Desenrola endividamento recorde: cultura de renegociação ignora causas

Crédito: BBC
Desenrola e as causas do endividamento
O programa Desenrola, lançado oficialmente na segunda-feira (04/05), cria uma cultura que ignora a razão do endividamento recorde no Brasil, segundo o pesquisador Kauê Lopes dos Santos, autor do estudo ‘Brasil dos boletos’. Para ele, as iniciativas de renegociação são importantes porque mostram que o governo está atento aos problemas da sociedade, mas podem não atacar as causas estruturais do problema.
Lopes dos Santos analisa como o consumo via crédito passou a fazer parte do modus operandi da organização do orçamento doméstico das famílias brasileiras. O pesquisador afirma que o consumo é estruturado pelo parcelamento das coisas, comprometendo cada vez mais o orçamento doméstico. Essa lógica de parcelamento gera uma alienação do futuro, na visão do geógrafo.
Impacto de curto e médio prazo
Como muitas políticas públicas, o programa tem um impacto de curto e médio prazo, diz Lopes dos Santos. Programas como o Desenrola 2.0 podem criar uma cultura de renegociação que pode complexificar o jogo, segundo ele. O pesquisador alerta que, embora o investimento em renegociação mostre atenção do governo, é preciso ir além.
Podem aderir ao programa pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. A iniciativa foi lançada oficialmente na segunda-feira (04/05).
Endividamento recorde no Brasil
Pesquisa da Serasa aponta que 81,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, ou 49,9% da população adulta. O valor médio da dívida por pessoa inadimplente é de R$ 6.598,13. Esses números evidenciam a gravidade da situação financeira das famílias.
Lopes dos Santos afirma que a população de baixa renda está sempre no limite, ocupado cada vez mais por crédito. O acesso ao crédito se transforma em inclusão social e maior acesso a produtos, mas também compromete o futuro financeiro de parte da população.
Sistema de parcelamento e juros altos
O geógrafo aponta que o sistema varejista, articulado ao sistema financeiro, construiu uma lógica de parcelamento em longas prestações com taxas de juros altíssimas. Isso agrava o endividamento, especialmente entre os mais pobres. Nos últimos anos, a situação se agravou ainda mais diante da disseminação no país das plataformas de apostas virtuais, conhecidas como bets.
Perguntas Frequentes
O que é o programa Desenrola e quem pode participar?
O Desenrola é um programa de renegociação de dívidas lançado oficialmente na segunda-feira (04/05). Podem aderir pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.
Qual a crítica do pesquisador Kauê Lopes dos Santos ao programa Desenrola?
Segundo o pesquisador, o Desenrola cria uma cultura que ignora a razão do endividamento recorde, podendo complexificar o jogo ao incentivar a renegociação em vez de atacar as causas estruturais, como o parcelamento com juros altos e o comprometimento do orçamento doméstico.
Quantos brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro e qual o valor médio da dívida?
Pesquisa da Serasa aponta que 81,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, ou 49,9% da população adulta. O valor médio da dívida por pessoa inadimplente é de R$ 6.598,13.


























