Escala 6×1: reduzir jornada sem perder produtividade

Crédito: Folha de S.Paulo
O Senado aprovou nesta quarta-feira (14), em dois turnos, a proposta que põe fim à escala 6×1. A mudança também ganhou centralidade neste segundo turno das eleições presidenciais, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL). A medida prevê uma transição gradual da jornada de trabalho, com redução de 44 para 42 horas semanais inicialmente e, após 12 meses, para 40 horas, sem redução de salário.
Para empresários e comerciantes de Araçatuba e região noroeste paulista, a principal preocupação é como manter a produtividade com menos horas trabalhadas. A experiência de outros países mostra que é possível, mas exige planejamento e investimentos.
Experiências internacionais mostram caminhos possíveis
Chile, Coreia do Sul e Islândia apostaram em escalonamento, automação e eficiência em processos. Países que reduziram ou limitaram a jornada de trabalho enfrentaram o temor de queda da produtividade com transições graduais, flexibilização de horários e investimentos em automação e reorganização de processos, mostram estudos internacionais.
Em 2023, o Congresso chileno aprovou um projeto de lei para reduzir gradualmente a semana de trabalho de 45 horas para 40 horas. O país priorizou previsibilidade e flexibilidade jurídica para que o mercado absorvesse os novos custos sem demissões. Essa abordagem gradual pode servir de referência para o Brasil.
Produtividade brasileira em foco
A questão da baixa produtividade do trabalho no Brasil é tema de discussão há décadas. Após se reaproximar da média mundial, a produtividade do trabalhador brasileiro recuou desde a pandemia. Praticamente travada nos últimos 30 anos, em 2024 ela equivalia a menos de um quarto, em termos de riqueza, do que é produzido por um trabalhador norte-americano, segundo o Conference Board.
Economistas apontam que países ultraprodutivos têm economias baseadas em tecnologia, finanças e indústrias automatizadas, nas quais produzir mais depende de software e máquinas. O Brasil concentra vagas no comércio e nos serviços presenciais, onde menos horas trabalhadas frequentemente exigem a contratação de outra pessoa para cobrir o turno. A produtividade também tem ligação direta com a qualificação: sem treinamento ou ferramentas melhores, trabalhar menos horas tende a reduzir a entrega total da empresa.
Impacto no emprego e salários
Segundo a organização, estudos sobre reformas em Portugal, França, Bélgica, Itália e Eslovênia mostram reduções significativas nas horas trabalhadas, acompanhadas de aumentos salariais. As empresas, porém, não compensaram a redução contratando mais pessoal, e o efeito líquido sobre o emprego foi muito modesto. Isso indica que a redução da jornada pode ser absorvida sem grandes mudanças no quadro de funcionários, desde que haja ganhos de eficiência.
O que muda na rotina das empresas
No Brasil, haverá um período de transição. Em um primeiro momento, a carga horária semanal cairá de 44 horas para 42 horas semanais, e será implantada a escala 5×2, sem redução de salário. Após 12 meses, haverá a redução da jornada de trabalho de 42 horas semanais para 40 horas. Para os negócios locais, especialmente no comércio e serviços, será essencial planejar escalas, investir em automação e capacitação para manter o atendimento e a produtividade.
Veja como diferentes países lidaram com a questão da produtividade quando reduziram a jornada de trabalho:
Chile, Coreia do Sul e Islândia apostaram em escalonamento, automação e eficiência em processos. A transição gradual e a flexibilidade foram chaves para o sucesso. No Brasil, o desafio será adaptar essas lições à realidade do comércio e serviços presenciais, que predominam na economia local.
Perguntas Frequentes
Como o Chile reduziu a jornada de trabalho sem perder produtividade?
O Chile aprovou em 2023 uma redução gradual da semana de trabalho de 45 para 40 horas, priorizando previsibilidade e flexibilidade jurídica para que o mercado absorvesse os novos custos sem demissões.
Quais países conseguiram reduzir a jornada de trabalho mantendo a produtividade?
Chile, Coreia do Sul e Islândia apostaram em escalonamento, automação e eficiência em processos para reduzir a jornada sem perder produtividade.
Como será a transição para o fim da escala 6×1 no Brasil?
No Brasil, haverá um período de transição: a carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas com implantação da escala 5×2 sem redução salarial; após 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.




























