BTG adquire R$ 1,1 bi em carteiras do Master; parte está bloqueada

0
7
BTG compra R$ 1,1 bi em carteiras do Master; parte está bloqueada

O banco BTG Pactual, liderado por André Esteves, adquiriu R$ 1,15 bilhão em carteiras de crédito consignado do Credcesta. Esses ativos foram originados pelo Banco Master em transações realizadas entre 2021 e 2023.

Parte dessas carteiras compradas pelo BTG está atualmente bloqueada, conforme revelam documentos e decisões judiciais. As aquisições foram estruturadas por meio de debêntures e representaram uma movimentação pioneira no mercado financeiro.

Agora, essas operações enfrentam obstáculos legais após a liquidação do Banco Master.

Estrutura das transações via debêntures

As compras aconteceram a partir de debêntures, com o BTG atuando como “debenturista”. Na prática, o banco tornou-se dono de carteiras do Master.

A primeira aquisição, realizada em 2021, foi por R$ 303 milhões. Ela partiu do próprio banco, por iniciativa de sua área de Special Situations, liderada por Alexandre Camara.

O BTG comprou toda a série sênior (preferencial) nessa operação inicial. Isso marcou o início de sua exposição a esses ativos.

Expansão por meio de fundo administrado

Posteriormente, o BTG passou a utilizar um fundo para comprar mais R$ 850 milhões em carteiras do Master. Essa estratégia ampliou significativamente sua participação.

Nas demais três ocasiões em que a CB Securitizadora emitiu debêntures de carteiras do Master, as preferenciais foram compradas integralmente pelo FIDC Alternative Assets I.

Este fundo é administrado e gerido pelo BTG, demonstrando o comprometimento contínuo do banco com essas operações. A instituição financeira de André Esteves foi pioneira nesse tipo de transação.

Bloqueio após liquidação do Master

Com a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, o fundo já sofreu duas derrotas na Justiça. Isso impactou diretamente o acesso aos créditos adquiridos.

O fundo perdeu acesso aos créditos, resultando no bloqueio de parte das carteiras compradas pelo BTG. Essa situação cria incertezas sobre a recuperação dos investimentos.

Os investimentos totalizaram R$ 1,15 bilhão. Para empresários da região, casos como esse destacam a importância de avaliar riscos em operações estruturadas.

Contexto de risco e preocupações

O Credcesta era visto pelos grandes bancos como uma bomba-relógio. Isso se devia aos juros abusivos e à forma como nasceu, o que pode ter contribuído para as atuais dificuldades.

Havia uma preocupação em ocultar essas compras. A fonte não detalhou os motivos específicos para essa cautela, mas o contexto geral indica um ambiente de alto risco.

Para empreendedores do interior paulista, essa situação serve como alerta sobre a necessidade de transparência em transações financeiras complexas.

Impacto financeiro e declarações recentes

O BTG permitiu ao Master antecipar pelo menos R$ 1,66 bilhão com a venda de carteiras. Isso proporcionou liquidez imediata à instituição agora em liquidação.

Na última segunda-feira (13/4), Esteves disse publicamente que não tem interesse nos ativos do Master que estão com o BRB. Ele buscou distanciar-se de parte do problema.

No entanto, o banqueiro não mencionou que o BTG ainda tem em estoque carteiras de mesma origem e perfil. Isso mantém sua exposição a esses ativos.

Lições para o mercado empresarial

A experiência do BTG com as carteiras do Master oferece insights valiosos para empresários e investidores da região. Operações estruturadas via debêntures podem oferecer oportunidades, mas também carregam riscos significativos.

Esses riscos são especialmente relevantes quando envolvem instituições com problemas financeiros. A situação atual destaca a importância de due diligence rigorosa e da consideração de cenários adversos.

Para o comércio local, a história reforça a necessidade de cautela ao se envolver em transações financeiras complexas ou com contrapartes instáveis.

Perguntas Frequentes

Quanto o BTG Pactual comprou em carteiras de crédito do Banco Master?

O BTG Pactual comprou R$ 1,150 bilhão em carteiras de crédito consignado do Credcesta, originadas pelo Banco Master. As compras aconteceram entre 2021 e 2023.

Por que parte das carteiras compradas pelo BTG está bloqueada?

Com a liquidação do Banco Master, o fundo do BTG que comprou R$ 850 milhões em carteiras perdeu acesso aos créditos. O fundo já sofreu duas derrotas na Justiça, resultando no bloqueio desses ativos.

Como o BTG financiou as compras das carteiras do Master?

As compras foram realizadas através de debêntures. A primeira aquisição de R$ 303 milhões foi feita diretamente pelo BTG. As demais (R$ 850 milhões) foram adquiridas pelo FIDC Alternative Assets I, um fundo administrado e gerido pelo banco.

Fonte

Leave a reply