Galípolo: BC pode ter errado ao explicar demais a Selic

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O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pode ter errado ao ‘explicar demais’ a decisão sobre a taxa Selic. A declaração foi feita durante evento nesta quinta-feira (24), em meio a debates sobre a comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom).

Comunicação do Copom sob análise

Parágrafo complexo na ata

Galípolo refutou a crítica de que a decisão teria sido eleitoral, mas reconheceu que o parágrafo incluído na ata para sintetizar a decisão ‘pode ter sido complexo’. Ele negou falta de transparência e sugeriu que explicações complexas podem constar apenas na ata, sem necessidade de comunicados adicionais. A declaração ocorre após o BC manter a Selic em 14,25% na última reunião, surpreendendo parte do mercado.

Guidance e incertezas

Ausência de tendência futura

Galípolo afirmou que nenhum Banco Central do mundo estabelece tendências para futuras decisões relacionadas à taxa básica de juros (guidance). Ele disse que, em momentos de maior incerteza, é normal o desejo por guidance, mas que isso não é prática adotada.

Limitação do grau de liberdade

O diretor de Política Monetária, Paulo Pichetti, complementou que colocar um guidance poderia limitar o ‘grau de liberdade’ do BC de agir na próxima reunião em agosto.

Cenário inflacionário em foco

Mudança no horizonte de meta

Na decisão da última semana, o foco previsto para a tomada de decisão sobre a Selic era o último trimestre de 2027. No entanto, o cenário inflacionário do início de 2028 passará a ser alvo oficial do BC no próximo encontro do Copom, previsto para 4 e 5 de agosto.

Projeções de inflação e riscos

Na ata de terça-feira (23), o BC escreveu que a piora nas projeções de inflação para o fim de 2027 exigiria ‘variações abruptas de direção e de grande magnitude’ na taxa básica de juros para colocar a inflação na meta de 3%.

Riscos de desaceleração

Pichetti complementou que, caso o BC não tivesse expandido o olhar para o cenário inflacionário de 2028, uma decisão dura teria de ser tomada, o que poderia causar ‘desaceleração desordenada’ na atividade econômica. A declaração reforça a cautela do BC em relação aos impactos de uma política monetária mais restritiva.

Mercado reage

  • Dólar: fechou em queda de 0,37%, cotado a R$ 5,18.
  • Ibovespa: fechou com ganhos de 0,87%, a 171.990 pontos.
  • DI para janeiro de 2028: taxa em 14,24%, baixa de 0,07 ponto percentual.
  • DI para janeiro de 2035: taxa em 14,3%, alta de 0,09 ponto percentual.

Os movimentos indicam que o mercado absorveu as sinalizações do BC com relativa tranquilidade.

Perguntas Frequentes

O que Galípolo disse sobre o BC ter errado ao ‘explicar demais’ a Selic?

Galípolo afirmou que o BC pode ter errado ao ‘explicar demais’ a Selic, e que incluir o parágrafo que tentou sintetizar a decisão ‘pode ter sido complexo’.

Por que o BC não adota guidance para a Selic, segundo Galípolo?

Galípolo afirmou que nenhum Banco Central do mundo tem estabelecido tendências para futuras decisões (guidance), e que em momentos de maior incerteza é normal o desejo por guidance, mas Pichetti disse que colocar um guidance poderia limitar o ‘grau de liberdade’ do BC na próxima reunião.

Qual foi a reação do mercado financeiro após as declarações de Galípolo?

O dólar fechou em queda de 0,37%, cotado a R$ 5,18; o Ibovespa subiu 0,87%, a 171.990 pontos; a taxa do DI para janeiro de 2028 caiu 0,07 ponto percentual, para 14,24%, enquanto a taxa para janeiro de 2035 subiu 0,09 ponto, para 14,3%.

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