Crise fiscal no Brasil repete erros da Europa, alertam economistas

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O Brasil caminha em uma trajetória fiscal que pode levá-lo ao mesmo destino de nações europeias após a crise financeira global de 2008, quando foram forçadas a adotar planos de austeridade brutais no biênio 2010-2011. Assim como economias europeias naquele período, o país paga juros cada vez maiores para rolar a dívida, repetindo erros que levaram Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália a verem suas economias encolherem drasticamente.

Juros recordes acendem alerta

No Brasil, as taxas de juros de alguns títulos de longo prazo vendidos pelo Tesouro para financiar o déficit vêm batendo recordes. Economistas consideram as taxas de juros “assustadoras” e “insustentáveis”. O cenário macroeconômico atual liga o sinal de alerta de economistas, que veem o país flertar com uma crise brutal.

Lições da crise europeia

Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália viram suas economias encolherem drasticamente. Seus governos aplicaram cortes profundos em aposentadorias, salários do funcionalismo público e investimentos sociais para evitar a insolvência. Centenas de protestos se seguiram contra as medidas de austeridade. A principal diferença entre a crise europeia e o Brasil é que aqueles países tinham o euro como moeda e estavam submetidos às regras monetárias e fiscais do BCE e da Comissão Europeia. Os países europeus não podiam desvalorizar sua moeda para aumentar a competitividade das exportações nem imprimir dinheiro para cobrir déficits.

Brasil tem margem, mas com riscos

Embora o Brasil possa desvalorizar sua moeda e imprimir dinheiro, seria o estopim de uma crise cambial e inflacionária, com forte recessão, alertam especialistas. O Brasil passou relativamente ileso pela turbulência externa graças aos superávits primários que ainda produzia à época. Agora, porém, o cenário é outro.

Indicadores se aproximam de patamares críticos

Com um déficit nominal na casa dos 9% do PIB e uma dívida pública bruta que ultrapassa os 80% do PIB, os indicadores começam a se aproximar dos mesmos patamares que detonaram as crises fiscais na periferia da Europa. Professor do curso ‘Crises macroeconômicas e sustentabilidade da dívida’ na Universidade de Georgetown, em Washington, Estevão diz que “geralmente países só fazem ajustes sérios quando entram em crise”.

Reformas feitas, mas falta salto

O Brasil fez reformas como a trabalhista e previdenciária e tem instituições estáveis. Talvez não tenha uma crise no ano que vem, mas vai piorando e não dá um salto qualitativo, que poderia transformar sua economia, avalia o professor.

Déficit estrutural é a armadilha

A grande armadilha apontada por especialistas está na composição do déficit brasileiro. Diferente da Irlanda, onde o rombo foi inflado pelo socorro emergencial ao sistema bancário, o desequilíbrio nacional é contínuo e estrutural. O déficit é impulsionado por despesas obrigatórias crescentes (que consomem cerca de 95% do Orçamento) e pela pesada carga de juros necessários para rolar a dívida pública (cerca de R$ 1 trilhão em 12 meses).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indicadores fiscais do Brasil que se aproximam dos níveis que levaram à crise na Europa?

O Brasil tem déficit nominal de cerca de 9% do PIB e dívida pública bruta acima de 80% do PIB, patamares semelhantes aos que detonaram crises fiscais na periferia da Europa.

Por que o Brasil não pode simplesmente imprimir dinheiro ou desvalorizar a moeda para evitar a crise?

Embora o Brasil possa tecnicamente desvalorizar a moeda e imprimir dinheiro, especialistas alertam que isso seria o estopim de uma crise cambial e inflacionária, com forte recessão.

Qual é a principal diferença entre a crise fiscal brasileira atual e a crise europeia de 2010-2011?

A principal diferença é que os países europeus tinham o euro como moeda e não podiam desvalorizá-la nem imprimir dinheiro para cobrir déficits, enquanto o Brasil pode, mas com riscos de crise cambial e inflacionária.

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