Euforia com direita sul-americana no mercado perde força

0
18

A forte euforia que tomou conta dos mercados financeiros após a eleição de presidentes de direita em sete países da América do Sul começa a dar sinais de esgotamento. As altas expressivas desencadeadas por essas vitórias eleitorais exibem agora suas fragilidades, despertando dúvidas entre investidores sobre se devem continuar impulsionando ações e moedas ou vender os papéis para realizar lucros. O movimento reflete a dificuldade desses governos em cumprir promessas, enfrentar dívidas crescentes e manter a popularidade.

Fragilidades aparecem após euforia inicial

Na Colômbia, após a vitória do presidente Abelardo de la Espriella no primeiro turno, em maio, a moeda disparou, os rendimentos dos títulos despencaram e as ações subiram mais de 20% em relação às mínimas. Mas, apenas dois meses após sua posse, os ganhos perderam força, enquanto o líder de direita enfrenta o que seus assessores classificaram como a pior crise fiscal do país desde o século 19. A rápida reversão ilustra como o otimismo inicial pode se dissipar diante de obstáculos concretos.

No Chile, perdeu fôlego a disparada que levou as ações a níveis recordes após a eleição, há 11 meses, do presidente ultradireitista Jose Antonio Kast. O entusiasmo que impulsionou esses ganhos começa a desaparecer, à medida que os desafios de governabilidade e as expectativas frustradas pesam sobre os ativos.

A especulação levou um índice MSCI que acompanha as ações latino-americanas a acumular alta superior a 70% desde o início do ano passado e transformou os títulos da dívida da Bolívia e do Equador em alguns dos ativos de melhor desempenho entre os mercados emergentes.

Investidores reavaliam posições na região

Os títulos em dólar do Equador e do Peru — países que elegeram presidentes Daniel Noboa e Keiko Fujimori, ambos favoráveis ao mercado nos últimos anos — caíram mais de 3% nos últimos três meses. Martin Bercetche, gestor de portfólio com foco em crédito da Frontier Road, reduziu quase todo o seu investimento na América Latina depois de ter mantido uma visão “muito otimista” sobre a região por mais de 18 meses, devido às mudanças políticas em curso.

A redução da euforia mostra a rapidez com que o capital político — e o otimismo do mercado construído em torno dele — pode se dissipar, lançando uma sombra sobre o Brasil.

No Peru, a presidente Keiko Fujimori viu sua popularidade despencar poucos meses após o início de seu mandato, em meio à crescente preocupação com a economia e a criminalidade. Esse cenário de insatisfação popular e dificuldades fiscais em vários países da região reforça a cautela dos investidores, que passam a exigir resultados concretos antes de manter posições elevadas. A fonte não detalhou os números exatos da queda de popularidade, mas o contexto descrito indica um ambiente de crescente incerteza.

Sombra sobre o Brasil e próximos passos

Flávio Bolsonaro, se eleito no Brasil, também se beneficiaria de um Congresso com maioria de direita, com seus aliados do PL prestes a controlar mais de um terço do Senado a partir de 2027. Ainda assim, há dúvidas consideráveis sobre o que virá a seguir, especialmente diante do histórico recente de frustrações em países vizinhos. Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a volatilidade dos mercados latino-americanos pode afetar o custo do crédito, as taxas de câmbio e a confiança para investimentos de longo prazo.

A experiência de países como Colômbia, Chile, Peru e Equador serve de alerta para o setor produtivo brasileiro, que depende de estabilidade econômica para planejar expansão, contratações e exportações. A fonte não detalhou projeções específicas para o Brasil, mas o cenário descrito sugere que a euforia inicial pode dar lugar a uma postura mais seletiva por parte dos investidores. Acompanhar a evolução fiscal e política desses governos será essencial para antecipar os rumos do mercado na região.

Perguntas Frequentes

Por que a euforia do mercado com a direita sul-americana está perdendo força?

Porque presidentes de direita em sete países sofrem para cumprir promessas, enfrentar dívidas e manter popularidade, e as fortes altas dos mercados financeiros desencadeadas por eleições começam a exibir fragilidades.

Quais países da América do Sul viram os ganhos de mercado perderem força após eleições de direita?

Na Colômbia, os ganhos perderam força dois meses após a posse de Abelardo de la Espriella; no Chile, a disparada das ações perdeu fôlego 11 meses após a eleição de Jose Antonio Kast; e títulos do Equador e Peru caíram mais de 3% nos últimos três meses.

Como a redução da euforia do mercado na América Latina pode afetar o Brasil?

A redução da euforia lança uma sombra sobre o Brasil, pois mesmo que Flávio Bolsonaro seja eleito com um Congresso de maioria direita, há dúvidas consideráveis sobre o que virá a seguir.

Fonte

Leave a reply