Boom de IA em empréstimos: trilhões e riscos à vista

Crédito: O GLOBO
Trilhões de dólares em empréstimos impulsionaram o boom da inteligência artificial. Agora, os pontos fracos começam a aparecer. Trilhões de dólares em recursos emprestados impulsionaram o boom da inteligência artificial, mas há uma incerteza crescente sobre até que ponto será fácil obter mais dinheiro — e quanto desse montante será devolvido.
Os problemas com dívidas na CoreWeave, na Oracle e SoftBank levantam dúvidas sobre se há problemas mais amplos relacionados à expansão dos data centers. A questão mais ampla é se empresas que enfrentam endividamento com suas dívidas, como CoreWeave, Oracle e SoftBank, são os elos fracos do setor ou sinais de problemas mais profundos na expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
Dívidas crescentes e spreads em alta
O spread — ou prêmio adicional exigido pelos investidores para aplicar dinheiro em investimentos arriscados em dívida vinculada à IA — aumentou mais de 50% nos últimos seis meses, segundo o Barclays, banco de investimentos. Esse movimento reflete a percepção de maior risco no setor, à medida que os financiamentos se tornam mais caros e escassos.
Os investidores também venderam títulos de outras gigantes da inteligência artificial, incluindo a Oracle, empresa de Larry Ellison, embora as quedas de preços não tenham sido tão acentuadas quanto as da CoreWeave. Os investidores também se desfizeram de títulos de dívida já emitidos por algumas dessas empresas, embora a queda dos preços tenha sido menos acentuada do que no caso da CoreWeave.
“O mercado está por um fio em todos os lugares”, afirmou Alexandra Coleman, fundadora da Azraq, empresa especializada na análise de riscos relacionados a data centers. A declaração resume o clima de cautela que se espalha entre os agentes financeiros.
Quem está exposto à dívida de IA
Praticamente todas as grandes gestoras de fundos de investimento, seguradoras e empresas de private equity vêm comprando títulos de dívida ligados à IA, sem contar as dezenas de milhares de investidores individuais que despejaram dinheiro em empresas do setor, cujas ações dispararam. Essa ampla base de detentores de dívida significa que eventuais calotes ou reestruturações podem ter efeito cascata no sistema financeiro.
Hiperescaladoras são grandes corporações de tecnologia que operam imensas redes de data centers próprias para sustentar serviços em nuvem, inteligência artificial e ecossistemas digitais globais em escala massiva. Elas são, ao mesmo tempo, clientes e concorrentes de empresas como a CoreWeave, o que adiciona complexidade à análise de risco.
O modelo CoreWeave sob escrutínio
O modelo de negócios da CoreWeave é difícil de definir com precisão. Alguns investidores e analistas comparam sua estrutura financeira à da problemática WeWork, empresa que fornecia espaços de escritórios compartilhados. A comparação não é gratuita: ambas assumem compromissos de longo prazo com ativos imobiliários ou de infraestrutura, enquanto a demanda pode flutuar.
O problema é que a CoreWeave assume os custos nas duas pontas: precisa pagar pela montagem e pela operação das instalações antes mesmo de conseguir um inquilino, e fica comprometida com os espaços por períodos mais longos do que aqueles durante os quais seus clientes podem permanecer. Essa assimetria de prazos gera risco de descasamento financeiro.
Vários investidores disseram estar preocupados com a possibilidade de empresas hiperescaladoras como Meta e Microsoft sequer precisarem alugar espaço da CoreWeave no futuro. Outra preocupação é que os data centers se tornem ultrapassados ou até obsoletos quando os contratos atuais chegarem ao fim. Se a tecnologia evoluir rapidamente, os ativos podem perder valor antes de serem totalmente pagos.
Lia Davis, porta-voz da CoreWeave, afirmou que a empresa discorda da comparação com a WeWork. “A complexidade da nossa estrutura de financiamento reflete disciplina, algo de que nos orgulhamos”, declarou em comunicado. A empresa não detalhou, contudo, como pretende mitigar os riscos apontados pelos investidores.
Impacto para o interior paulista
Para empresários e comerciantes de Araçatuba e região noroeste paulista, o cenário pode parecer distante, mas os efeitos macroeconômicos podem chegar ao crédito local. Se os spreads de dívida de IA continuarem subindo, o custo de capital tende a aumentar para todos os setores, inclusive para pequenas e médias empresas que dependem de financiamento para capital de giro e expansão.
Além disso, a possível desaceleração dos investimentos em data centers pode reduzir a demanda por equipamentos, componentes eletrônicos e serviços de tecnologia, afetando indiretamente fornecedores e prestadores de serviços da região. A fonte não detalhou projeções específicas para o noroeste paulista, mas o alerta é de cautela.
O momento exige atenção redobrada dos gestores financeiros e empresários que planejam investir ou tomar crédito. A recomendação implícita dos analistas é avaliar com rigor a sustentabilidade das dívidas e a diversificação de fontes de receita antes de assumir novos compromissos.
Perguntas Frequentes
Quais empresas de IA estão enfrentando problemas com dívidas e por quê?
CoreWeave, Oracle e SoftBank estão entre as empresas que enfrentam endividamento com suas dívidas, levantando dúvidas sobre se são elos fracos do setor ou sinais de problemas mais profundos na expansão da infraestrutura de IA.
O que está acontecendo com os títulos de dívida ligados à IA no mercado?
O spread, ou prêmio adicional exigido pelos investidores para aplicar em dívida arriscada vinculada à IA, aumentou mais de 50% nos últimos seis meses, segundo o Barclays, e investidores venderam títulos de gigantes como Oracle e CoreWeave, embora as quedas de preços não tenham sido tão acentuadas quanto as da CoreWeave.
Por que o modelo de negócios da CoreWeave é comparado ao da WeWork?
Alguns investidores e analistas comparam a estrutura financeira da CoreWeave à da WeWork porque a empresa assume custos nas duas pontas: paga pela montagem e operação das instalações antes de conseguir um inquilino e fica comprometida com os espaços por períodos mais longos do que aqueles durante os quais seus clientes podem permanecer.




























