Crise na indústria argentina fecha vagas e pressiona Milei

Crédito: G1
A crise na indústria argentina fecha vagas e aumenta pressão sobre Milei. Em Buenos Aires, fábricas tradicionais demitem, reduzem turnos ou encerram atividades, enquanto o governo ultraliberal celebra a queda da inflação e a desregulamentação. O cenário acende o debate sobre os rumos da economia do país vizinho e seus reflexos para o comércio e a indústria do interior paulista, que mantém laços comerciais com a Argentina.
Fábricas fecham e empregos somem
O galpão está às escuras, as máquinas estão desligadas e caixas de mercadorias encalhadas se acumulam. A fábrica de sapatos Kioshi, que tinha 120 funcionários em 2023, conta hoje com apenas 14. O cenário virou símbolo da crise enfrentada por parte da indústria argentina e alimenta o debate sobre o modelo do presidente Javier Milei.
A poucos quarteirões da Mayer, a fábrica de cordas para instrumentos Martin Blust, que emprega dez pessoas, fecha às sextas-feiras por falta de encomendas. “Não há inflação porque não há compras”, afirma sua sócia, Gloria Aparicio. A fala resume o paradoxo apontado por empresários: a estabilidade de preços convive com a retração do consumo.
Em Zárate, cidade industrial a 90 km de Buenos Aires, Miguel Márquez olha com tristeza para o portão da fábrica de produtos químicos Clariant, onde trabalhou por 20 anos, até o fechamento da unidade, em 2025. A fonte não detalhou o número de demitidos na planta.
Empresários apontam causas da crise
Empresários reclamam de consumo fraco, câmbio desfavorável e concorrência de produtos estrangeiros; governo diz que economia está ganhando competitividade. A isto se soma uma “avalanche de importação”, acrescenta. O termo é usado por representantes do setor para descrever o aumento da entrada de bens industrializados de outros países, favorecidos pela abertura comercial.
Na semana passada, a União Industrial Argentina (UIA) pediu medidas diante da abertura econômica e da perda de aproximadamente 90 mil empregos na indústria desde agosto de 2023. A entidade não detalhou quais medidas seriam necessárias, mas o pedido reflete a urgência do setor.
Em junho, a indústria argentina operava com cerca de 40% de capacidade ociosa. A produção manufatureira caiu 5% entre junho e julho, o maior recuo em 16 meses, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira (8). Os números reforçam a percepção de desaceleração acentuada.
Governo Milei mantém austeridade
No mesmo dia em que o setor industrial apresentou a reivindicação, o presidente ultraliberal afirmou que sua política de austeridade e desregulamentação “não é negociável”. A declaração sinaliza que não haverá recuo nas reformas em curso, mesmo diante da pressão de empresários e trabalhadores.
Desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023, cerca de 30 mil empresas fecharam as portas, segundo dados do setor. O presidente afirma que os empregos perdidos em um setor serão criados em outros, capazes de competir internacionalmente. A promessa, porém, ainda não se materializou para muitos argentinos.
Mas, para Emmanuel Fernández, o governo está “em uma bolha”, pois “tudo o que se vê é que as pessoas que ficam sem emprego vão trabalhar nos aplicativos”. A crítica aponta para a informalidade e a precarização como alternativas imediatas para quem perde o posto formal.
Impacto no comércio do interior paulista
A crise industrial argentina pode respingar no noroeste paulista, especialmente em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, que exportam calçados, alimentos e máquinas para o país vizinho. A retração do consumo argentino tende a reduzir encomendas e pressionar margens de pequenas e médias empresas locais.
Além disso, a desvalorização do peso e a concorrência de produtos importados podem levar indústrias argentinas a buscar mercados alternativos, acirrando a competição no Brasil. A fonte não detalhou dados específicos para a região, mas o cenário exige atenção de associações comerciais e entidades empresariais.
O presidente da Argentina, Javier Milei, cumprimenta a guarda presidencial montada durante a cerimônia de abertura da 138ª exposição anual da Sociedade Rural, em Buenos Aires. O gesto simbólico ocorre em meio à tensão com o setor produtivo, que cobra respostas para a crise.
Perguntas Frequentes
Quantos empregos a indústria argentina perdeu desde agosto de 2023?
Aproximadamente 90 mil empregos foram perdidos na indústria desde agosto de 2023, segundo a União Industrial Argentina.
Qual foi a queda da produção manufatureira na Argentina entre junho e julho?
A produção manufatureira caiu 5% entre junho e julho, o maior recuo em 16 meses, conforme dados oficiais.
Quantas empresas fecharam na Argentina desde que Milei assumiu?
Cerca de 30 mil empresas fecharam as portas desde dezembro de 2023, segundo dados do setor.




























