BRB compra ativo de R$ 341 milhões do Master com garantia de R$ 30 milhões e avalista no Serasa

Crédito: Metrópoles
O Banco de Brasília (BRB) aprovou a compra de uma carteira de crédito de R$ 341,7 milhões do Banco Master, um dia após um parecer interno apontar risco elevado, garantia insuficiente e um avalista com nome sujo. A transação, que envolve uma empresa com capital social de apenas R$ 10 mil, foi autorizada pela Diretoria Colegiada e pelo Comitê de Crédito do BRB em menos de 14 horas após o alerta da área de riscos. Documentos obtidos com exclusividade pelo Metrópoles, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), detalham as operações suspeitas e de alto risco.
Decisão rápida após alerta de risco
A Diretoria de Controles e Riscos (Dicor) do BRB emitiu um parecer às 18h50 de 26 de junho, indicando dificuldade na recuperação do dinheiro em caso de inadimplência. Menos de 14 horas depois, em 27 de junho, a Diretoria Colegiada do banco aprovou a aquisição das operações de crédito, com as mesmas garantias consideradas pífias que haviam sido dadas ao Master.
A velocidade da aprovação, após um alerta tão contundente, levanta questões sobre os processos de governança e análise de crédito da instituição financeira.
Principais pontos do parecer de risco
- Garantia de apenas R$ 30 milhões para um negócio de R$ 341,7 milhões
- Avalista com nome sujo no Serasa
- Dificuldade na recuperação do dinheiro em caso de inadimplência
Garantias insuficientes e empresa frágil
A empresa que agora deve ao BRB tem um capital social de apenas R$ 10 mil, um valor insignificante diante da dívida de R$ 341,7 milhões. Em caso de inadimplência, o banco terá que tomar os imóveis dados como garantia e vendê-los para tentar recuperar o dinheiro.
A estimativa de receita é de aproximadamente R$ 30 milhões. Essa discrepância entre o valor do empréstimo e o valor real da garantia expõe o BRB a um prejuízo potencial de mais de R$ 300 milhões.
Problemas adicionais identificados
Outro ponto de atenção é que não há confirmação de que toda a área necessária para o empreendimento já foi adquirida. A ausência de aquisição de uma área poderá impactar na realização de ajustes de projetos, complicando ainda mais a execução e a eventual recuperação dos valores.
Contexto de outras operações problemáticas
Pouco depois de obter as CCBs com o Master, em outubro de 2024, a empresa de Rezek fechou contrato de concessão da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. A RZK Concessões integra o Consórcio Catedral, que administrará o terminal por 20 anos.
Paralelamente, o filho de Rezek, José Ricardo Lemos Rezek, chegou a assinar contrato de compra de 49% da Financeira BRB, subsidiária do banco, em março de 2025.
Intervenção do Banco Central
Esse negócio, no entanto, acabou barrado pelo Banco Central, que apontou “atuação sem diligência e prudência”. O órgão regulador indicou ainda que o BRB elevou o patrimônio líquido de forma artificial ao contabilizar essa venda em data anterior à realização do negócio.
Essas intervenções do Banco Central reforçam a percepção de que o BRB tem enfrentado desafios significativos em sua gestão de riscos e compliance.
Aquisição ampla de carteiras do Master
O BRB adquiriu R$ 30 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, uma movimentação financeira de grande escala. Há confirmação de que quase todos os ativos não têm lastro ou são fraudados, o que amplia o risco sistêmico dessa operação.
Operações de crédito sem lastro adequado podem gerar instabilidade no sistema, afetando o acesso a financiamentos e a confiança no mercado.
Implicações para o mercado e lições
A rápida aprovação de uma operação de alto risco, com garantias insuficientes e avalista problemático, coloca em xeque os controles internos do BRB. A sequência de eventos sugere falhas nos processos de governança corporativa.
Para o setor empresarial, essa situação serve como um estudo de caso sobre a importância de estruturas de compliance sólidas e da independência das áreas de controle.
Lições para o mercado financeiro
- Priorizar análise criteriosa de riscos em todas as operações
- Manter transparência nas operações financeiras
- Respeitar a independência das áreas de controle e compliance
- Seguir rigorosamente as recomendações dos órgãos reguladores
Perguntas Frequentes
Quais foram os riscos apontados no parecer da Diretoria de Controles e Riscos do BRB sobre a compra da carteira do Banco Master?
O parecer emitido em 26 de junho indicou risco elevado, com garantia insuficiente (apenas R$ 30 milhões para um ativo de R$ 341,7 milhões) e um avalista com nome sujo no Serasa, além de dificuldade na recuperação do dinheiro em caso de inadimplência.
Quanto tempo o BRB levou para aprovar a aquisição após o parecer de risco?
A Diretoria Colegiada e o Comitê de Crédito do BRB aprovaram a aquisição menos de 14 horas depois, em 27 de junho, mesmo com as garantias consideradas pífias no documento anterior.
Qual foi o valor estimado que o BRB poderia recuperar se a empresa não pagar o empréstimo?
Se a empresa não pagar, o BRB teria que vender os imóveis dados como garantia e estima-se receber aproximadamente R$ 30 milhões, o que representa menos de um décimo do valor total do negócio de R$ 341,7 milhões.

























