados, revelou que já há R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados a partir da Lei do Combustível do Futuro, o novo marco regulatório do setor. Esse montante sinaliza a confiança do mercado no potencial dos biocombustíveis brasileiros. A legislação cria um ambiente favorável para projetos de longo prazo, incentivando a expansão da produção e a modernização das plantas industriais.

Oportunidades além do biodiesel

Campos, outro participante do painel, apontou grandes oportunidades em áreas como o Combustível de Aviação Sustentável (SAF, na sigla em inglês) e a substituição do bunker marítimo por um derivado do etanol. Ele também citou o uso de biometano no transporte terrestre como uma alternativa viável para reduzir emissões. Essas frentes diversificam a atuação do setor e ampliam o leque de produtos que o Brasil pode oferecer ao mercado global. A transição energética, nesse contexto, deixa de ser uma ameaça e se torna uma vantagem competitiva.

Vocação natural para energia limpa

Campos enalteceu o fato de um terço da matriz brasileira estar ligada às bioenergias. “Criamos uma forma de fazer a transição sem depender da China”, comentou, lembrando que o gigante asiático domina a transição energética mundial, criando outra fonte de dependência para outros países. Ele defendeu que o Brasil olhe para sua vocação de ser uma potência não só de produção de alimentos, mas também de energia. Para isso, é preciso dar foco à competição e tornar a busca da qualidade uma obsessão.

Contribuição histórica da Petrobras

Segundo suas contas, desde o início da exploração do pré-sal, em 2006, a Petrobras impediu que o equivalente a 88 milhões de toneladas de CO2 fossem para a atmosfera. Esse dado reforça o papel da estatal na mitigação de emissões, mesmo em um setor tradicionalmente associado a combustíveis fósseis. A experiência acumulada pode servir de base para o desenvolvimento de novas tecnologias e processos mais limpos.

Impacto para o interior paulista

Para empresários e produtores da região noroeste paulista, como os de Araçatuba, Birigui e Penápolis, o avanço dos biocombustíveis representa uma oportunidade concreta de negócios. A demanda por matérias-primas, logística e serviços tende a crescer, gerando empregos e renda local. Além disso, a antecipação da mistura de biodiesel pode estimular a produção de soja e outras oleaginosas na região. O setor sucroenergético, forte no interior de São Paulo, também se beneficia com a expansão do etanol e do biometano.

O debate no GAFFFF 2026 deixou claro que o Brasil tem condições de liderar a transição energética global, desde que aproveite suas vantagens competitivas e invista em inovação. A fonte não detalhou, porém, os prazos para a implementação de todas as medidas discutidas.

Perguntas Frequentes

O que é a ‘Opep da energia verde’ mencionada no setor de biocombustíveis?

É uma expressão cunhada por Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, durante o GAFFFF 2026, para descrever o potencial do Brasil de se tornar um player global de agroenergia, aproveitando a insegurança energética global e a expectativa de demanda futura em expansão.

Qual a capacidade instalada e a produção atual de biodiesel no Brasil?

As 60 indústrias de biodiesel do Brasil têm capacidade instalada de 17 bilhões de litros e produção de 10 bilhões de litros, resultando em um excedente de 7 bilhões de litros.

Quais investimentos já foram cadastrados a partir da Lei do Combustível do Futuro?

Segundo o deputado Arnaldo Jardim, presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara dos Deputados, já há R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados a partir da Lei do Combustível do Futuro.

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