Economia global: a arte de viver perigosamente

Crédito: Folha de S.Paulo
Conflitos, dívida pública e incertezas sobre a inteligência artificial ameaçam a estabilidade da economia mundial. Os últimos dias nos lembraram de uma das duas principais realidades econômicas da atualidade: o presidente dos Estados Unidos é um agente de destruição. A avaliação é do comentarista-chefe de economia no Financial Times, doutor em economia pela London School of Economics, em artigo publicado nesta semana.
Riscos geopolíticos pressionam mercados globais
Como observa Nick Butler, os estoques de petróleo bruto e derivados estão baixos após seis meses de redução. Além disso, “as exportações de derivados, como diesel e querosene de aviação, do Golfo continuam mínimas”. Também estão em risco os fornecimentos de nafta, ureia e GNL (gás natural liquefeito), este último especialmente importante para a Europa. A escassez desses insumos pode elevar custos de produção e logística para empresas em todo o mundo, inclusive no interior paulista.
O cenário de instabilidade geopolítica afeta diretamente o comércio internacional e as cadeias de suprimentos. Empresários de Araçatuba e região noroeste paulista, que dependem de insumos importados ou exportam produtos, devem monitorar esses riscos. A fonte não detalhou projeções de preços, mas o contexto sugere pressão inflacionária.
Bolha de investimentos em IA preocupa
O boom de investimentos em inteligência artificial também concentra riscos. Mesmo que a tecnologia se mostre bem-sucedida, o ritmo de crescimento dos investimentos deverá parar em algum momento, se não passar a cair. Além disso, é possível que a IA não produza os resultados financeiros esperados na escala prevista. Uma eventual desaceleração poderia afetar mercados acionários e reduzir o apetite por risco.
O relatório WEO (World Economic Outlook) destaca outros riscos de queda, entre eles o agravamento das guerras em curso, as ameaças cibernéticas — provavelmente ampliadas pela IA — e as catástrofes climáticas. Não se pode descartar uma quebra do mercado acionário nem um colapso dos investimentos relacionados à IA, caso os retornos da tecnologia decepcionem. Para pequenas e médias empresas, a volatilidade pode dificultar o acesso a crédito e planejamento de longo prazo.
Desigualdade entre países pode aumentar
O WEO observa que a capacidade de aproveitar a IA e atender às necessidades energéticas de forma confiável será crucial para as perspectivas de crescimento. Infelizmente, os países mais pobres do mundo são particularmente vulneráveis nos dois aspectos. Por isso, o relatório teme, com razão, que seus padrões de vida continuem se distanciando dos registrados nos países mais ricos. Essa divergência pode reduzir mercados consumidores para exportações brasileiras, afetando o agronegócio e a indústria local.
Para o comércio do interior paulista, a menor demanda externa pode impactar indiretamente a renda regional. A fonte não detalhou medidas específicas para mitigar esses efeitos, mas o fortalecimento de fundamentos econômicos é apontado como caminho.
Fortalecer fundamentos é a resposta
Seria bom acreditar que o mundo se tornará menos suscetível a choques. Mas provavelmente não será assim. A melhor resposta é fortalecer os fundamentos econômicos, sobretudo a flexibilidade e o dinamismo da economia, além da segurança energética. Nesse contexto, como observa o WEO, é essencial que a ajuda às pessoas vulneráveis a choques seja direcionada e temporária. Chegou ao fim o tempo de distribuir dinheiro público sem grandes restrições. Seria bom se os choques também parassem. Infelizmente, diante dos líderes que temos, eu não apostaria nisso.
Para empresários e comerciantes, a recomendação implícita é investir em resiliência: diversificar fornecedores, controlar custos e buscar eficiência energética. A ACIA (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba) pode orientar associados sobre estratégias de adaptação. A fonte não detalhou políticas públicas específicas para o setor.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais riscos atuais para a estabilidade da economia global?
Os principais riscos incluem conflitos, dívida pública, incertezas sobre a IA, agravamento das guerras em curso, ameaças cibernéticas ampliadas pela IA, catástrofes climáticas, possível quebra do mercado acionário e colapso dos investimentos em IA se os retornos decepcionarem.
Como a IA pode afetar as perspectivas de crescimento econômico, especialmente nos países mais pobres?
A capacidade de aproveitar a IA e atender às necessidades energéticas de forma confiável será crucial para o crescimento. Os países mais pobres são particularmente vulneráveis nesses dois aspectos, e seus padrões de vida podem continuar se distanciando dos países mais ricos.
O que o WEO recomenda em relação à ajuda a pessoas vulneráveis a choques econômicos?
O WEO destaca que a ajuda deve ser direcionada e temporária, pois chegou ao fim o tempo de distribuir dinheiro público sem grandes restrições.




























